Os bitcoins desafiam o nosso cotidiano
*Eduardo Bega
O bitcoin não nasceu como uma invenção qualquer. Ele surgiu pronto, engenheirado demais, como se tivesse atravessado séculos invisíveis de testes. Em 2009, um nome apareceu: Satoshi Nakamoto. Homem, mulher, grupo de pessoas… ou quem sabe? Até hoje ninguém apareceu. Um engenheiro envolvido nas pesquisas iniciais chegou a afirmar que o sistema era sofisticado demais para ter sido criado por apenas uma pessoa.
Mas e se não tivesse sido criado aqui? E se a moeda digital fosse um artefato que já circulou em outras civilizações, em outros mundos, testado e refinado até alcançar sua forma atual? Quem trabalha com tecnologia sabe que qualquer projeto exige protótipos, validações, fases-piloto. A criptomoeda, no entanto, entrou em nossas vidas de forma quase imediata. Comprar, vender, especular… tudo simples, acessível.
A hipótese é ousada: teria surgido em algum lugar do universo. Criado, ajustado, posto em prática, aprovado, instalado. Enfrentou falhas, erros, correções. Versões novas apareceram, moedas desapareceram do sistema, criptografias foram quebradas e reforçadas. Até que, após incontáveis ciclos de evolução, chegou à forma que conhecemos.
A criptografia do bitcoin é tão complexa que parece já ter enfrentado tentativas de quebra em outros lugares. Portanto, esse limite dos 21 milhões de bitcoins pode ser uma regra universalizada, resolvida em outras civilizações, mas ainda um mistério para nós. E a descentralização radical talvez seja uma lição aprendida em outras sociedades, como forma de resistir a poderes centralizadores.
Satoshi pode não ser deste mundo. Surgiu e desapareceu sem deixar rastros. Apresentou o projeto, reuniu colaboradores, monitorou a instalação, esclareceu dúvidas e desapareceu no éter. Não se trata de negar nossa capacidade de imaginar e criar algo como o bitcoin, mas de reconhecer que não havia necessidade de tal invenção naquele momento. Um produto que, mesmo após 15 anos de existência, permanece obscuro e incompreendido.
Ao fechar o cerco entre o código e o cosmos, percebemos que a fronteira entre a inovação e o impossível é mais tênue do que imaginamos. O bitcoin é apenas uma peça desse quebra-cabeça tecnológico que desafia a lógica humana. Conduzi esse tipo de investigação em Vale do Silêncio – O Enigma do Lago e foi mais do que explorar uma teoria; mas sim aceitar que, às vezes, a realidade é um software desenhado por mãos que nunca conheceram nossas fronteiras.
*Eduardo Bega é empresário e escritor, autor de Vale do Silêncio – O Enigma do Lago.
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