5 ideias da biologia e da ciência que vão orientar os negócios a partir de 2026
Conversa entre o biólogo Átila Iamarino e o especialista em biomimética Gui Gennari aponta os caminhos da natureza e da ciência para criar modelos de negócios resilientes, éticos e sustentáveis, redefinindo a competição e o alto custo da tecnologia
Com a aceleração das crises climáticas e o avanço da inteligência artificial (IA) gerando novos dilemas éticos e ambientais, líderes de inovação e executivos são forçados a questionar os pilares do crescimento tradicional. A inovação de sucesso exige não apenas tecnologia, mas também a capacidade de traduzir as leis de sobrevivência da natureza em estratégia de negócios. O modelo de expansão infinita, que prioriza a competição sobre a cooperação, está com dias contados.
Em um debate realizado no Festival Iguassu Inova, dois biólogos, o divulgador científico Átila Iamarino e o especialista em biomimética Gui Gennari, sócio da consultoria de inovação 1601, uniram saberes para traçar cinco princípios essenciais que o mercado deve adotar para sobreviver e prosperar a partir de 2026.
As reflexões partem do princípio que a natureza, após bilhões de anos de evolução, já resolveu os problemas de sustentabilidade e eficiência que o mercado ainda enfrenta.
O modelo de crescimento ilimitado é uma patologia
A natureza não sustenta o crescimento exponencial e infinito. “O nosso modelo econômico atual depende de uma expansão infinita, o que não existe na natureza, a não ser em doenças como o câncer, que acabam destruindo o próprio sistema”, detalha Iamarino.
A analogia do câncer serve como um diagnóstico severo para a mentalidade de "crescer a qualquer custo" que domina as corporações. Segundo Gui Gennari, que se especializou em biomimética pela Arizona State University, essa visão exige uma migração urgente de intencionalidade, de razão de existir, e também de indicadores que apontem para uma real regeneração.
“A lição da biologia é clara: a sustentabilidade reside no equilíbrio e na regeneração. As empresas que não aprenderem os fluxos de um ecossistema de verdade, em que o resíduo de um é o recurso de outro, em que 100% dos recursos são reutilizados, estarão acelerando seu próprio ciclo de esgotamento e da comunidade em que estão inseridas. Em 2026, a inovação precisa ser um agente de regeneração, não de extração”, explica ele.
A cooperação é a chave da sobrevivência de longo prazo
Em sistemas biológicos e sociais (dos quais fazemos parte e nossas instituições também), a cooperação supera a competição como fator de resiliência e longevidade. Átila Iamarino destaca que a crise recente gerada pela pandemia provou o poder desse princípio em larga escala. Em suas palavras, a cooperação foi o que garantiu a sobrevivência no longo prazo e a vacina para o Covid-19 só funcionou porque houve uma ação coletiva, com empresas, governos e pessoas colaborando.
Para os líderes de inovação, o desafio é institucionalizar uma colaboração verdadeira. “A biomimética nos mostra que o sucesso de um organismo depende também do sucesso de toda a rede ao seu redor, de relações ganha-ganha, da manutenção de um hábitat saudável. Para o mercado, isso se traduz em modelos de negócio compartilhados e em cadeias de valor onde o sucesso mútuo (parceiros, clientes, sociedade, meio ambiente) é o único KPI relevante”, completa Gennari.
Isso implica em criar cadeias de valor integradas, alinhando parceiros e também concorrentes em torno de desafios globais e locais que precisamos superar, sejam problemas na distribuição de alimentos, no acesso às condições básicas de saúde, na eliminação de lixo plástico, entre outros tantos temas importantes para cada comunidade. Nosso sucesso coletivo passa pela eficácia sistêmica da solução.
O alto custo ambiental e social da Inteligência Artificial
A revolução da IA, embora promissora, esconde um custo energético e hídrico que ameaça a agenda ESG global e a disponibilidade destes recursos para as diferentes formas de vida - inclusive a humana. Iamarino faz um alerta sobre a escalada desse impacto, expondo a ineficiência do modelo tecnológico atual: “Ainda não estamos pagando essa conta, vivemos uma fase de ‘lua de mel’, mas em 2030, os datacenters de IA devem ser o terceiro maior consumidor de energia do mundo.”
A sustentabilidade da IA, portanto, torna-se um imperativo estratégico para 2026 e, na visão do executivo que desenvolve soluções inspiradas na natureza para liderança e inovação. o momento determinante para que as empresas adotem um design diversificado para sua própria sobrevivência, utilizando o que é chamado de responsible AI (IA responsável), e não corram o risco de ver seus compromissos de negócio e sustentabilidade minados.
Discernimento humano biocêntrico e não apenas “julgamento de máquina”
A euforia da IA como ferramenta de tomada de decisão deve ser temperada pela visão científica de quais são suas limitações (algo que geralmente não acontece). É o que o divulgador científico acredita ao afirmar que as IAs não distinguem o que é verdade do que é falso quando apresentam algum conteúdo.
Neste contexto, o uso da IA para otimizar processos, fluxos, repensar desenhos (como a natureza otimiza e evolui), não deve ser confundido com a completa terceirização da capacidade de discernimento humana, tendo em vista as limitações e vieses das próprias IAs.
Gui Gennari afirma que a curiosidade humana, a busca pelo aprendizado e pela capacidade de fazer melhores perguntas, continuam irredutíveis. “A natureza evolui otimizando sistemas e não apenas maximizando uma ou outra variável, ela se adapta e responde às condições locais. Devemos usar as IAs de forma responsável para aprender, otimizar, e ajudar a criar soluções regenerativas, sem terceirizar nossa curiosidade ou mesmo o senso ético centrado na vida.”
Educação e Ciência são a estratégia de combate à desinformação
A desinformação, fortalecida por um ciclo de recompensa, é uma ameaça direta à clareza de dados necessária para qualquer decisão de negócio. Átila Iamarino defende o fortalecimento dos pilares do conhecimento como contraponto à manipulação: “O papel da educação e da ciência é cada vez mais estratégico para garantir informação de qualidade.” Ele reforça que “é tão importante que a sociedade continue valorizando a ciência, a educação e o jornalismo de qualidade. Esses são os pilares que ajudam a diferenciar informação de manipulação.”
Para a inovação corporativa, Gennari destaca que isso se traduz em investimento em insights de qualidade e na formação de equipes com pensamento crítico e diversificado. “A inovação que não é baseada em fatos ou parte de uma interpretação muito enviesada representa um risco desnecessário. As empresas que investem em cultura de experimentação e pensamento sistêmico conseguem diferenciar o que é ruído da rede daquilo que é informação acionável, se protegendo contra a desinformação”, complementa ele.
Desta forma, o sucesso tanto na ciência quanto na inovação depende do esforço coletivo. Átila Iamarino sintetiza essa convergência: “Ambas exigem curiosidade, método e colaboração. A ciência não existe sem troca, sem testar e aprender coletivamente. E o mesmo vale para a inovação.” Para Gui Gennari, “aprender com a natureza nos força a enxergar a inovação não como um ato isolado, mas como parte de uma rede de troca de informações e energias. O grande desafio para 2026 será desenhar as estruturas e culturas organizacionais para que essa colaboração, inerente à vida, não seja a exceção, mas sim a regra - só assim resolveremos as questões complexas que temos como sociedade”, finaliza o especialista.
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