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Guerra na Ucrânia afeta custo de vida na RMSP, que sobe 1,16% em março

  • Quarta, 04 Mai 2022 12:08
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Lilian Michelan
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Escalada nos preços das commodities, como petróleo, trigo e soja, elevou custos dos transportes e dos alimentos



A alimentação e o transporte, os mais importantes grupos de consumo das famílias, foram os principais responsáveis pelo aumento de 1,16% no custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em março. A alta é resultado da guerra na Ucrânia, que provocou uma escalada nos preços das commodities, como petróleo, trigo e soja, trazendo impactos para os custos dos alimentos e dos transportes, contribuindo com quase 70% da variação mensal. Os dados, do indicador Custo de Vida por Classe Social (CVCS), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apontam para altas do CVCS de 2,8%, no período entre janeiro e março, e de 10,78%, em 12 meses.

Para a FecomercioSP, o maior impacto do conflito na Ucrânia sobre as commodities foi absorvido no mês de março. Entretanto, isso não significa que não haverá altas nos próximos meses, ainda que o avanço dos preços seja mais suave. Além disso, outra questão que deve comprometer a melhora do custo de vida é a inflação, que segue espalhada pelos grupos de consumo das famílias. Em março, as nove atividades que compõem o CVCS apresentaram variação positiva, das quais quatro superaram os 10% no acumulado em 12 meses. Com relação aos alimentos especificamente, dos 80 itens analisados, 61 apontaram alta no mês.

O grupo dos transportes avançou 2,01% – impacto de 0,43 ponto porcentual (p.p.) na variação geral. Os combustíveis subiram, em média, 5,65%, com destaque para a gasolina (6,73%) e para o óleo diesel (15,03%). As passagens aéreas evitaram que o avanço fosse maior. O item teve queda de 9,6%. Entretanto, o aumento do querosene de avião em março – não captado pela pesquisa – ainda deve influenciar os preços em maio. No recorte por faixa de renda, há disparidade. Enquanto, para as classes mais baixas, a variação mensal chegou a 2,44%, ao passo que para a classe A, o aumento foi de 1,87%.

Os alimentos, por sua vez, subiram 1,66% – impacto de 0,37 p.p. na variação geral. O óleo de soja avançou 5,8%, e o tradicional pão francês, 2,8%, pressionados pela alta do preço do trigo e da soja no mercado internacional. Além da conjuntura mundial, a redução da oferta, em decorrência do excesso de chuva, também contribuiu para as elevações nos custos. Foi o caso do tomate, que encareceu 37,1%, e da cenoura, com alta de 28%. Além deles, hortaliças e frutas registraram altas de 9,43% e 6,16%, respectivamente.

Importante ressaltar, porém, que parte da escalada de preços nesses casos também é reflexo, além das mudanças climáticas, do aumento do frete. O óleo diesel, cujo preço influencia diretamente os custos do transporte de carga, sofreu reajuste de quase 25%.

Embora o aumento dos alimentos tenha atingido todas as faixas de renda, as famílias mais pobres foram as mais prejudicadas. O avanço desse grupo para a classe D foi de 1,99%, já para a classe A, de 1,59%.

Demais altas no mês

Depois dos transportes e dos alimentos, a habitação foi o item que mais pressionou o avanço do CVCS. O grupo também foi impactado pelas circunstâncias da guerra, com alta de 1% e impacto de 0,17 p.p. no resultado geral do indicador. O gás de botijão, que subiu 8,6% no mês, foi o destaque. A alta é especialmente prejudicial às classes menos favorecidas. A variação para a classe E foi de 1,23%, já para a classe A, de 0,72%.

Outras altas foram registradas nos seguintes grupos: vestuário (1,32%), saúde (0,63%), despesas pessoais (0,47%), artigos do lar (0,05%), educação (0,04%) e comunicação (0,03%).

Quando se avalia o custo de vida por classe social, no acumulado de 12 meses, para a classe E, a alta foi de 12,36%. Já para a D, de 12,29%. Nas famílias com melhor poder aquisitivo, as variações foram de 9,94%, para a classe B, e de 10,14%, para a classe A.

IPS e IPV

O Índice de Preços do Varejo (IPV) assinalou alta de 2,07% em março. No ano, a alta acumulada é de 4,53%, variando, nos últimos 12 meses, 14,69%. Dos oito grupos que compõem o indicador, nenhum encerrou o terceiro mês do ano com decréscimo em suas variações médias. Já o Índice de Preços dos Serviços (IPS) assinalou avanço de 0,19%. A alta acumulada em 2022 é de 0,99%, variando, nos últimos 12 meses, 6,73%. Duas atividades encerraram o terceiro mês do ano com decréscimo em suas variações médias: transportes (-0,38%) e saúde e cuidados pessoais (-0,16%).

Nota metodológica

CVCS

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.

Sobre a FecomercioSP

Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.


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