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Como usar ChatGPT sem cair no plágio: o que muda na educação com uso da IA

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ChatGPT já está na rotina de 70% dos alunos brasileiros: mas, afinal, o que separa a ajuda para otimizar os estudos do plágio?

O plágio sempre foi um tema sensível no universo educacional, especialmente no ambiente acadêmico. Atualmente, diversas ferramentas passaram a ser utilizadas para identificar cópias indevidas e trechos não autorais em trabalhos escolares. Com o avanço acelerado da inteligência artificial, esse debate ganhou novas camadas. Plataformas de IA generativa, como o ChatGPT, passaram a fazer parte da rotina de estudo de muitos alunos, levantando questionamentos sobre ética, autoria e limites no processo de aprendizagem.

Para se ter uma ideia, segundo dados da TIC Educação, 7 a cada 10 alunos já utilizam IA Generativa para pesquisas escolares. Em muitos casos, isso significa que atividades que antes exigiam horas de leitura, organização de ideias e escrita agora podem ser concluídas em poucos minutos, ampliando o acesso ao conhecimento, mas também criando novos desafios relacionados à responsabilidade intelectual e à autoria. A questão que se coloca é: recorrer à inteligência artificial significa, necessariamente, cometer plágio, ou é possível utilizar esses recursos de forma consciente e produtiva?

Segundo Michel Arthaud, sócio e professor de Química da Plataforma Professor Ferretto, a resposta passa menos pela tecnologia em si e mais pela forma como ela é utilizada. “Essas ferramentas devem ser aliadas do aprendizado, ajudando o aluno a compreender melhor os conteúdos e a otimizar seus estudos, e não atalhos para transformar o trabalho acadêmico em simples ‘copia e cola’”, afirma o docente.

A discussão vai além do uso prático das ferramentas e envolve a própria compreensão de como as pessoas aprendem. Para Conrado Schlochauer, especialista em aprendizagem contínua e autor best-seller, não existem soluções mágicas quando o assunto é desenvolvimento cognitivo. “O que realmente impulsiona o aprendizado é a combinação certa de estímulos, métodos e experiências. Seu cérebro evolui quando é desafiado, quando coloca em prática o que aprende e quando recebe feedback”, explica.

Sob essa perspectiva, o professor Michel destaca que a inteligência artificial tem potencial para personalizar o aprendizado em uma escala inédita. “Com base no desempenho do aluno, é possível ajustar ritmo, conteúdos e até a forma de apresentação do material. Mas é preciso cautela: ainda estamos aprendendo a equilibrar o uso da tecnologia com a presença e o olhar humano, que continuam sendo insubstituíveis. A IA deve ser um assistente, jamais pensar ou ‘estudar’ pelo aluno”, ressalta.

Nesse contexto, o professor aponta caminhos para o uso responsável da IA nos estudos:

Use a IA para revisar e esclarecer, não para entregar conteúdo pronto

Um bom uso da tecnologia é pedir explicações alternativas para conceitos que não ficaram claros em aula, adaptando a linguagem ao nível do estudante.

“Isso ajuda o aluno a enxergar o conteúdo sob outra perspectiva e a consolidar o aprendizado”, explica Michel.

Peça apoio para estruturar o pensamento

Em momentos de bloqueio ao escrever uma redação ou desenvolver uma análise crítica, a IA pode sugerir estruturas ou perguntas provocativas.

“É diferente de pedir que a ferramenta escreva o texto inteiro. O aluno continua exercitando o raciocínio e construindo seus próprios argumentos”, pontua.

Tire proveito da IA como simuladora de debates

Outra prática é pedir que a ferramenta assuma um ponto de vista contrário ao defendido pelo estudante.

“Isso obriga o aluno a formular contra-argumentos e fortalece o pensamento crítico”, sugere o professor.

Utilize para revisar e aprimorar o texto final

Após concluir um trabalho, a IA pode auxiliar na revisão gramatical, na clareza e na coerência do texto.

“Esse processo ajuda o aluno a desenvolver um olhar mais crítico sobre aquilo que produziu”, afirma o docente.

Conrado chama atenção para o papel do repertório que orienta o uso da inteligência artificial e para os riscos de reproduzir crenças equivocadas no processo de aprendizagem. “A inteligência artificial não corrige mitos por conta própria. Ela replica aquilo que encontra. Quando guiada pela ciência, é uma aliada; quando guiada por neuromitos, se torna parte do problema”, destaca.

“Quando o estudante deixa a IA pensar por ele, perde a oportunidade de desenvolver habilidades essenciais como análise, síntese e argumentação. O ideal é usá-la como uma ferramenta que provoca reflexão e aprendizado, e não como alguém que entrega tudo pronto”, conclui Michel.

Sobre Conrado Schlochauer- É especialista em aprendizagem contínua, pesquisador, consultor e fundador da nōvi – a lifewide learning company. Mestre em Criatividade pela PUC-SP e doutor em Aprendizagem de Adultos pelo Instituto de Psicologia da USP, dedica-se há três décadas a repensar os modelos tradicionais de educação corporativa, promovendo novas formas de aprender e ensinar nas organizações e fortalecendo culturas de aprendizagem mais vivas, eficientes e inovadoras. É casado e pai de três adolescentes, que também o inspiram a observar, na prática, os caminhos da aprendizagem humana. Em 2021, publicou o best-seller Lifelong Learners: o poder do aprendizado contínuo, e em 2025, seu segundo livro Aprendizado Incidental- o poder do lifewide learning.


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