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O mercado de fundos imobiliários vai muito além da Faria Lima

  • Quinta, 15 Outubro 2020 11:17
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Mônica Ferreira
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Diego Siqueira faz uma análise de investimentos fora do eixo tradicional

Defendo a tese de dois Brasis, afinal, existe algo mais do que a Faria Lima. Há pessoas que não tem ideia concreta do que é sair dos eixos econômicos e financeiros que embalam e posicionam o Brasil diante da economia mundial. Enxergam o Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, ou ampliando um pouco mais, fora da região sul-sudeste, como pouco expressiva para alavancar alguma posição no cenário econômico global. Em se tratando do mercado imobiliário, a situação é semelhante, e quem constrói ou investe nos grandes centros tem certa restrição para olhar para o Brasil do “interior”, um país que pulsa e que teve safra recorde esse ano.

Há centros no Brasil totalmente desconhecidos e que hoje estão fazendo a diferença por serem responsáveis pelo escoamento da safra de soja, por exemplo, a região de Itaituba - no sul do Pará e distante da capital do Estado: 1,7 mil km de Belém -, é um entroncamento logístico importante para toda a região, com operações rodoviárias e portuárias. Isso apenas para exemplificar que há certa restrição imobiliária para propostas fora de um eixo conhecido e a falta de ousadia de muitos investidores que gostam de olhar para os fundos imobiliários acaba por concentrar as fichas em poucas regiões, que representam 40% do país - mas existe todo o resto, 60% do Brasil não está nesse centro e vai se recuperar dessa pandemia muito mais rápido do que prevêem os analistas, sentados confortavelmente em seus escritórios ou, em home office.

Mas esse universo pouco observado começa a ser vislumbrado até como uma salvação da lavoura. Mas vamos contextualizar. A maioria dos fundos desse outro Brasil é desprezado pelos investidores já que eles, supostamente, não apresentariam os mesmos níveis de governança, sustentabilidade e estratégia, além de conhecimento do mercado financeiro, condição mínima para garantir segurança para o investidor. Em 2019, as coisas começaram a mudar e houve um começo de descobrimento dessa parte do Brasil, um novo 22 de abril, e alguns fundos começaram a despontar no mercado como player relevante. Com a pandemia do Covid-19, alguns investidores voltaram seus olhos para a região e viram a resiliência desse segundo Brasil.

As regiões menos adensadas têm chance de contágio menor, menos mortes, e estão sofrendo um impacto reduzido já que a inadimplência é baixa e as oportunidades de emprego são maiores. Dentro do possível, a vida permanece na normalidade.

Por isso o exemplo do município paraense lá em cima - enquanto cidades maiores registraram alto índice de queda – esse segundo Brasil, do qual ele faz parte, proporciona maior segurança em relação à movimentação da economia. Não podemos tratar o Covid-19 como algo bom, mas podemos tirar dessa crise uma oportunidade para que esse segundo Brasil seja enxergado de outra maneira, com seu real potencial de concorrência

Nesse segundo Brasil, há uma oferta de boas oportunidades que não podem ser desprezadas. Há muita resiliência e ousadia por aqui em se tratando dos fundos imobiliários que saem do óbvio da Faria Lima e pensam além de São Paulo. São fundos para quem está disposto a sujar a sola do sapato, sair do conforto de suas janelas panorâmicas dos grandes centros e não se contenta com o óbvio do mercado financeiro.

São tempos diferentes esses. Estamos vivendo uma quebra de paradigmas, onde o que parecia mais arriscado, está se mostrando mais seguro. Depois que todo esse isolamento passar ficarão tendências muito claras que estão sendo observadas como, por exemplo, a busca por imóveis maiores e mais amplos, já que devido à quarentena, estamos todos passando mais tempo em casa e muitos estão encarando a dificuldade de se manter confinados em pequenos espaços, situação nunca imaginada para quem tem filhos e optou por uma unidade compacta lá atrás.

Outro ponto é que, ainda que os hotéis estejam sofrendo bastante, para a rede hoteleira corporativa, a tendência é um retorno mais rápido do que para a rede hoteleira turística. A retomada dos shoppings também será mais lenta, enquanto os galpões logísticos saem fortalecidos devido ao aumento da demanda provocada pelo comércio eletrônico.

É um momento propício para analisar esse Brasil com outros olhos. Se é um bom momento para investir em FIIs? Devemos nos lembrar da clássica frase “compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos”. Ainda que estejamos vivendo tempos turbulentos, sujando os sapatos e procurando além da Faria Lima, há boas oportunidades no Brasil.

Diego Siqueira, CEO da TG Core


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