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Número de óbitos de motociclistas cresce em São Paulo com a pandemia: saiba como se proteger ao realizar entregas

Fotos de Eliana Malizia - acelerada.com.br Fotos de Eliana Malizia - acelerada.com.br

Piloto Eliana Malizia, influenciadora em pilotagem segura, explica como quem teve de subir em uma moto para fazer entregas após perder a renda pode se proteger no trânsito

A necessidade da quarentena em decorrência da crise da covid-19 fez com que o número de pedidos nos aplicativos de entrega aumentasse. Ao mesmo tempo, trabalhadores perderam emprego e renda. A solução encontrada por muitos foi subir em uma moto e se virar como entregador para conseguir pagar as contas no final do mês.

Infelizmente, o aumento de entregadores não refletiu apenas no número de entregas, mas também nos casos de óbito de motociclistas em São Paulo. Dados do Infosiga, sistema de informações de acidentes de trânsito do governo estadual, mostram que 96 motociclistas perderam a vida na capital nos primeiros meses de quarentena, ante 67 casos no mesmo período de março a maio do ano passado.

Em julho, chegamos à marca de 131 óbitos. Como alerta a piloto Eliana Malizia, entre os motivos para isso estão a falta de equipamentos de segurança e de experiência desses motociclistas que foram às ruas fazer entregas.

“Seria muito interessante se as empresas que contratam os serviços de motofretistas e motoentregadores oferecessem treinamento de pilotagem segura, já que na auto escola apenas se aprende o básico”, explica a motociclista.

“As empresas também deveriam analisar a qualidade dos equipamentos de proteção ou até mesmo oferecer os mesmos, de qualidade, já que nem todos são”, completa Eliana, que também é influenciadora em pilotagem segura.

Vantagens dos apps de entrega

A personal trainer Louise Michelle se viu sem alunos com a chegada da pandemia e a recomendação de distanciamento social. A saída que encontrou foi pegar a moto que estava em sua garagem para fazer entregas.

“É fácil? Não, porque tem dia que o aplicativo não toca bem, dia em que está chovendo, que está frio ou você não está bem, porém é melhor que ficar sem renda, em casa, com as contas chegando e você precisando pagar de alguma forma.”

Já Adalgisa de Souza e Sandra Cavalheiro perderam o emprego com a crise econômica em decorrência do vírus.

Adalgisa já fazia entregas aos finais de semana e, agora, passou a fazer também de segunda a sexta. Sandra entrou na área após perder o emprego e vê, como lado positivo, a flexibilidade de horário para trabalhar e o fato de não ter chefe.

A motociclista, porém, concorda que a chuva dificulta as entregas. E alerta que “o trânsito de São Paulo já voltou a ser um inferno”.

Risco à vida é o maior problema

Alexandre Gonçalves trabalha normalmente com transporte executivo. Como ele mesmo explica, mais de 90% dos clientes vêm do exterior, por isso, ele se viu sem renda com a pandemia.

“Vendi uma das motos que tinha e comprei uma mais simples. Passei a trabalhar na rua diariamente, mas não quero fazer mais isso por conta do risco. Mesmo com os equipamentos de segurança, a gente toma susto todos os dias. É muito risco para pouca coisa.”

Monica Licciardi é outra trabalhadora que ficou desempregada e passou a fazer entregas para pagar as contas, mas, assim como Alexandre, ela afirma que, na primeira oportunidade que tiver de se recolocar no mercado, larga as entregas.

“Não saio de casa sem os equipamentos de segurança. Tenho uma filha em casa, preciso voltar inteira. É muito perigoso.”

Como evitar acidentes

Por mais riscos que as entregas ofereçam, elas ainda são fonte de renda de milhares de pessoas. Sendo assim, Eliana Malizia dá dicas básicas de como se proteger no trânsito:

- Escolha o capacete do tamanho correto, de preferência de qualidade, muitas vezes o muito barato sai caro. O tamanho certo é aquele capacete que não fica nem muito apertado e nem largo, ele tem de estar firme na cabeça. A fivela tem de estar fechada e justa no queixo. Numa queda, o capacete mal fechado ou largo é o primeiro a voar da cabeça.

- Existem protetores de coluna que você pode colocar debaixo da jaqueta ou você pode comprar uma jaqueta que já tem todas as proteções para coluna, ombro e cotovelos. Existem as para inverno e para verão, que tem o tecido cheio de furinhos para ventilação.

- Calças (com proteção no joelho) e jaquetas de cordura são sempre as melhores opções, mas hoje existem também as de Kevlar, porém essas são um pouco mais caras e nem sempre acessíveis para todos.

- Bota sem cadarço é o recomendado, pra não correr o risco de desamarrar e entrar na roda enquanto pilota. Escolha uma apropriada para motociclistas, cano médio ou baixo, que proteja bem os tornozelos.

- Luvas, também indispensáveis, além de proteger em um acidente protege do sol. Existem as mais quentinhas e as para o verão.

- Importante que todo equipamento esteja muito confortável, você vai passar muito tempo com ele. Não esqueça da capa de chuva, escolha uma que seja fácil e rápido de colocar. E sempre pare em local seguro para a colocação.

- Existem vários cursos gratuitos de pilotagem preventiva. Pesquisem, leiam artigos e matérias de profissionais especializados.


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