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Inteligência de crédito: o que é, como funciona e como pode ser útil às empresas

  • Quinta, 10 Dezembro 2020 12:26
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Regina Ruiz
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Juros baixos, riscos de inadimplência; como as financiadoras podem se proteger no atual cenário econômico brasileiro

Por Gustavo Catenacci*

Maximizar ganhos e minimizar riscos: estes são dois dos objetivos principais das instituições fornecedoras de crédito (empréstimos) desde que os primeiros bancos surgiram (o que ocorreu no séc. XV no norte da atual Itália, durante o período histórico conhecido como Renascença).

Uma das preocupações de companhias que atuam com o repasse de recursos a terceiros é que a saúde financeira de seus clientes seja sólida. Sem isso, há o risco da inadimplência – o não-pagamento do valor emprestado.

Pior: quanto mais incerta for a solidez econômica daquele que busca o empréstimo, maiores tendem a ser os juros cobrados pelo mesmo. E, claro, sobem também as chances de que tal empréstimo seja simplesmente negado.

Por outro lado, desde o início no Brasil da pandemia de covid-19 (nosso primeiro caso foi registrado em 26 de fevereiro, na capital paulista), e em especial após começarem as medidas de isolamento social (final de março), a economia do país mergulhou em dura recessão.

Em resposta, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fixou nossa taxa básica de juros (a Selic) em seus mais baixos níveis históricos, a fim de reanimar a atividade econômica; um efeito colateral desta medida foi a queda na rentabilidade das operações creditícias.

Por outro lado, em um contexto de dificuldades gerais, aumenta o receio das instituições acerca da capacidade de pagamento de cada devedor. É natural que assim seja, e nenhum banco ou empresa assemelhada pode se dar ao luxo de ignorar o risco de que não sejam honrados eventuais débitos feitos em tempos tão delicados como os que vivemos.

É aí que a inteligência de crédito entra em cena.

Vamos falar um pouco sobre ela.

IA e Big Data no fornecimento de crédito

Dá-se o nome de inteligência de crédito ao conjunto de rotinas e boas práticas destinadas a tornarem mais segura e rentável a concessão de empréstimos. A elas se somam conquistas da moderna tecnologia, como o Big Data (volumes gigantescos de informação eletronicamente processados) e a inteligência artificial (IA).

Dito assim, porém, fica a impressão de que a inteligência de crédito se baseia puramente em TI (tecnologia da informação) e suas variantes. Mas isso não é verdade. A boa inteligência de crédito é objetiva, mas também subjetiva; leva em conta tanto dados estatísticos (objetividade) quanto a avaliação humana (subjetividade).

Vale, neste ponto, destacar alguns aspectos considerados pela inteligência de crédito no caso de empréstimos para pessoas físicas. São eles:

Análise financeira;
Análise patrimonial;
Análise cadastral;
Análise de idoneidade;
Análise de relacionamento;
Análise de sensibilidade.

Além disso, há fases determinadas a serem consideradas quando da concessão de um empréstimo. Em linhas gerais, são elas:

Análise retrospectiva – Verificação do comportamento do tomador potencial de crédito ao longo de sua vida. Busca-se saber se, no passado, débitos feitos pela empresa, ou pelo indivíduo, foram adequadamente honrados. Ações passadas, não raro, dão boas antevisões de ações futuras;
Análise de tendências – Consiste na projeção das condições financeiras futuras do tomador de crédito, tendo por base sua situação presente;
Análise creditícia – É a que determina qual o montante que o tomador do empréstimo poderá receber do fornecedor. A análise creditícia considera os resultados das análises precedentes (retrospectiva e de tendências) para chegar a esta resposta.

A concessão de crédito, por sinal, não se resume à tomada de um empréstimo mediante o pagamento de juros, por exemplo. Há outras maneiras de fazê-lo, não raro mais eficientes e baratas para o tomador de recursos. Por exemplo a antecipação de recebíveis, na qual uma empresa troca garantias de crédito futuras por valores imediatos, mediante desconto.

Vale observar: muitas organizações pequenas não têm como, sozinhas, manter um analista de crédito. Em resposta, surgiram empresas cujo core business é fazer tal tarefa para os pequenos empreendedores. É uma tendência contemporânea que gera benefícios a ambas as partes.

A inteligência de crédito, enfim, já tem um passado positivo, no Brasil e no mundo – e, certamente, também conta com um futuro promissor em ambos.

*Gustavo Catenacci é CEO da Credit Brasil, empresa com 24 anos de experiência em gestão de fundos e antecipação de recebíveis. Gustavo é formado em administração de empresas pelo Insper, com passagem pela Harvard Business School


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