Brasil,

Cidades necessitam de Soluções Baseadas na Natureza para mitigação e adaptação climática

Investimentos em infraestrutura verde podem criar resiliência dos centros urbanos a eventos climáticos extremos, como tempestades, escassez hídrica, ilhas de calor e aumento do nível do mar

A adoção de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) é um dos grandes temas da 26ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que termina nesta sexta-feira (12/11), em Glasgow, na Escócia. Especialistas apontam que, além dos compromissos assumidos por líderes mundiais para reduzir o desmatamento e substituir a matriz energética para frear as emissões de gases de efeito estufa (GEE), o investimento em projetos de intervenção urbana baseados em ecossistemas saudáveis é fundamental para a adaptação e mitigação às mudanças do clima. Conforme apontou o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC, da sigla em inglês), divulgado em agosto, mesmo com uma eventual redução das emissões, fenômenos como tempestades, secas, altas temperaturas e o aumento do nível do mar devem ser mais frequentes nos próximos anos.

André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, que participa de sua 16ª COP, em Glasgow, observa um avanço nas discussões sobre SBN, mas ressalta que é necessário qualificar a formulação de políticas públicas e ampliar a destinação de recursos financeiros para desenvolver tecnologias que realmente reconheçam a natureza como solução para os desafios das cidades. "Precisamos de mais investimento de governos e empresas de todo o mundo para tornar as cidades mais resilientes às mudanças do clima. As Soluções Baseadas na Natureza podem contribuir para a mitigação dos impactos dos fenômenos naturais extremos, gerando mais segurança e qualidade de vida para as pessoas", destaca Ferretti, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).

Em um dos painéis da COP26, o especialista apresentou o movimento Viva Água, idealizado pela Fundação Grupo Boticário para sensibilizar e mobilizar empresas e organizações da sociedade civil com o objetivo de aumentar a resiliência às mudanças climáticas e garantir a segurança hídrica na bacia hidrográfica do Rio Miringuava, que beneficia cerca de 600 mil pessoas, além de empresas e agricultores da Região Metropolitana de Curitiba. O movimento criado em 2019 possui um plano de melhoria da infraestrutura natural e alavancagem de negócios com impacto socioambiental positivo na região do Miringuava.

Para Cecília Herzog, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), grandes cidades devem considerar a infraestrutura verde como alternativa viável, econômica e sustentável. “As mudanças climáticas estão agravando os impactos da urbanização na saúde e qualidade de vida das pessoas. Na maior parte dos municípios, o desenvolvimento urbano impermeabilizou o solo, eliminando funções ecológicas, comprometendo a biodiversidade e os processos e fluxos naturais da paisagem. Desta forma, a população está cada vez mais exposta às consequências de tempestades, secas e altas temperaturas, entre outras situações que causam inúmeros problemas sociais e de saúde pública”, explica Cecília, também membro da RECN.

A especialista salienta que SBN contribuem para a remoção e sumidouro dos gases de efeito estufa e podem gerar qualidade de vida nas áreas urbanas, onde vivem cerca de 85% da população brasileira, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Cecília destaca que jardins de chuva, telhados verdes, biovaletas, hortas urbanas, fazendas verticais e parques alagáveis são exemplos dessas soluções. Grandes e médias cidades brasileiras já adotaram algumas destas medidas, que também são cada vez mais utilizadas no mundo todo.

“Na China, por exemplo, já existem mais de 30 cidades-esponja, que são planejadas com a combinação de diferentes tipologias de SBN para tornar o solo permeável e absorver os grandes fluxos de água”, frisa Cecília. “É interessante frisar que, em períodos de seca, as soluções verdes também contribuem para tornar os ambientes mais úmidos por meio da evapotranspiração da vegetação. Além disso, áreas naturais podem ser utilizadas como espaços de lazer e bem-estar, contribuindo com a saúde da população”, completa.

Outro exemplo do uso da natureza para mitigar efeitos do aquecimento global é a recuperação de manguezais e restingas, que além do grande potencial para sequestrar carbono, diminuem a força das ondas e dos ventos vindos do mar, protegendo as regiões costeiras. Estudos indicam que áreas com manguezal são capazes de fixar até 10 vezes mais carbono que uma floresta tropical.

Na visão de Ferretti, é muito importante que sejam aprofundadas as pesquisas e estudos sobre os benefícios gerados pelas SBN nas cidades. “Com base em mais dados e indicadores, tanto o setor público como a iniciativa privada poderão investir mais recursos em projetos inovadores nessa área, que também podem impulsionar uma retomada verde da economia”, destaca o gerente da Fundação Grupo Boticário.

E-book sobre SBN

Para saber mais sobre como as Soluções Baseadas na Natureza são importantes para que as cidades se preparem para os desafios das mudanças climáticas, a Fundação Grupo Boticário disponibiliza gratuitamente o e-book “Cidades Baseadas na Natureza - infraestrutura natural para resiliência urbana”. O material traz exemplos de diferentes metrópoles que adotaram com sucesso a infraestrutura verde para solucionar problemas urbanos, tanto no Brasil quanto em outros países. Baixe aqui.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou cerca de 1.600 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.


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