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IPO de pessoas públicas pode trilhar futuro da democratização dos investimentos e do engajamento com audiências

  • Terça, 01 Dezembro 2020 11:12
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Mirella Miranda
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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*Por Ricardo Wendel, fundador e CEO da DIVI•hub

O que levaria alguém a comprar ações de uma pessoa pública na Bolsa? Ser fã do seu trabalho? Ou simplesmente enxergá-la como uma opção rentável de investimento? As perguntas surgem após os recentes movimentos de influenciadores digitais, super models e artistas pop que consideram entrar - ou já entraram - no mercado financeiro como um ativo negociável.

Dados da Forbes indicam que o TAM (mercado total endereçável) do marketing de influência mundial gira em torno de 10 a 25 bilhões de dólares em 2020. Mas quanto um fã ganharia ao investir o seu dinheiro na sua banda favorita? Ou qual o valor de entrada para comprar uma ação de uma pessoa pública? E qual plataforma essas ações seriam negociadas? São muitas as dúvidas a serem respondidas sobre essa nova aposta, mas as tendências levam a crer que o mercado caminha em direção a possibilidades de investimentos em uma nova classe de ativos, como grandes nomes da música, gamers que são fenômenos nos streamings ou mesmo séries que despertam a paixão de milhares de seguidores. Para criadores de conteúdo, personalidades e artistas, isso pode significar não só recursos para financiar projetos que estavam na gaveta, mas o ápice do engajamento com seu público. A verdadeira evolução natural do status de fã ao de “sócio” das pessoas que admira, dos conteúdos que consome e, principalmente, a porta de entrada para investir naquilo que realmente gosta.

É o caso da BTS, banda jovem coreana do segmento K-pop que foi uma das primeiras a abrir seu capital por meio de uma Oferta Pública Inicial, ou IPO, na sigla em inglês. Isso significa que seus fãs (ou qualquer pessoa interessada) podem comprar uma “parte” da banda, ao adquirir suas ações - e lucrar com a valorização da imagem do grupo. Em sua estreia na bolsa coreana, as ações da BTS fecharam o primeiro dia com alta de 90%, elevando os sete membros do conjunto ao seleto grupo de milionários da indústria da música.

A oferta pública foi intermediada pela gravadora da boy band, a Big Hit Entertainment, e foi a maior colocação de ações no mercado da Coreia do Sul nos últimos três anos - rendendo 100 milhões de dólares para cada integrante, segundo dados do Dealogic, umas das principais plataformas de análises do mercado financeiro.

Vivemos um momento em que o mundo dos investimentos está passando por uma revolução. De um mercado mais restrito, dominado por experts e economistas, o setor tem se tornado cada vez mais inclusivo - tanto pelo avanço da transformação digital quanto pela disseminação de conteúdos sobre o assunto nas redes sociais. Investir virou uma atividade mais amigável e acessível, que despertou o interesse de pessoas que nunca tiveram contato com finanças. Mas será que as ofertas do mercado têm acompanhado esta sede por novidades?

Depois da banda coreana, a modelo italiana Chiara Ferragni foi outra celebridade que começou a considerar abrir seu próprio IPO. Após deixar as passarelas, conquistou o Instagram, compartilhando seu estilo de vida, arregimentando 21 milhões de seguidores ao redor do mundo, e fazendo de sua própria vida um lucrativo negócio. A modelo, que é patrocinada por grandes marcas, vê a possibilidade de aumentar ainda mais o seu faturamento, e anunciou que considera entrar no mercado de ações e fazer uma IPO de si mesma.

A empreitada de Ferragni tem o potencial de atrair o interesse de um novo público não-especializado, não familiarizado com o mercado financeiro. Neste sentido, o Brasil promete ser um território fértil para iniciativas do gênero, já que influenciadores digitais nacionais, gamers, músicos e artistas estão cada vez mais atentos a novas formas de monetizar sua audiência, sempre em busca do engajamento máximo do seu público. Do outro lado da moeda, uma parcela jovem da população está ávida por novas opções de investimento que falem a sua língua e se conectem com seus gostos. Alguém duvida do potencial desse mercado?

*Ricardo Wendel é fundador e CEO da DIVI•hub - a primeira plataforma de investimentos em ativos digitais do mundo. Graduado em Publicidade pela ESPM, conduziu por 15 anos o desenvolvimento de projetos de grandes marcas na agência cofundada por ele, a Citrus7. Foi convidado pela San Jose State University, no Vale do Silício, para integrar o Global Entrepreneurship Program em 2019 e hoje comanda a startup premiada pela Amazon e HubSpot em San Francisco.


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