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Investimento anjo: capital e conhecimento para startups decolarem

  • Segunda, 02 Agosto 2021 11:12
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Aline Ramalho
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Recurso é um dos principais fatores de sucesso para o ecossistema de tecnologia e consolidação de negócios nascentes. Confira os relatos de empresas que conquistaram esse tipo de investimento

O modelo de negócio de empresas com soluções inovadoras tende a ser arriscado. Por isso, as startups passam por diversos estágios nas fases de crescimento, do pré-seed à oferta pública (IPO). Os iniciais costumam ser os mais desafiadores, com pouco ou nenhum faturamento e o desafio de validar a solução no mercado. Segundo a pesquisa Associação Brasileira de Startups (Abstartups), é nesta fase que nove entre 10 startups não conseguem seguir adiante. Também é neste cenário que a presença do investidor anjo, que é uma pessoa física, se faz essencial.

De acordo com a pesquisa “Financing High-Growth Firms: The Role of Angel Investors”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento anjo é um dos principais fatores de sucesso para startups em 30 países diferentes, incluindo o Brasil. Isso acontece porque o contato com este tipo de investidor não se resume apenas ao capital: ele também auxilia no desenvolvimento da ideia, produto ou serviço e no modelo de negócios, já que tem mais conhecimento do ecossistema.

Apesar deste papel fundamental, de acordo com a Abstartups, em 2020, apenas 26,2% das startups brasileiras receberam algum investimento ou incentivo financeiro desde sua fundação. Destes, a maior porcentagem vem de investimento anjo, com 41,5%. A pesquisa também aponta que 43,3% do capital tem origem em investidores locais. Nesse cenário, o Sebrae desenvolve desde 2013 o Projeto Startup SC, que tem como objetivo fomentar o ecossistema tecnológico de Santa Catarina.

O ecossistema tecnológico e empreendedor de Santa Catarina

Colaborando há oito anos com o avanço do ecossistema do estado, o Programa de Capacitação do Startup SC, do Sebrae, está em sua 11ª turma, que reúne 50 empresas. De acordo com o Alexandre Souza, gestor do projeto, a iniciativa fomenta o empreendedorismo inovador em Santa Catarina e possibilita criar conexões estratégicas no ecossistema. “Neste período, apoiamos 1070 empreendedores e 330 startups. Em 2021, além da capacitação, expandimos o programa com uma parceria da Fapesc, que investirá R$ 50 milhões para até 25 startups do programa”, complementa.

Essas iniciativas de capacitação e criação de conexões entre empreendedores e investidores é amplamente incentivada. Segundo o “Global Startup Ecosystem Index Report” de 2021, o Brasil está na 24ª posição no ranking mundial, com base em três critérios: quantidade, qualidade e ecossistema de negócios. Em território verde e amarelo, São Paulo desponta como uma das principais cidades, com nove dos 11 unicórnios do país. Em uma análise detalhada, o relatório afirma que para além da capital paulista, é fundamental que haja o fomento desses ecossistemas em outros locais do Brasil, para desenvolver e promover inovações de forma ampla.

No caso do investimento anjo, há diversas formas que o capital pode potencializar o sucesso e direcionar o desenvolvimento da startup para o melhor caminho. Empresas catarinenses, de diferentes segmentos e modelos de negócios, que já vivenciaram as dores de um negócio nascente, assim como do processos de atração e aplicação de investimentos relatam suas experiências:

Smart money para crescimento estratégico

A GeekHunter, empresa especializada na contratação de profissionais de tecnologia, sendo atualmente um dos maiores marketplaces de recrutamento da América Latina, recebeu seu primeiro aporte ainda no primeiro ano de existência, em 2016. Celso Ferrari, fundador e COO, explica que a escolha dos investidores não levou em conta apenas o aporte financeiro, mas principalmente, a experiência deles para ajudar com conexões importantes para o negócio, chamado de smart money. "Foram investidores com perfis complementares e que de fato conseguiram nos ajudar a cortar caminhos para crescer mais rápido. Ter um investidor líder para orientar e acelerar o processo foi fundamental para ser uma captação justa e sem grande perda de foco do negócio que estávamos criando", explica.

