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Empresas brasileiras expandem operações nos EUA sem deixar o Mercosul

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Carolina Lara
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Mudanças no comércio internacional e tensões geopolíticas reacendem debate sobre o papel do bloco sul-americano na expansão de empresas brasileiras

Os países do Mercosul seguem entre os principais destinos das exportações brasileiras, especialmente de produtos industrializados. Dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem relevantes para empresas brasileiras. Ao mesmo tempo, cresce o movimento de estruturar operações nos Estados Unidos para ampliar acesso a mercado, capital e segurança jurídica.

Mesmo assim, discussões recentes sobre acordos comerciais, tensões geopolíticas e mudanças no cenário econômico global levantam uma dúvida entre empresários: o Mercosul ainda é a principal porta de entrada para a internacionalização ou os Estados Unidos passaram a ocupar esse papel.

Fernanda Spanner, consultora de negócios internacionais e CEO da Spanner Consulting Group, afirma que a discussão não deve ser tratada como uma escolha entre blocos econômicos, mas como uma decisão estratégica de posicionamento empresarial. “O Mercosul continua sendo um caminho natural para empresas brasileiras pela proximidade logística e cultural. Ao mesmo tempo, muitos empresários passaram a olhar para os Estados Unidos como base para estruturar operações e ampliar o alcance internacional do negócio”, afirma.

A especialista observa que, historicamente, a expansão internacional de empresas brasileiras começou pelos países vizinhos justamente por conta das facilidades tarifárias e comerciais do bloco. No entanto, parte desse movimento passou a considerar estruturas empresariais mais amplas, principalmente em momentos de instabilidade econômica ou de mudanças nas cadeias globais de produção.

“Uma empresa pode usar o Mercosul como mercado de distribuição regional e, ao mesmo tempo, manter uma estrutura empresarial em outro país para ampliar acesso a investidores, parceiros e clientes. É uma estratégia de diversificação que amplia a capacidade de crescimento e reduz a exposição a riscos locais”, explica.

Esse debate ganhou força também em razão das mudanças recentes no cenário geopolítico. Conflitos internacionais e tensões em regiões produtoras de energia aumentaram a volatilidade do preço do petróleo, o que impacta diretamente o custo de transporte e logística global.

Relatórios da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que oscilações no preço do barril influenciam cadeias produtivas inteiras, afetando desde fretes marítimos até o preço final de mercadorias. “Quando o petróleo sobe por causa de tensões internacionais, o efeito não fica restrito ao combustível. Ele aparece no frete marítimo, no transporte terrestre e no custo das cadeias produtivas. Isso pode reduzir margens das empresas e, inevitavelmente, chegar ao consumidor”, diz.

Empresas interessadas em explorar oportunidades no Mercosul ou em mercados como os Estados Unidos precisam estruturar a internacionalização com planejamento técnico. Parte relevante dos projetos enfrenta dificuldades por falhas na organização tributária, jurídica e operacional.

A especialista aponta cinco cuidados para empresas que querem expandir além do Brasil

Antes de iniciar esse processo, alguns cuidados são considerados essenciais.

Avaliar o mercado de destino
Nem sempre o país mais próximo é o mais estratégico. É necessário analisar demanda, concorrência, barreiras regulatórias e custos logísticos antes de iniciar exportações ou abrir operações no exterior.

Estruturar planejamento tributário internacional
Diferenças entre regimes fiscais podem alterar significativamente o custo de uma operação internacional. A definição da estrutura societária e do país de base pode influenciar diretamente a carga tributária do negócio.

Entender regras comerciais e regulatórias
Cada país possui exigências específicas de licenciamento, certificações e compliance. Ignorar essas regras pode impedir a entrada de produtos no mercado estrangeiro.

Organizar logística e cadeia de suprimentos
Custos de transporte e distribuição podem determinar a viabilidade da expansão internacional, principalmente em períodos de alta do petróleo ou de instabilidade nas rotas comerciais.

Buscar apoio especializado
Consultorias internacionais, contadores e advogados especializados em comércio exterior ajudam a estruturar a operação e evitar erros que podem gerar prejuízos ou problemas regulatórios.

Spanner afirma que a contratação de especialistas costuma ser uma etapa decisiva para reduzir riscos e aumentar a previsibilidade da operação. “Abrir empresa fora do Brasil ou estruturar exportação exige conhecimento técnico. Questões tributárias, societárias e regulatórias precisam ser analisadas antes de qualquer decisão. Muitos empresários iniciam esse processo sem suporte adequado e acabam enfrentando custos que poderiam ser evitados”, diz.

Mudanças no comércio internacional também impactam diretamente o bolso do consumidor. Oscilações no custo de transporte, variações cambiais ou alterações em rotas comerciais podem pressionar o preço de produtos importados e de insumos utilizados pela indústria brasileira.

Esse efeito tende a se espalhar por diferentes setores da economia. Quando o custo logístico aumenta, empresas muitas vezes precisam repassar parte desse impacto para o preço final de mercadorias e serviços.

Para a especialista, empresas brasileiras precisam combinar visão regional com estratégia global. O Mercosul segue relevante como porta de entrada para a internacionalização, especialmente para pequenas e médias empresas, mas a expansão internacional tende a se tornar cada vez mais sofisticada.

“Internacionalizar não significa apenas vender para outro país. Significa estruturar o negócio para competir globalmente, proteger patrimônio e aproveitar oportunidades em diferentes mercados”, conclui.

Sobre Fernanda Spanner

Fernanda Spanner é CEO da Spanner Consulting Group, referência em contabilidade, planejamento tributário e estratégias fiscais. International Business Advisor com mais de 20 anos de experiência, possui cinco escritórios nos Estados Unidos, em Nova York, New Jersey, Flórida, South Carolina e Massachusetts. É Enrolled Agent licenciada pelo IRS, credencial mais alta concedida pela Receita Federal americana, o que lhe permite atuar em âmbito federal nos 50 estados.

Para saber mais, acesse o instagram, linkedin ou pelo site https://www.fspanner.com/

Fontes de pesquisa

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – ComexStat
Agência Internacional de Energia (International Energy Agency – IEA)
U.S. Energy Information Administration (EIA)
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD)
UNCTAD – Review of Maritime Transport


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