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“A falta de ação efetiva do governo nos colocou nessa condição de economia estagnada e processo inflacionário forte”, afirma economista

  • Quinta, 21 Outubro 2021 09:53
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Danielle Borges
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Desde 2014 a economia brasileira carrega uma componente recessiva, que se aprofundou com a pandemia e que agora coloca o país num estágio de estagflação, avalia o professor e economista Otto Nogami em entrevista exclusiva ao programa “A Hora e a Vez da Pequena Empresa”, que pode ser visto no YouTube. Para ele, a falta de ação efetiva do governo para minimizar os efeitos da pandemia colocou o Brasil na condição de economia estagnada com processo inflacionário forte. “A tendência é de aumento da inflação, concentração da renda e, consequentemente, aprofundamento da perda de poder aquisitivo da população, afetando famílias de renda mais baixa e que representam grande parcela da população”, alerta. Além disso, segundo o professor, outro entrave é o aumento de custos nas indústrias, que tem levado muitos empresários a embutir no preço a inflação futura. “Começamos a observar um processo de retroalimentação da inflação, o que pode ser um grande problema no futuro, pois, que mecanismo o governo utilizará para neutralizar essa inflação?”, indaga Nogami.

Num processo de elevação de preços é inevitável que a política monetária acabe se transformando na mais importante ferramenta de política econômica. Segundo Nogami, o objetivo do Banco Central é manter a estabilidade dos preços elevando a taxa de juros. “No entanto, chegamos a 6,25% e mesmo assim o mercado não está reagindo, os preços continuam subindo, principalmente quando observamos os custos industriais, onde reside o maior problema dos preços na economia. Não podemos esquecer que as empresas têm uma limitação de capital de giro e à medida em que o custo de produção aumenta, para não perder clientes, muitas começaram a abrir mão da sua margem de lucro para manter volume de vendas razoável afim de arcar com os compromissos financeiros”, lamenta.

O economista ressalta que desde o início da pandemia muitas empresas fecharam, provocando quebra da cadeia produtiva generalizada, especialmente observando as pequenas e médias empresas, base da pirâmide da cadeia produtiva. “À medida em que estas empresas passaram por dificuldades no período de isolamento, a maioria ficou em situação de grande fragilidade financeira. O isolamento, a falta de faturamento e o compromisso das contas a pagar comprometeram o fluxo de caixa e levaram inevitavelmente ao encerramento da atividade em muitos casos, irradiando por toda cadeia produtiva e atingindo inclusive grandes empresas”, explica o professor. Ele defende a ideia de um plano nacional de abastecimento para garantir o abastecimento no mercado doméstico e somente o excedente ser exportado. O economista também acredita na importância de uma política monetária mais rígida para estancar a pressão de demanda e a necessidade fazer com que o governo balize melhor seus comentários evitando que o capital estrangeiro se assuste e eleve a taxa de câmbio.

Questões tributárias

Reforma tributária, refis e desoneração da folha de pagamentos são assuntos que afetam diretamente o orçamento e o planejamento para os próximos anos, avalia o advogado Piraci Oliveira. O refis, já aprovado no Senado, agora está na Câmara dos Deputados para aprovação e debate, podendo a qualquer momento seguir para deliberação e votação. “Entrando em vigência, há chances de turbulência com relação à forma de adesão, pois será a reabertura do Pert e sabemos que um grande número de empresas gozará do benefício”, afirma Oliveira. Em relação à desoneração da folha de pagamento, os 17 setores incluídos no programa têm até 31 de dezembro de 2021 como limite legal da desoneração. “Está aberto no Congresso o debate para prorrogação por mais cinco anos, ainda sem definição”, informa o advogado. Já a reforma tributária, aprovada na Câmara e encaminhada ao Senado, aguarda análise na primeira comissão para ir ao Plenário. Segundo Piraci, há um compromisso entre senadores e deputados para que o tema, aprovado ou não, seja votado na primeira quinzena de dezembro. “A proposta tem sofrido ajustes no Senado, sendo o mais relevante o de que apenas seriam tributados os lucros criados a partir de 2022. Portanto, existe a possibilidade de não tributação do saldo de lucros acumulados”, lembra.


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