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TOKIO MARINE SEGURADORA

E se o Brasil produzisse 100 milhões de toneladas de grãos a menos?

por Eliane Kay, farmacêutica-bioquímica e diretora executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Em plena pandemia do novo coronavírus, mais uma excelente notícia vem do campo. A safra brasileira de grãos que acaba de ser colhida foi recorde, atingindo 251,9 milhões de toneladas. Essa fantástica produção explica porque a oferta de alimentos mantém-se absolutamente normal num momento de extremo desafio para o país. Não só a disponibilidade interna segue no ritmo esperado, como as exportações do agronegócio continuam batendo recordes.

O que a sociedade não sabe é que essa colheita poderia ter quebra de 100 milhões de toneladas! Isso sem contar os prejuízos à produção de café, cana-de-açúcar, frutas, legumes, flores e outras culturas, que despencariam na mesma proporção.

Por trás do excepcional resultado da agricultura brasileira está um imenso desafio: o combate a diversas pragas, sempre à espreita de oportunidades para atacar os cultivos agrícolas. A deficiência no tratamento pode ser desastrosa, já que o exército de fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos é forte, resistente e difícil de vencer.

Estudos da ONU (Organização das Nações Unidas) indicam que as plantações sem proteção correta podem ter perdas de até 40% na produtividade.

À disposição dos agricultores brasileiros para combater esses males estão os defensivos agrícolas modernos e eficientes – devidamente analisados e aprovados por três instituições federais (Ministério da Agricultura, Pecuária e Agricultura/MAPA; Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ANVISA e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis/IBAMA) –, que protegem as plantas e grãos armazenados com eficiência e controlam as implacáveis pragas que assolam as mais diferentes culturas.

Recente estudo do CEPEA/USP oferece números ainda mais dramáticos na produção agrícola, caso os cultivos não contassem com a proteção dos defensivos. A renomada instituição analisou os prejuízos advindos da ausência de agroquímicos contra três terríveis pragas: ferrugem asiática (soja), lagarta (milho) e bicudo (algodão). Conclusão: os sojicultores precisariam investir R$ 33 bilhões para obter a mesma produtividade e o custo interno da soja subiria 22,9%. Quanto ao milho, o gasto adicional para atingir a mesma produção atingiria R$ 25,3 bilhões e o custo no mercado doméstico seria 13,6% superior. Com o algodão não seria diferente: seriam necessários investimentos de R$ 2,53 bilhões para chegar à mesma produção e os preços no país aumentariam 5,5%. Juntas, as três culturas causariam impacto de praticamente 1% na inflação oficial.

Os dados do CEPEA/USP corroboram conclusões de dezenas de instituições nacionais e internacionais que mostram que os defensivos agrícolas controlam pragas e plantas daninhas, protegem os cultivos e contribuem para o aumento da produtividade com eficiência e segurança. Com a oferta maior de alimentos, os preços caem. Além disso, mais produção por área evita a ampliação de área de cultivo, agregando o fator de sustentabilidade ao campo.

Nunca é demais lembrar que as pragas são inimigos terríveis, que atacam os cultivos, e grãos armazenados, provocando doenças e reduzindo a capacidade de produção. Com essa ação implacável de pragas e doenças, cai dramaticamente a oferta de grãos, fibras e energia para o consumo das pessoas. Ou seja: na prática, as pragas competem com os seres humanos pelos mesmos alimentos. E sem o uso de defensivos as pragas venceriam essa batalha.

Também é importante destacar que a combinação entre temperatura elevada e umidade, próprios do clima tropical, é ideal para a proliferação das pragas. Em outras palavras: o Brasil é o habitat perfeito para elas.

Por outro lado, o clima tropical possibilita ao Brasil ter, em algumas culturas, até três safras por ano. Essa realidade ajuda a explicar o boom da nossa agricultura nas últimas décadas, que ajudou o Brasil a deixar de ser importador para ser um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas. Em 2019, o agro exportou US$ 96 bilhões.

O fato é que, ao contrário do que vem sendo mal propagado, o Brasil é um dos países que menos usam defensivos por área. Não obstante, estamos entre os maiores produtores agrícolas do planeta.

Outra boa notícia é que os defensivos agrícolas estão ganhando a batalha contra as pragas e plantas daninhas.

Por isso, fique à vontade para consumir alimentos agrícolas produzidos no Brasil. Com a ajuda dos produtores, técnicos, insumos, distribuição, agroindústria, logística e varejo, a agricultura está fazendo a sua parte.

Novo vídeo do Sindiveg trata dos benefícios dos defensivos agrícolas para a produção de alimentos.


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