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Quando misturar relação mercantil e social não é um bom negócio

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Elemar Júnior, CEO EximiaCo Elemar Júnior, CEO EximiaCo

Por Elemar Júnior, CEO EximiaCo

Grandes resultados demandam relações interpessoais saudáveis. Economistas indicam que há duas categorias distintas de relacionamento interpessoal envolvendo o trabalho: social e mercantil. Ambas são aceitáveis, entretanto, dentro e fora das organizações, boa parte dos desgastes nasce da falta de entendimento desse conceito.

O relacionamento mercantil é simples de entender. Nele, trocamos nossas competências, esforços e tempo por dinheiro e essa troca precisa ser justa. Por outro lado, um relacionamento social não é baseado em dinheiro e acontece quando fazemos coisas no intuito de reforçar a qualidade das relações. Na maioria das vezes, sabemos intuitivamente qual categoria de relacionamento estamos mantendo, o que facilita agir de acordo. Em outras, porém, temos entendimento equivocado – quase sempre incentivados por mensagens dúbias. Confusões quanto ao tipo de relacionamento podem gerar desgastes e problemas, sobretudo, quando as partes envolvidas não percebem a relação da mesma forma.

No ciclo social, não pagamos por um jantar na casa de amigos, mas levamos vinhos ou outros agrados que talvez custem até mais caro que um bom jantar em um ótimo restaurante. Também não damos dinheiro aos nossos familiares para que cuidem de nossas crianças em uma eventualidade, mas pagaríamos a uma babá. Já nas organizações, as pessoas trabalham e contam com uma remuneração justa (relação de mercado). E é comum que essas pessoas se predisponham a fazer “algo a mais” pela relação social com o time ou o líder. O problema é quando as empresas passam a usar este bom relacionamento como argumento da relação de mercado.

Imagine que você é convidado a compartilhar suas opiniões sobre um determinado tema de especialidade em uma palestra. Consideremos três cenários. No primeiro, ao final da palestra você recebe um presente – uma garrafa de vinho. No segundo, ao término do evento você recebe um envelope indicando que uma doação simbólica foi feita em seu nome para uma instituição de caridade. E no terceiro, ao encerrar a palestra você recebe um envelope com uma nota de cinquenta reais. É provável que todas as três iniciativas tenham o mesmo custo financeiro para a organização do evento. Entretanto, as duas primeiras reforçam a ideia de um relacionamento social e a última é uma afirmação de um relacionamento de mercado. E a diferença? Quando há trabalho envolvido, presentes são agradecimentos, já o dinheiro é pagamento.

Bom senso e comunicação devem prevalecer

Costuma ser um grande erro tratar relacionamentos sociais com expressões de mercado. Aliás, pode soar extremamente ofensivo. Ninguém em sã consciência ofereceria dinheiro a um “first date“, por exemplo. Por outro lado, quando há uma relação de mercado, é cruel tentar criar “ganchos” para fazer parecer que estamos em uma relação social. É comum acompanharmos empresas usando expressões como “família” para designar as relações com seus empregados. Entretanto, se esse fosse o caso, a remuneração não poderia ser o mais importante e, até mesmo, poderia ser dispensável. Não sendo esse o caso, há grandes chances de que a comunicação seja prejudicada por ruídos.

Quando uma das partes percebe uma relação como sendo de mercado e a outra como sendo social, há uma crise de reciprocidade. No embate entre o mercado e o social, o primeiro costuma prevalecer. Basta um breve descuido para que uma relação social construída ao longo de anos seja transformada em relação mercantil e, geralmente, o caminho inverso costuma ser difícil ou até mesmo impossível. Boa comunicação acontece quando diminuímos ruídos e amplificamos o sinal. Dentro e fora das organizações, reduziremos significativamente as chances de desgastes e descontentamentos se formos explícitos quanto a natureza dos relacionamentos. Não devemos usar expressões como “família” em uma relação mercantilista. Tampouco, devemos recorrer a mercantilismos em relações sociais.

Sobre Elemar Júnior

Elemar Júnior é CEO da empresa a ExímiaCo e especialista com mais de 20 anos de experiência em arquitetura de software e desenvolvimento de soluções com alta complexidade ou de alto custo computacional. Tem como expertise o desenvolvimento de estratégias para a inovação.


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