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Saúde mental e endividamento redefinem prioridades das empresas no ambiente de trabalho

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Barbara Anselmo
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Debates, durante o CONARH Saúde, reuniram executivos e especialistas e indicam mudança estrutural na gestão da saúde corporativa no País

O avanço dos transtornos mentais, o impacto do endividamento na vida dos trabalhadores e o aumento acelerado dos custos assistenciais vêm impondo uma reconfiguração profunda na agenda das empresas brasileiras. Mais do que um benefício, o bem-estar organizacional passou a ser tratado como um fator crítico para a sustentabilidade das operações e consolidou-se como um dos principais desafios estratégicos da área de recursos humanos..

A avaliação foi compartilhada por especialistas durante o CONARH Saúde, promovido pela ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), nesta terça-feira (30) e reflete um cenário em que fatores financeiros, emocionais e comportamentais se entrelaçam e impactam diretamente produtividade e resultados.

“A saúde corporativa deixou de ser uma pauta operacional para se tornar risco e uma oportunidade ao negócio”, afirmou Luiz Edmundo Rosa, diretor de Saúde e Bem-Estar da ABRH Brasil. Segundo ele, o contexto atual combina 78% das famílias brasileiras endividadas com um ambiente de trabalho cada vez mais estressado e com lideranças apresentando níveis elevados de ansiedade e depressão.

A presidente da ABRH Brasil, Leyla Nascimento, reforçou que o tema ganhou centralidade nas organizações. “A área de saúde é hoje uma pauta prioritária para recursos humanos”, disse. Para ela, o debate avançou para além da assistência médica e passa a incorporar longevidade, saúde mental e sustentabilidade das carreiras.

Logo na abertura dos debates, a apresentação de dados do mercado reforçou a dimensão do problema. Segundo levantamento apresentado por Letícia Santos, da WTW, 79% das empresas apontam a saúde como principal desafio, em um cenário de inflação médica persistente. A executiva destacou que o aumento de custos não está apenas associado aos preços, mas ao uso ineficiente dos serviços. “O custo da saúde vem muito mais da utilização inadequada e da falta de informação do usuário”, afirmou.

O eixo da saúde mental dominou parte relevante das discussões. Dulce Brito, do Einstein, destacou que as empresas precisam sair de uma lógica reativa e avançar para modelos estruturados de cuidado. Entre as iniciativas, ela citou a inclusão da saúde mental como indicador estratégico nas organizações e a implementação de programas de escuta ativa. Na prática, segundo ela, o tema precisa ser tratado com transparência e reconhecimento institucional.

Esse debate ganhou contornos ainda mais profundos em outra mesa, que apontou a solidão como um novo risco corporativo. “Nunca estivemos tão conectados — e nunca estivemos tão sozinhos”, afirmou uma das especialistas, ao destacar que muitos profissionais seguem produtivos, mas emocionalmente isolados. “As pessoas continuam performando, mas muitas estão emocionalmente isoladas”, disse. O fenômeno, segundo os debatedores, não aparece nos indicadores tradicionais, mas já impacta engajamento e saúde.

O endividamento dos trabalhadores apareceu como um dos fatores mais críticos para a saúde corporativa. Adriana Mansueto, da Gerdau, destacou que o problema já afeta diretamente o desempenho dos colaboradores. “O endividamento é um pilar de sustentação da saúde mental”, afirmou. Segundo ela, colaboradores endividados dormem pior, se alimentam mal e apresentam queda de produtividade. Programas estruturados têm mostrado resultados expressivos. “Para cada R$ 1 investido, tivemos R$ 12 de retorno”, disse.

A alimentação também passou a ser tratada como variável estratégica. Frederico Porto destacou que não é mais possível dissociar saúde física e mental. “A gente continua separando corpo e mente, mas isso não existe”, afirmou. “Prevenção não é exame — é mudança de hábito”, completou.

Ao longo dos debates, ficou evidente que o modelo tradicional de saúde corporativa — centrado exclusivamente na assistência — já não responde às demandas atuais. Em seu lugar, emerge uma abordagem integrada, que combina saúde física, mental, financeira e social, com uso intensivo de dados e foco em prevenção.

Nesse cenário, empresas passam a assumir papel mais ativo na gestão da saúde de seus colaboradores, em um movimento que redefine não apenas a área de recursos humanos, mas a própria lógica de sustentabilidade dos negócios no País.

Sobre a ABRH Brasil

A ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), presidida por Leyla Nascimento, está presente em 22 estados e no Distrito Federal. As seccionais são desvinculadas juridicamente e independentes, integradas na missão de promover o desenvolvimento dos profissionais de RH e gestores de pessoas por meio de eventos, pesquisas e troca de experiências, além de colaborar com os poderes públicos e demais entidades nos assuntos referentes à sua área de atuação. Filiada à WFPMA (World Federation of People Management Associations) e à FIDAGH (Federación Interamericana de Asociaciones de Gestión Humana), a ABRH Brasil é cofundadora e integra a CRHLP (Confederação dos Profissionais de Recursos Humanos dos Países de Língua Portuguesa), fundada em 2010.


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