Seguro de vida ser caro demais é um mito'
Veja entrevista com Jorge Pohlmann Nasser, presidente da FenaPrevi
O novo coronavírus deixou os brasileiros mais cientes da necessidade de dedicar parte do orçamento a seguro de vida e previdência privada. Para a indústria, porém, o desafio está só começando. Em entrevista ao Estadão, Jorge Pohlmann Nasser, presidente da FenaPrevi e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros fala da necessidade de transformar a atual predisposição em ação.
‘Estamos otimistas com esse novo comportamento em relação ao planejamento do patrimônio e proteção das famílias’, afirma o executivo.
l Por que a cultura do seguro e da previdência privada ainda é pouco difundida no Brasil?
Há países com uma penetração maior dos seguros, principalmente pelo nível de renda mais alto ou por uma questão cultural mesmo. Vivemos em um ambiente em que o brasileiro vai até uma concessionária para comprar um carro zero, escolhe tudo o que precisa para o veículo com muita calma â e a maior preocupação é não sair do local sem confirmar o seguro. Mas, se você perguntar para essa mesma pessoa se ela tem um seguro de vida, provavelmente a resposta será não. Esse é um comportamento de um país um seguro de vida, por exemplo. Pagando pouco por mês, a pessoa garante uma cobertura que é equivalente ao patrimônio que ela não conseguiu constituir ao longo da vida. É importante avaliar todos os ciclos. Se proteção não é mais um problema, a pessoa pode pensar um pouco mais em renda para a sua aposentadoria.
Aprendemos com a crise que, além dos bens, a segurança é necessária para a proteção das famílias. É isso que vai garantir patrimônio na ausência da pessoa que era a provedora daquela família.
l Muitos evitam o seguro de vida por achar que a apólice pode ser cara demais. Como avaliar o que é caro ou barato?
Ser caro é um pouco de mito. Se você tem uma necessidade adequada ao seu momento de vida e com a sua reserva financeira, o que é caro? O caro ou barato está atrelado em atender ou não a sua expectativa.
Há um leque fantástico de produtos no mercado e com valores que podem variar de R$ 10 até R$ 5 milhões. Tudo vai depender da necessidade, do tipo de cobertura que a pessoa está buscando e da capacidade da seguradora de apresentar o real valor daquela proposta para o cliente.
l O que o consumidor precisa avaliar antes de contratar um seguro de vida ou fazer um plano de previdência?
Existem alguns itens básicos para analisar. A primeira questão é identificar momento de vida: sou solteiro, estou iniciando no mercado de trabalho e não tenho filhos ou dependentes que envolvam outras despesas extras? Posso iniciar um plano de previdência. Casei e agora tenho alguém que vive comigo? Já é a hora de ter futuro planejado e conquistar patrimônio para que essa pessoa consiga honrar algumas despesas na minha ausência. Esse é um patrimônio que você compra com um seguro de vida, por exemplo. Pagando pouco por mês, a pessoa garante uma cobertura que é equivalente ao patrimônio que ela não conseguiu constituir ao longo da vida. É importante avaliar todos os ciclos. Se proteção não é mais um problema, a pessoa pode pensar um pouco mais em renda para a sua aposentadoria.
l É necessário revisar a cobertura contratada?
Faça uma revisão constante do que você adquiriu. As pessoas acabam se acomodando com o preço estável, mas é importante avaliar se faz sentido continuar com aquela cobertura que você contratou anos atrás. As pessoas precisam estar atentas se o produto ainda faz sentido para a atual fase da vida em que ela se encontra. Esse é o grande segredo.
l O setor conseguiu equilibrar as contas durante a crise. Qual é o maior desafio agora?
Se hoje você se lembra de colocar uma máscara para sair de casa, faça o exercício de pensar se já tem proteção para você e para a sua família. Ter a consciência de que é necessário se proteger de outras formas é tão importante quanto. Esse é o nosso maior desafio.
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