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Setembro Amarelo: quando o motociclismo salva vidas

Foto da motociclista Eliana Malízia Foto da motociclista Eliana Malízia

Em relato, motociclista revela que quase se suicidou, mas “moto salvou sua vida”

Márcia* tem pós-graduação, certificações internacionais e uma vista invejável em sua casa reformada. Márcia, porém, passou por uma dificuldade financeira em que teve de decidir se com os R$ 20 que tinha ela voltava para casa ou comprava algo para comer. Uma depressão a fez pensar em tirar a própria vida, mas pilotar a ajudou a passar por isso.

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria realiza a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Inspirada pela ação, a piloto de teste Eliana Malizia decidiu compartilhar a história de Márcia, uma amiga com quem divide a paixão pelas duas rodas.

“O suicídio não acontece do nada, ele vem de uma depressão e, muitas vezes, está na falta de um sentido e de um prazer na vida da pessoa. Eu, como motociclista nata, já vi muitos amigos saírem da depressão depois de começarem a viajar de moto. O mototurismo é apaixonante, a conexão com a natureza, a adrenalina e a sensação de liberdade e autoconfiança que ganhamos durante as viagens são inexplicáveis”, explicou Eliana, que realiza viagens sozinha de moto dando dicas para motoviajantes.

“Único momento em que não tinha vontade de morrer era quando subia na moto”

“E de repente me vi sozinha, resolvendo problemas, pagando contas, trabalho não cobria as despesas... Veio então o sentimento de fracasso. Como alguém com vários diplomas entre pós graduação e certificações internacionais poderia estar passando por: ‘tenho 20 reais, coloco gasolina para chegar em casa ou compro algo para comer?’

Nas redes sociais, fotos que retratavam uma vida livre de qualquer sofrimento. Uma vista invejável pela minha janela, mas que eu abominava, pois foi a reforma desse imóvel que me colocara naquela situação.

Eu me isolei. Vergonha por não saber lidar com minhas finanças.

Ao perceber que o mundo seguia e nem percebia que eu deixara de caminhar com ele, decidi que ninguém precisaria de mim e minha ausência não seria notada.

Nesse momento decidi dar cabo da minha vida. E foi quase!

Por sorte, meu anjo estava de plantão e telefonei para uma amiga. Talvez a gratidão por Deus ter me presenteado com a vida e na igreja ter aprendido que é um grande pecado nos desfazermos desse presente.

Foi então que me dei conta de que todos seguiam, sim, comigo. Acreditavam que estava tudo bem pois era o que eu demonstrava: a mulher alto astral, sempre levando otimismo e alegria por onde passasse.

A partir daí resolvi buscar conhecimento juntamente com a sabedoria espiritual. Busquei também ajuda de psicóloga, que foi fundamental. Além de profissional qualificada, se tornou como uma amiga que não julga.

Em meio a essa tristeza enorme, descobri que o único momento em que eu não tinha vontade de morrer era quando eu subia na moto.

Na medida do possível, passei a me dedicar mais ao mundo duas rodas. Despi-me de toda a vergonha e orgulho e fui pedir ajuda dentro desse universo fabuloso!

Passei a pilotar mais e, reabastecida, fui aprendendo o que é esse sentimento terrível de querer se matar. A moto salvou minha vida!

Descobri que não é querer acabar com a vida propriamente e, sim, acabar com tudo que está trazendo angústia para ela. Entendi, então, que muitas pessoas que me fizeram mal é que tinham problemas sérios, não eu. Entendi que precisava filtrar mais pois havia maldade, sim, mesmo que eu não tivesse. Que as pessoas agem por elas e não pelo que ofereço.

O mais importante foi ter encontrado no motociclismo a minha vontade de evoluir. Foi ver que eu servia de inspiração para muitas pessoas e me senti na responsabilidade e grande vontade de poder ajudá-las!!!

Ao descobrir e realmente entender (levou anos) que eu sou a única responsável pela minha prosperidade (entendam aqui como felicidade), passei a superar meus desafios (me recuso a falar problemas) de uma melhor forma. Hoje já não me envergonho de pedir colo para repousar um pouco enquanto busco soluções para algo que me perturba.

Na moto fui aprendendo que sou capaz de muito, algo que eu não imaginava. Passei a conviver com pessoas que me ensinavam, acreditavam no meu potencial e me faziam ver e vivenciar isso. Fui me afastando de quem, mesmo me amando, me podava e me fazia acreditar que eu estava indo além das minhas capacidades. Então, o mundo das duas rodas me trouxe a autoconfiança, a independência e o amor próprio . Em cima da moto eu traço o meu caminho, determino a minha velocidade e a forma como pilotarei minha vida!!!!

Ah, e mesmo estando bem, eu sigo com terapia.” - Relato de Márcia.

Moto não cura, mas ajuda pessoas a se encontrarem

A piloto de teste Eliana acredita que é triste ver tanta notícia focando apenas em acidentes de motos quando também existe esse outro lado do motociclismo.

“Posso afirmar que motos salvam vidas, muitas vidas. Salvam pessoas de depressão, de pensamentos negativos, salvam pessoas do estresse, aliviam dos compromissos do dia dia. Fazer uma viagem de fim de semana ou apenas um simples bate e volta recarrega bateria pra toda semana, inclusive melhora o rendimento no trabalho, o astral e o bom humor.”

A psicóloga e neuropsicóloga Amably Monari, mestre pela USP (Universidade de São Paulo) que também é motociclista, explica como a moto pode ajudar em casos de depressão.

“Ter em comum a paixão pelas duas rodas nos transforma em um grupo com características específicas, fazendo com que nos sintamos parte de algo maior que nós mesmos, ou seja, dando um sentido para nossa vida. Além do que, quando fazemos algo que nos dá prazer, nosso cérebro produzir hormônios do prazer, enviando uma mensagem de que aquilo deve ser repetido porque é muito bom. Então pilotamos, pilotamos.... Outro fator importante é que o mundo duas rodas não cura nossa saúde mental, mas proporciona espaços onde podemos explorar nossas inúmeras formas de de ser no mundo.”

A especialista alerta que, por mais que possamos fazer coisas prazerosas e que ajudam nossa saúde mental, são inúmeros os fatores que influenciam na melhora de uma pessoa com depressão.

É preciso, então, procurar ajuda profissional qualificada que não patologize ou medicalize antes de compreender a dinâmica relacional, histórica de vida. É necessário ainda buscar uma alimentação saudável, praticar atividade física e encontrar uma rede de apoio em amigos e/ou família.

“O motociclismo, a meu ver, inclusive para minha própria saúde mental, é essa rede de apoio. É também meu momento de meditação, de desligar da vida caótica. Ou seja, nossa conexão com nossa moto torna-se um vínculo de espaço com nós mesmos, porém não invalida a busca por profissionais qualificados”, completa Amably.

*Márcia é um nome fictício

Eliana Malizia é piloto de teste e reporta suas aventuras nas redes sociais.


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