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Você precisa mesmo de uma garagem?

Na cidade de São Paulo, por exemplo, novas unidades residenciais já são lançadas sem obrigatoriedade de vagas de garagem - Divulgação Na cidade de São Paulo, por exemplo, novas unidades residenciais já são lançadas sem obrigatoriedade de vagas de garagem - Divulgação

Crescente desinteresse das novas gerações por dirigir, a facilidade de novos modais de transporte urbano e a organização mais adensada das cidades já estão influenciando a configuração de imóveis. Urbanista defende que novo Plano Diretor de Goiânia desobrigue que todo apartamento tenha de ter garagem

Dados do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran - mostram que as emissões de Carteira Nacional de Habilitação (CNHs), para condutores na faixa dos 18 a 21 anos, caíram mais de 20% em três anos, passando de 1,2 milhão para 939 mil habilitações entre 2014 a 2017. Outro levantamento, feito pelo Ibope em 2019, aponta que apenas 27% dos homens e mulheres brasileiros com idades até 25 anos têm CNH. Outra pesquisa, também de 2019 e feita pela consultoria empresarial Deloitte, revela que 56% dos jovens brasileiros das gerações Y e Z consideram “dispensável” possuir um automóvel no futuro.

Essa mudança de comportamento dos jovens e mesmo de pessoas de outras faixas etárias, que já usam bem menos o carro do que antes, irá afetar, num futuro bem próximo, os novos empreendimentos residenciais e já atinge planos diretores de algumas cidades. Um dos reflexos dessa alteração de hábitos é a não obrigatoriedade de se ter uma vaga de garagem para quem comprar um apartamento.

De acordo com o arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, consultor de ordenamento territorial do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico do Centro-Oeste (ITCO), cidades como São Paulo já tratam do tema na revisão de seu Plano Diretor. “Os planos diretores de cidades modernas, tanto no Brasil como no mundo, estão desincentivando a obrigatoriedade de se ter imóveis novos com garagens. Óbvio que não se está obrigando as pessoas a não terem carros, mas com alternativas que se têm hoje, a pessoa poderá perfeitamente comprar um imóvel sem garagem. E isso impactará num imóvel bem mais barato e numa redução de impacto ao meio ambiente, já que não será preciso escavar um subsolo para estacionamento, com risco, inclusive, de atingir o lençol freático. Ou então subir um enorme paredão para construir dois ou três pavimentos de garagens, sendo que muitas não serão usadas”, argumenta o arquiteto e urbanista. Em Goiânia, o tema integrou a pauta de discussões na atualização do Plano Diretor na Câmara Municipal em 2020, e deve voltar ao debate na reformulação da lei de uso do solo.

De acordo com o urbanista, pelo Plano Diretor em vigor em Goiânia, ao se comprar um apartamento novo hoje você é obrigado a ter uma vaga de garagem, e dependendo do tamanho, terá que comprar duas ou três vagas. “Claro, que dependendo do tamanho do apartamento, você tem uma família maior e que poderá precisar de um ou mais carros. Mas uma pessoa ou um casal que mora em um apartamento pequeno de um ou dois quartos, talvez não vejam necessidade de ter um carro e, portanto, poderiam ter a opção de comprar um apartamento mais barato, ou seja, um imóvel sem vaga de garagem”, diz.

Para se ter ideia de como essa tendência é real nos grandes centros urbanos, dados do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) indicam que, das 37,1 mil unidades lançadas em 2018, 15,1 mil eram sem vaga de garagem (40,9%).

Mudança de comportamento

Mas de onde vem esse desinteresse das novas gerações em possuir um automóvel para sua locomoção, algo que para seus pais e avós sempre foi um importante sonho de consumo? Para o arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, o avanço de novos modais de transporte nas cidades e de uma nova organização do espaço urbano são fatores que influenciam na mudança de comportamento.

Segundo ele, gerações Y e Z se adaptaram muito bem a ferramentas como os aplicativos de transporte, uso da bike como meio de locomoção individual, ou então veículos elétricos leves (como scooters e patinetes elétricas) ou até mesmo transportes de massa mais eficientes como metrô, BRT e VLT. “Hoje em dia você pode, a um toque do celular, pedir um carro que irá te levar na hora que quiser e para onde quiser. Então essa nova geração já pensa: por que investir seu dinheiro suado num carro, em que terá que pagar todo ano licenciamento, IPVA, seguro, manutenção? Para eles, isso não faz sentido, pois eles querem mais praticidade. Aliás, não precisa nem ter uma bicicleta ou patinete pois por um outro aplicativo você aluga um veículo destes na esquina da sua casa e se locomove em curtas e médias distâncias”, afirma o arquiteto.

Paulo Renato destaca também que os jovens das gerações Y e Z têm uma série de conceitos de vida completamente diferentes dos que têm, por exemplo, os da Geração X e os Baby Boomer. “Eles prezam o meio ambiente, então na cabeça deles a emissão de CO2 pelos carros, por exemplo, já é algo proibitivo, então aí já vem o primeiro desinteresse. Eles também têm um senso de desapego muito grande dos bens materiais, como carros, jóias, casas. Eles não querem ‘o ter’, querem viver! Portanto, não querem acumular patrimônio, mas acumular experiências de vida. É a geração que prefere um seguidor do que um motor”, completa.

Cidade de 15 minutos

O urbanista também lembra que essas novas gerações já convivem com uma nova forma de organização dos espaços urbanos, onde se abandonou aquele modelo antigo de um único centro grande, onde se tinha o comércio, depois vinham os bairros do entorno e as periferias. “A criação de múltiplas centralidades ajuda nessa redução do uso de carros como transporte individual. Hoje cada bairro ou microrregião acaba desenvolvendo uma centralidade da cidade. Assim, as pessoas, além de tudo do comércio essencial, têm perto da suas casas academias, serviços de saúde, escolas públicas e particulares, opções de lazer, e até o trabalho próximo à residência”, explica.

Paulo Renato acrescenta que em alguns lugares no mundo afora já se adota o conceito de “Cidade de 15 minutos”, onde a organização do espaço urbano é feita de forma que os moradores consigam fazer praticamente tudo à uma caminhada de no máximo 15 minutos. “Embora esse conceito de cidade de 15 minutos possa parecer uma utopia distante, já há muitos gestores públicos ao redor do mundo, que estão dando uma nova identidade aos núcleos urbanos de seus municípios, a partir de um melhor planejamento, descentralização de serviços, bens, e novas leis de zoneamento, que retiram os carros das ruas e abrem espaço para os pedestres e ciclistas. Paris é uma capital que está liderando tal estratégia. Lá, a proposta é incentivar o desenvolvimento de comunidades autossuficientes, reduzindo a poluição e criando áreas diversas social e economicamente”, revela o urbanista.

Para se ter ideia de como essa tendência já se espalha, o Plano Diretor de Goiânia que está em discussão na Câmara Municipal favorece a fachada ativa, que são espaços de comércio inseridos nas fachadas dos novos empreendimentos residenciais, como pequenas galerias de lojas ou malls, que podem abrigar padarias, farmácias, salões de beleza ou pet shops. “Pelo novo Plano Diretor as incorporadoras e construtoras não precisam pagar outorga onerosa sobre essas áreas. Isso é uma forma de fortalecer e incentivar o comércio nesta microrregião”, arremata Paulo Renato.


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