A maior parte do dinheiro, no valor de R$ 325 mil, foi investido na estruturação do time. Por ser uma empresa de tecnologia, a contratação de pessoas desenvolvedoras de software foi fundamental para conceber os primeiros recursos mais complexos do produto. Já o time comercial foi essencial para criar o primeiro entendimento do que seria a máquina de vendas do futuro e como a startup estaria pronta para um novo passo. "Após essa estruturação e a conquista de números que mostravam que o negócio estava pronto para escalar, foi o momento para mirar em rodadas de investimento de valor muito maior. Nunca enxergamos a rodada de investimento como um objetivo, mas sim como uma consequência do momento que a empresa estava vivendo", conclui Ferrari.

Novo modelo de negócio

Após um trabalho de branding em 2015, a Winker, que oferece soluções para o mercado imobiliário, recebeu seu primeiro investimento de três investidores anjo com o objetivo de pivotar um novo modelo de negócio, antes focado apenas em venda direta para condomínios. Até então, a Winker contava apenas com capital próprio e mensalidade dos condomínios, e constatou-se que uma das formas de escalar o serviço seria vender para administradoras. Com o investimento, a empresa desenvolveu em fevereiro daquele ano uma integração com um sistema contábil muito utilizado por administradoras e mudou sua forma de atuação no mercado.

A Winker iniciou 2015 com presença em 40 condomínios e, ao final do ano, já estava atuando em 1.200 unidades. De acordo com Henrique Melhado, CEO da empresa, sem o conhecimento dos investidores anjo, a Winker não teria conseguido esse resultado e estruturado a operação para suportar o crescimento rápido nos anos seguintes. “Além do investimento, o apoio para o desenvolvimento das estratégias foi fundamental para o sucesso. Afinal, o investimento anjo não é volumoso, o risco é enorme e precisamos minimizar os erros. No nosso caso, deu muito certo.”

Validação do Product Market Fit

Há cerca de oito anos, em 2013, a fintech Asaas recebeu seu primeiro investimento-anjo. O valor de R$500 mil foi utilizado prioritariamente para a folha de pagamento de profissionais da engenharia e para o marketing de performance, mas teve um papel de maior impacto para o negócio, que estava validando seu product market fit e precisou pivotar em uma nova direção . “O investimento foi determinante para nosso crescimento, pois nos permitiu focar totalmente em entender o problema do usuário e alterar o nosso produto sem precisar pensar em receita para pagar as contas do mês”, comenta Piero Contezini, CEO do Asaas. Hoje, a empresa já recebeu mais de R$45 milhões em sete rodadas de investimento e é considerada uma das 10 principais fintechs de meios de pagamento do país, segundo ranking de 2021 da Distrito.

Piero Contezini, CEO do Asaas e investidor-anjo. Foto: divulgação

De empreendedor à investidor anjo

Além de vivenciar o lado do empreendedor, Piero também cumpre o papel de apoiador do ecossistema — junto com o irmão e cofundador do Asaas, Diego Contezini, ele realiza investimentos anjo desde 2010. “Como o Asaas atende milhares de startups ao redor do país, nós acabamos conhecendo e nos envolvendo com muitos empreendedores e negócios interessantes. Na hora que entendemos que a iniciativa está pronta para crescer, colocamos dinheiro para agilizar o processo”, explica Piero, que também reforça a importância da mentoria que o investidor anjo oferece a quem está iniciando seu empreendimento. “Não há ecossistema de startups sem investimento anjo”, complementa.

De acordo com Alexandre Souza, coordenador do Projeto Startup SC, do Sebrae, essas iniciativas como a de Piero são pontos positivos da conexão e fomento existentes no ecossistema catarinense. “Depois que a startup atinge um determinado crescimento, os empreendedores tendem a olhar para quem está começando. Além de colaborar com o desenvolvimento de uma nova solução, investem em uma oportunidade com possibilidades de alto rendimento e liquidez do capital em poucos anos”, afirma Souza.


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