Empresários ainda subestimam os riscos da Justiça do Trabalho
Alta litigiosidade trabalhista expõe fragilidades na gestão de pessoas e pressiona o caixa das empresas brasileiras
O Brasil segue entre os países com maior volume de ações trabalhistas no mundo. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que mais de 3 milhões de novos processos ingressam anualmente na Justiça do Trabalho, movimento que voltou a ganhar força após a pandemia. Em fevereiro de 2026, o cenário reforça um alerta ao empresariado: práticas consideradas rotineiras continuam ampliando riscos jurídicos, financeiros e reputacionais para as empresas.
Mayra Saitta, advogada e empresária fundadora do Grupo Saitta, hub de soluções empresariais especializado em contabilidade, direito empresarial e trabalhista, gestão tributária e apoio à tomada de decisão, avalia que parte relevante desse passivo nasce da falsa sensação de controle. “Muitos empresários acreditam que cumprir o básico da CLT é suficiente, mas ignoram detalhes operacionais que são decisivos em uma ação trabalhista, como registros de jornada frágeis, enquadramentos inadequados de cargos e contratos genéricos”, afirma.
O impacto desses processos vai além das condenações judiciais. Estudos da Fundação Getulio Vargas mostram que custos indiretos de disputas trabalhistas, como honorários, tempo da liderança envolvida e provisões contábeis, podem comprometer até 4% do faturamento anual de pequenas e médias empresas.
A especialista ressalta que a prevenção passou a ser uma estratégia de gestão. “A Justiça do Trabalho analisa a realidade da relação e não apenas o que está formalizado. Quando a operação não sustenta o contrato, o risco de condenação aumenta de forma significativa”, diz.
Esse descompasso costuma surgir em fases de crescimento acelerado, quando a empresa amplia o quadro de funcionários sem estruturar processos de controle e documentação. A informalidade, segundo ela, tende a aparecer apenas quando o conflito já está instalado. “É comum o empresário perceber o problema somente ao receber uma notificação judicial. A partir desse momento, o custo deixa de ser evitável”, observa.
Diante desse cenário, especialistas defendem uma atuação preventiva, integrada à rotina da empresa, conectando jurídico, contabilidade e gestão de pessoas. “Não se trata de engessar o negócio, mas de criar critérios claros, rotinas auditáveis e decisões alinhadas à legislação e à prática do dia a dia”, pontua.
A especialista aponta cinco cuidados essenciais para reduzir riscos trabalhistas de forma contínua e estruturada
1- Onde os riscos costumam surgir
Antes de pensar em defesa, é fundamental mapear vulnerabilidades recorrentes. Jornadas mal registradas, acúmulo de funções não formalizado e cargos de confiança sem respaldo legal estão entre as principais origens de passivo. “São falhas silenciosas, que se acumulam ao longo do tempo”, afirma.
2- Contratos alinhados à realidade da função
Modelos padronizados e desatualizados não acompanham a dinâmica do negócio. A recomendação é revisar periodicamente funções, metas, formas de remuneração variável e regimes de trabalho. “O contrato precisa refletir o cotidiano do colaborador, não apenas um modelo genérico”, explica.
3- Controle de jornada com provas consistentes
Mesmo em regimes flexíveis, a empresa precisa adotar mecanismos confiáveis de controle. Registros informais ou frágeis costumam ser desconsiderados em juízo. “Na ausência de prova robusta, o entendimento tende a favorecer o trabalhador”, alerta.
4- Prevenção integrada à gestão
A atuação isolada do jurídico é insuficiente. O ideal é integrar áreas como RH, contabilidade e liderança. “Quando essas frentes conversam, a decisão deixa de ser reativa e passa a ser estratégica”, avalia.
5- Escolha de assessoria especializada
Contratar uma consultoria empresarial com foco preventivo reduz riscos de forma consistente, sobretudo em pequenas e médias empresas. “Não é apenas sobre defender processos, mas sobre orientar o empresário a decidir melhor antes que o problema exista”, resume.
O avanço da litigiosidade trabalhista tem levado empresas a repensarem seus modelos de gestão. A profissionalização da prevenção surge como resposta a um ambiente jurídico mais rigoroso e menos tolerante a improvisos. “A Justiça do Trabalho não é um evento raro, é uma variável permanente do negócio. Ignorá-la custa caro”, conclui.
Sobre Mayra Saitta
Advogada, contadora e empresária, Mayra Saitta é fundadora do Grupo Saitta, hub de contabilidade, direito empresarial, marketing e educação corporativa com atuação no Brasil, Estados Unidos e Europa. Nascida em Praia Grande (SP) e graduada em Ciências Contábeis e Direito, ela se especializou em Direito Empresarial e construiu uma trajetória marcada pela inovação em gestão e pela defesa do protagonismo feminino nos negócios. Em 2024, foi homenageada pela Câmara Municipal de Praia Grande com o diploma Graziela Diaz Sterque, em reconhecimento às suas contribuições à comunidade e ao desenvolvimento local.
Em 2025, lançou o livro A mente ágil do líder: como liderar com flexibilidade e propósito na era da inteligência artificial, no qual apresenta reflexões sobre liderança e transformação digital. Idealizadora do Saitta Day, evento que reúne empresários e especialistas para impulsionar o empreendedorismo na Baixada Santista, Mayra é reconhecida por unir visão estratégica, propósito e impacto social em sua atuação.
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Sobre o Grupo Saitta
Há 15 anos, o Grupo Saitta atua como um hub de soluções integradas em contabilidade, advocacia, marketing e educação corporativa, com sede em Praia Grande (SP) e presença em todo o Brasil, além de uma carteira de clientes nos Estados Unidos e Europa.
Reconhecido pelo Método Saitta, modelo próprio de gestão de processos, o grupo se consolidou pela capacidade de unir eficiência operacional, rigor no cumprimento de prazos e uma gestão humanizada, que valoriza a parceria e o desenvolvimento conjunto entre empresas e profissionais.
Pioneiro na Baixada Santista ao criar um setor de Customer Success voltado à experiência do cliente, o grupo também promove mentorias e programas de capacitação para líderes e empreendedores, com foco em produtividade, gestão inteligente e posicionamento estratégico. Sua missão é clara, fortalecer empresas e inspirar vidas, conectando pessoas, propósito e performance.
Fontes de pesquisa
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
Tribunal Superior do Trabalho (TST)
Fundação Getulio Vargas (FGV)
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