Empresas adotam muitos projetos de IA e enfrentam falta de foco estratégico
Por Pedro Signorelli
Grande parte das discussões sobre inteligência artificial no universo das startups gira em torno do aumento de produtividade. A cada dia, surgem novas soluções com a promessa de acelerar processos, automatizar rotinas e abrir caminhos para novos produtos. De fato, nunca foi tão rápido validar ideias ou colocar funcionalidades no ar. O ponto de atenção é que, junto com essa agilidade, cresce também um fenômeno silencioso: a multiplicação de iniciativas sem um objetivo bem definido.
Antes, tirar um projeto do papel era um processo mais lento e criterioso, envolvia etapas bem definidas e algum nível de maturação. Hoje, esse caminho foi encurtado drasticamente. Em poucos dias, ideias ganham forma, soluções são conectadas e novas entregas chegam ao mercado quase instantaneamente. O esperado seria um ganho direto de eficiência estratégica. Mas o que tem acontecido em muitas empresas é bem diferente: a redução do esforço inicial acabou estimulando a abertura simultânea de múltiplas iniciativas, muitas vezes sem o devido critério.
Essa dinâmica rapidamente se reflete na operação. A lista de demandas cresce sem controle, o senso de prioridade se torna instável e os times passam a alternar atenção entre diferentes frentes. Individualmente, os projetos parecem fazer sentido, mas, no conjunto, não têm coerência. O resultado é um ambiente em que tudo compete por atenção ao mesmo tempo, e, justamente por isso, poucas coisas avançam com profundidade.
Esse cenário cria um novo desafio de gestão. A tecnologia acelerou a execução, mas não resolveu uma questão clássica: escolher o que não fazer. Porque estratégia, no fim das contas, é sobre abrir mão. E quanto maior o volume de ferramentas e possibilidades, mais difícil se torna manter esse filtro ativo.
Nas startups, esse efeito tende a ser ainda mais intenso. A experimentação é parte essencial da inovação, mas sem critérios claros, pode virar dispersão. Em vez de seguir um plano estruturado, as equipes passam a reagir ao que surge: uma ideia de produto, uma nova tecnologia, uma tendência de mercado — e, rapidamente, mais um projeto entra na fila.
Com o tempo, surge a sensação de muito esforço com pouco avanço estrutural. Novas funcionalidades são lançadas, testes são feitos, soluções inovadoras aparecem, mas os resultados mais consistentes demoram. Não é uma questão de capacidade ou empenho, e sim de excesso de movimento sem direção.
A inteligência artificial ampliou ainda mais essa dinâmica ao reduzir drasticamente o custo de experimentar. Isso é positivo, desde que venha acompanhado de mais rigor na priorização. Quanto mais fácil for começar algo novo, mais criteriosa precisa ser a decisão de continuar ou parar.
As empresas que conseguem transformar a IA em diferencial competitivo costumam ter algo em comum: clareza sobre o que realmente importa. Em vez de dispersar energia, concentram esforços em poucos objetivos estratégicos e utilizam a tecnologia para acelerar entregas específicas. Assim, a IA deixa de gerar volume e passa a gerar impacto.
No fim, o maior desafio não está na tecnologia, mas na gestão. A era da IA trouxe velocidade, acesso e possibilidades quase infinitas. Justamente por isso, a capacidade de manter o foco se tornou ainda mais valiosa porque, em um cenário onde tudo é possível, vencer não é sobre fazer mais, mas sobre escolher melhor o que merece ser feito.
Pedro Signorelli é um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas.
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