Brasil,

Aberje e Memória da Eletricidade lançam pesquisa inédita sobre a história empresarial nas organizações

Para 83% das empresas participantes do levantamento, o programa de memória empresarial é uma importante ferramenta de comunicação

Uma pesquisa inédita conduzida pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) em parceria com a Memória da Eletricidade fez um amplo mapeamento das lembranças institucionais nas empresas do país. O levantamento aponta uma correlação entre o tempo de atividade da organização e existência ou não de projetos de memória empresarial. De acordo com a análise, apenas 18% dessas corporações contam com programas formais do gênero, dos quais 50% delas têm trabalhado neste sentido há mais de 15 anos e 40% entre seis e 15 anos.

A pesquisa "A História e a Memória Empresarial nas Organizações no Brasil" foi apresentada durante a live transmitida no canal da Aberje no Youtube, no dia 7 de setembro. Participaram do encontro os diretores da Aberje, Paulo Nassar e Hamilton dos Santos, além do coordenador da pesquisa e consultor responsável pelo Núcleo de Pesquisa da associação, Carlos Ramello. O evento online foi mediado pela professora da ECO-UFRJ Ana Paula Goulart e contou com a participação do presidente do Centro da Memória da Eletricidade, Augusto Rodrigues, a diretora da Expomus, Maria Ignez Mantovani Franco e a diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Compliance da Amaggi, Juliana Lopes.

"O que essas empresas com programas estruturados, que passaram por inúmeros processos de reestruturação produtiva têm, nessa visão de história, em relação a novas funcionalidades?", questionou o diretor-presidente da Aberje, Paulo Nassar, na live. Ele explicou que essas ‘novas funcionalidades’ referem-se a processos de gestão do conhecimento, além da questão do compliance e a prestação de contas, feita não apenas ao acionista, mas também para públicos locais e globais.

Para a mediadora da live, Ana Paula Goulart, esses números apontados pela pesquisa parecem indicar que as empresas nacionais e com maior tradição tendem a valorizar mais seu passado e história. "Se é isso, como podemos pensar o valor e o papel da memória numa empresa mais jovem?", provocou na ocasião.

A pesquisa contou com a participação de 117 empresas, das quais 76% eram nacionais e multinacionais privadas, atuantes em 32 setores da economia, em especial da área de Energia (16% do total). Desse universo de corporações, 62% estão localizadas em São Paulo, com representantes de 12 estados mais Distrito Federal.

Além disso, 57% possuem mais de dois mil funcionários, 55% têm origem de capital no Brasil e 52% delas existem, no mínimo, há 50 anos. O estudo é uma segunda edição revisada e ampliada da pesquisa conduzida por Paulo Nassar, em 2005.

Outros pontos da pesquisa

Quanto aos objetivos e ações apontados na pesquisa, como em relação à justificativa do negócio para estruturação da memória institucional foram elencados alguns itens: a preservação da identidade corporativa e da coerência institucional (48%); trabalhar a memória como agente catalisador no apoio aos negócios e elemento de coesão entre responsabilidade social e histórica (43%); estímulo ao sentimento de pertencimento dos colaboradores (38%) e transformação da experiência acumulada ao longo da história da organização em conhecimento histórico disponível à sociedade.

A geração de memória também está conectada com a transformação familiar para uma transformação profissional e mostra a evolução de uma organização. Juliana Lopes, que trabalha na Amaggi há 15 anos, conta que o centro de memória da companhia foi formalizado dentro de uma estrutura de memória há cerca de oito anos. "Isso serve para o colaborador poder se conectar com a história da empresa e com o seu processo de transformação. De alguma forma, os desafios do futuro fazem conexão com o passado; pois os valores de uma empresa estão muito calcados em sua própria história e na história de seus fundadores."

Instrumento de marketing

Outro dado interessante levantado pela pesquisa é que 83% das empresas participantes afirmam acreditar que a memória empresarial é uma ferramenta de marketing e de comunicação da organização. As empresas estão dando mais atenção ao tema da marca, da reputação, da imagem, do branding e aí a história organizacional aparece como uma questão absolutamente vital", salientou o presidente do Centro da Memória da Eletricidade, Augusto Rodrigues, na live.

Há 40 anos no mercado, a museóloga Maria Ignez Mantovani ressaltou que, além da iniciativa privada, as instituições públicas se mostram fortemente preocupadas com a memória de suas instituições. "O poder público também quer se justificar, também quer se alocar socialmente de uma outra forma. Na medida em que a nossa sociedade é invadida por fake news, por uma rede de informações mal cruzadas e não temos um discernimento automático e claro do que é verdade e do que não é, esses fatores com esteio histórico e passíveis de credibilidade passam a ter um papel significativo para a sociedade também."

Modelos de gestão

A pesquisa revelou também que, das empresas que não possuem uma área formal para o desenvolvimento da memória empresarial, o setor de Comunicação é responsável por sua gestão e disseminação. Do contingente de companhias pesquisadas, 71% delas estão nessa situação. Em relação ao nível hierárquico da área na estrutura organizacional, 33% dos consultados afirmaram que o assunto fica a cargo da gerência.

Dessas estruturas, quase metade trabalha com sua própria equipe. Ou seja, 44% delas estimulam seus grupos de trabalho a participar de seminários e eventos acadêmicos sobre memória, história oral ou outros temas correlatos. Outros 35% atuam com equipe interna e externa e 15% apenas com fornecedores. Os 50% desses últimos optam por agências especializadas em memória empresarial.

Origem dos materiais e recursos

Quanto à origem dos materiais coletados, 66% vem dos acervos institucionais, 31% de acervos pessoais e 3% de outras fontes. São fotografias, documentos, depoimentos, publicações e vídeos (100%). Medalhas, troféus e objetos antigos representam 95%. Entre os principais produtos/ações desenvolvidas no âmbito desse programa estão exposições (79%), site institucional (63%), livros e vídeos (58%), eventos (42%) e museus fixos/itinerantes (32%), além de intranet, sites, revistas e redes sociais.

Em relação aos recursos necessários para montar um centro de memória empresarial, 94% das empresas informam que o orçamento vem de dotação da própria empresa, 11% conta com verba governamental, 6% vem por meio de cobranças por serviços prestados e 61% das empresas preferiram não informar o valor anual de investimento nesse tipo de programa. Dos que informaram, o valor médio gira em torno de R$ 240 mil por ano. Entre as principais barreiras ou desafios da área de memória empresarial estão a falta de recursos tecnológicos, financeiros ou de espaço (28%) e a falta de recursos humanos (33%).

Assista à live na íntegra neste link.

Sobre a Aberje - A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial é uma organização profissional e científica sem fins lucrativos e apartidária. Tem como principal objetivo fortalecer o papel da comunicação nas empresas e instituições, oferecer formação e desenvolvimento de carreira aos profissionais da área, além de produzir e disseminar conhecimentos em comunicação. A atuação da Aberje ultrapassa os limites do território brasileiro com participações ou presença nos boards de instituições internacionais como a Fundacom, Global Alliance for PR and Communication Management e Arthur W. Page Society, posicionando-se como um think tank da Comunicação Empresarial Brasileira.


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