SEGS Portal Nacional

Economia

Governo do Paraná pode aumentar desemprego se elevar alíquota do ICMS de bebidas

  • Terça, 01 Dezembro 2020 11:12
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Portal de Bebidas Brasileiras
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

Ao menos 16 indústrias deverão fechar as portas se Assembleia Legislativa aprovar elevação de imposto 18% para 29%

Centenas de trabalhadores podem ficar desempregados no Paraná, caso a Assembleia Legislativa aprove projeto de lei enviado pelo governo do Estado para aumentar de 18% para 29% a alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) para refrigerantes e similares. No total, 16 indústrias do segmento deverão fechar as portas, caso a medida passe a vigorar, segundo a Afrebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil), que repudia a proposta.

O projeto tramita em regime de urgência e poderá ser colocado em pauta ainda nesta semana. A alegação do governo é de compensar perdas de arrecadação, cujo déficit previsto para 2021 chega a R$ 3 bilhões e que foram agravadas pela pandemia da Covid-19. No entanto, o próprio Estado concedeu à Ambev incentivos fiscais que podem alcançar R$ 843 milhões até o final deste ano, o que, diz a Afrebras, só revela "uma política focada em privilegiar grandes empresas".

Representante de mais de 100 indústrias de bebidas no país, o presidente da Afrebras, Fernando Rodrigues de Bairros, critica o projeto de lei, que pretende elevar a alíquota do imposto sobre as bebidas gaseificadas, assim como de cervejas sem álcool, que, pela proposta, equiparam-se às bebidas alcoólicas. A Ambev, no entanto, paga quatro vezes menos ICMS que pequenas cervejarias no Estado.

"O governo do Paraná favorece as grandes empresas, como a Ambev, e quer deixar centenas de famílias desempregadas e que hoje trabalham nas pequenas indústrias de bebidas", alerta Bairros. "Os deputados não podem ser coniventes com essa proposta desastrosa. É preciso preservar a indústria de bebidas, uma das principais fontes de emprego da população do Paraná", assevera.

O setor de bebidas é responsável por uma arrecadação de cerca de R$ 230 milhões por mês em ICMS. Dos 29% da nova taxa de ICMS, 2% são destinados ao Fecop (Fundo Estadual de Combate à Pobreza do Paraná). "Se o governo quer arrecadar mais, basta acabar com a farra de incentivos estaduais bilionários concedidos a grandes indústrias, anualmente", critica o presidente da Afrebras. "Um bom governo busca justiça social, não quer famílias desempregadas, mas, no Paraná, o que se vê é o contrário com privilégio de grandes corporações".

O presidente da Afrebras afirma que todo o país está sofrendo os efeitos da crise sanitária global provocada pela pandemia. "Numa situação dessa, o governo apresentar propostas para não provocar o fechamento de indústrias e o desemprego de centenas de famílias que hoje necessitam do trabalho com produção de bebidas para levar refeição para casa", acentua Bairros. "É preocupante e muito lamentável a proposta do governo, e esperamos que os deputados tenham sensibilidade para não aprová-la. Isto é questão de sobrevivência e humanidade", destaca.

‘Governo equivocado’

O economista Marcelo Sido afirma que o aumento da alíquota de ICMS para bebidas frias irá provocar uma total inviabilização do funcionamento das indústrias desse setor. "Se o Governo do Paraná acredita que dessa forma irá aumentar sua arrecadação, está totalmente equivocado, pois as empresas irão fechar as portas ou migrar para Estados vizinhos onde o tributo é menos oneroso", analisa ele.

De acordo com o economista, o fechamento de pequenas indústrias ou a migração delas vai "ocasionar uma perda de 22 mil empregos diretos e indiretos, além de gerar perda de arrecadação de mais de R$ 200 milhões". Ele se baseou em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério da Economia.

O presidente da Afrebras também diz que a proposta do Paraná vai na contramão de medidas adotadas por Estados próximos. "Enquanto acompanhamos outros Estados fazendo as correções tributárias para o setor, como é o caso de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o nosso Estado do Paraná toma uma iniciativa absolutamente preocupante", afirma.

No projeto de lei, o governo do Estado também prevê a inclusão de parte da arrecadação com ICMS de outros três produtos e serviços ao Fecop - prestação de serviço de comunicação, veículos automotores novos e energia elétrica, exceto a destinada à eletrificação rural.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+ECONOMIA ::

Mar 06, 2026 Economia

Contribuintes podem destinar parte do Imposto de Renda…

Mar 05, 2026 Economia

Ano eleitoral pede planejamento financeiro rigoroso e…

Mar 04, 2026 Economia

Custos invisíveis de produção desafiam rentabilidade da…

Mar 03, 2026 Economia

Recuperação judicial é alternativa estratégica para o…

Mar 02, 2026 Economia

A Reforma Tributária e as negociações sindicais: como…

Fev 27, 2026 Economia

Malha fina: veja os erros mais comuns no Imposto de…

Fev 27, 2026 Economia

Pagamento por Pix no ponto de venda: praticidade no…

Fev 26, 2026 Economia

Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio…

Fev 25, 2026 Economia

Queda de 1 ponto no juro do financiamento imobiliário…

Fev 24, 2026 Economia

Planejamento tributário inadequado aumenta riscos e…

Fev 23, 2026 Economia

Você sabe como fica a rotina do empreendedor com a…

Fev 20, 2026 Economia

Da teoria à prática: como a Reforma Tributária deve…

Fev 19, 2026 Economia

Mercado de financiamento de litígios chega a US$ 20…

Fev 18, 2026 Economia

Reforma Tributária muda regras do aluguel e aumenta…

Fev 13, 2026 Economia

Planejamento financeiro é estratégia indispensável para…

Fev 12, 2026 Economia

Movimentações via PIX: 5 cuidados práticos para não…

Mais ECONOMIA>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version