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Falta de governança transforma a shadow IA em risco financeiro para empresas

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Por Sylvio Sobreira Vieira, CEO & Head Consulting da SVX Consultoria

O ano de 2025 consolidou a inteligência artificial (IA) como peça central de estratégias de negócios, mas expôs um grave desalinhamento: enquanto empresas correm para adotar IA, poucas se preocupam em governá-la adequadamente. No Brasil, 8 em cada 10 emresas ainda não possuem políticas formais de governança para IA, de acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2025 da IBM. Esse mesmo estudo revelou que o custo médio de uma violação de dados no país já alcança R$ 7,19 milhões, evidenciando o tamanho do risco oculto quando se implementa IA sem controles e compliance claros.

Empresas têm adotado a IA em busca de eficiência e vantagem competitiva, tratando modelos algorítmicos e dados como ativos intangíveis valiosos. Porém, sem governança, a IA pode rapidamente se tornar um passivo oculto. Modelos de IA mal documentados, por exemplo, são caixas-pretas que ninguém sabe explicar ou auditar.

Isso não apenas dificulta correções e melhorias, como também impede a empresa de demonstrar conformidade em auditorias regulatórias ou responder por decisões automatizadas.

Os riscos invisíveis de uma IA sem governança

Muitos problemas gerados pela IA sem supervisão apropriada não aparecem de imediato – são silenciosos e cumulativos, explodindo quando menos se espera. Um cenário hipotético, mas plausível, descrito por especialistas: imagine uma empresa que implementa um agente de IA para qualificar automaticamente leads de vendas.

Tudo corre bem, até que um cliente pergunta como seus dados foram usados. Descobre-se então que o agente cruzava informações de múltiplas fontes sem consentimento e armazenava dados sem política de retenção definida. O resultado? Notificação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), multa, perda de confiança dos clientes e necessidade de rever às pressas todos os processos internos.

Outros riscos frequentes envolvem a dependência excessiva de terceiros. Empresas que adotam IA sem um plano de governança acabam criando dependências tecnológicas sem alternativa: confiam cegamente em um fornecedor ou numa ferramenta externa, sem portabilidade de dados ou planos de contingência.

Diante de tudo isso, por que ainda há tanta empresa negligenciando a governança de IA? Em parte, porque a velocidade da inovação superou a maturidade organizacional. Vivemos um momento de “hype” da IA, em que múltiplos sistemas e modelos são adotados simultaneamente, orquestrando processos críticos em tempo real.

Muitas vezes, equipes diferentes dentro da mesma companhia implementam ferramentas de IA isoladamente – marketing usa um chatbot público, TI adota uma solução de automação, RH experimenta um algoritmo de seleção – sem uma coordenação central. Essa fragmentação leva à chamada Shadow AI: aplicações de inteligência artificial usadas de forma não autorizada ou sem supervisão dentro da organização. O fenômeno é perigoso e invisível justamente por ocorrer nas sombras – analistas e gestores bem-intencionados utilizando IA sem diretrizes claras.

Conselhos e diretoria ligam o alerta vermelho

Conselhos de Administração e comitês de risco das empresas começaram a olhar projetos de IA com a mesma atenção dedicada a grandes aquisições ou contratos estratégicos de tecnologia. Afinal, o potencial de impacto – seja em ganhos ou em perdas – é comparável.

Pesquisas recentes indicam que a IA já figura entre as principais preocupações dos conselhos corporativos em 2026, ao lado de temas clássicos como desempenho financeiro e estratégia. Líderes querem garantias de que a tecnologia trará retorno e não uma surpresa desagradável.

A gestão de riscos de IA já é vista como parte da boa governança corporativa. Porém, a realidade mostra que ainda há caminho a percorrer: somente 22% dos boards de empresas públicas afirmam ter políticas formais de governança de IA em vigor, embora outros 60% reconheçam o tema e planejem discuti-lo em breve. A expectativa é que essa conscientização cresça rápido, impulsionada tanto por casos práticos de fracassos quanto pelo avanço de regulações.

Empresas mais maduras já iniciaram movimentos preventivos. Muitas corporações de grande porte, por exemplo, passaram a exigir de seus fornecedores evidências de governança de IA antes de fechar contratos. Investidores também estão fazendo perguntas específicas sobre segurança algorítmica e uso responsável de IA nos processos de due diligence de aportes e aquisições. Todos querem se certificar de que não há uma bomba-relógio escondida nos sistemas inteligentes de quem recebe seus recursos.

Transformando a IA de passivo oculto a ativo confiável

A boa notícia é que é possível, sim, aproveitar os benefícios da inteligência artificial sem cair nas armadilhas dos riscos invisíveis. Isso exige, primeiramente, encarar a IA como parte integrante da estratégia de negócio e da matriz de riscos da empresa, e não como um experimento isolado do departamento de TI. Envolve criar estrutura de governança: definir quem, dentro da organização, aprova e supervisiona o uso de IA; mapear todas as ferramentas e modelos em uso, inclusive aqueles contratados de terceiros; estabelecer políticas claras sobre quais dados podem (ou não) ser alimentados em algoritmos e quais critérios mínimos de explicabilidade e segurança cada projeto de IA deve atender antes de entrar em produção. Também implica implementar mecanismos de rastreabilidade e auditoria – cada decisão automatizada relevante deve deixar um rastro: qual sistema tomou, com que dados, em qual momento, e qual foi o resultado. Assim, quando houver uma dúvida ou incidente, consegue-se investigar rapidamente a causa e tomar medidas corretivas.

Vale destacar que governança de IA não significa engessar a inovação, e sim habilitá-la com segurança. Empresas com políticas robustas de governança reduziram significativamente o impacto financeiro de incidentes: já as que adotam tecnologias de governança de IA conseguiram economizar, em média, R$ 629 mil no custo de cada violação de dados em comparação às que não adotam. Ou seja, controle não freia inovação – ele a torna sustentável. No balanço final, a IA governada tende a permanecer um ativo valioso que impulsiona a competitividade

Cuidar da governança da IA hoje é evitar que ela se torne o problema de amanhã. O ativo e o passivo estão nas duas faces da mesma moeda tecnológica; cabe às empresas decidirem, através da boa governança, em qual lado dessa moeda querem ficar.

Sobre a SVX Consultoria

A SVX é uma consultoria especializada em tecnologia, riscos, crises, governança de Inteligência Artificial e compliance regulatório. Atuando com foco na implementação estratégica de soluções tecnológicas avançadas, a SVX auxilia empresas de diversos setores a alcançar resultados mais assertivos, seguros e éticos com o uso da IA. Com uma equipe técnica multidisciplinar altamente qualificada, a SVX oferece auditorias detalhadas, treinamentos especializados e estratégias personalizadas, garantindo que seus clientes estejam preparados para enfrentar desafios regulatórios, éticos e tecnológicos em um cenário digital cada vez mais complexo.


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