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CNseg apoia estudo sobre a evolução dos riscos ASG no setor segurador

Em 2015, a CNseg apoiou a pesquisa para a tese de doutorado de Flávio Nogueira sobre a evolução dos riscos relativos a fatores ASG (Ambientais, Sociais e de Governança) no mercado segurador brasileiro, visando também investigar como estava a oferta de produtos para esses riscos em comparação com o mercado internacional. Além disso, a pesquisa se propôs a avaliar a hipótese de haver uma relação positiva entre como o mercado consumidor percebia os riscos ASG e o grau de incorporação desses riscos nas operações das seguradoras.

Passados sete anos, Flávio Nogueira, junto com Roberto Nogueira e Paula Chimenti, estão empreendendo uma revisão da pesquisa para, entre outros objetivos, atualizar a revisão da literatura sobre sustentabilidade em seguros, especialmente em relação às mudanças climáticas, além de refinar o instrumento de mensuração de subscrição de risco ASG e diagnosticar a percepção do setor segurador sobre os impactos dos riscos climáticos.

Para sabermos mais sobre esse estudo, conversamos com Flávio Nogueira, que é Dsc. em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético/Coppe/UFRJ e professor na Universidade Veiga de Almeida, com foco em modelos de negócio relacionados aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

Como o setor recebeu a pesquisa de 2015? Você identificou alguma alteração na incorporação dos fatores ASG no setor em função dessa pesquisa? Caso positivo, poderia exemplificar?

A preocupação institucional da indústria de seguros brasileira estava se consolidando após a criação, em 2021, dos PSI (Princípios de Sustentabilidade em Seguros), durante RIO + 20. O apoio do setor à pesquisa se deu neste contexto.

Não identifico, porém, uma relação direta entre a pesquisa e a evolução da gestão ASG em seguros no Brasil. A pesquisa se insere num contexto em que o tema evolui no mercado segurador, tanto no Brasil como mundo. Desde 2015, tivemos novos marcos que mostram a evolução do tema no setor, como a “Declaração do Rio de transparência do risco climático (PSI-FSB)”; o estudo conjunto PSI-TCFD: “Insuring the climate transition” e, não menos importante, a Circular Susep 666 sobre requisitos de sustentabilidade a serem observados pelas seguradoras.

Podemos observar que a indústria nacional ainda tem o que evoluir em relação ao gerenciamento das questões ASG, fortalecendo os esforços para a adoção de metas mais agressivas para atingir o Net-Zero (emissões líquidas zero de dióxido de carbono), a inclusão social e o desenvolvimento de novos produtos, como, por exemplo, os seguros de automóvel com compensação de emissões de CO2. Além disso, a análise de cenários climáticos na estratégia de operações e investimentos é outro ponto que ainda pode ser melhor trabalhado.

Como está sendo feita a revisão?

A revisão começou pela análise do que não funcionou tão bem na pesquisa anterior. Com a contribuição dos professores Roberto Nogueira e Paula Chimenti da Coppead, revisamos a estrutura do questionário e a estrutura de riscos ASG.

Para a revisão do questionário e, posteriormente, a distribuição da pesquisa (que pode ser respondida online clicando aqui), tivemos também a contribuição dos membros Comissão de Integração ASG da CNseg.

A divulgação do questionário está sendo feita em ondas. Até o momento, temos 63 questionários completos, que nos permitirão testar a hipótese de pesquisa e avaliar gaps entre disponibilidade de produtos e materialidade dos riscos ASG e a gestão de riscos climáticos.

A pesquisa foca apenas nos profissionais das empresas de seguro ou pretende ouvir profissionais de toda a cadeia produtiva do setor?

O foco são os profissionais de seguros como um todo, inclusive os corretores. Cabe destacar que não buscamos o posicionamento das empresas, mas dos profissionais de seguros.

Qual a importância da adoção das práticas ASG por toda a cadeia produtiva do setor segurador

Considero muito importante essa adoção. A indústria de seguros utiliza muitos serviços de terceiros como, por exemplo, os das empresas de assistência veicular, que utilizam caminhões guincho e muitos outros veículos, sendo, portanto, importantes emissores de gases de efeito estufa (GEE). Oficinas mecânicas também são grandes usuárias de água e tinta, que geram impactos ambientais. Os salvados de automóvel produzem riscos inerentes de vazamento de lubrificantes, geram oportunidades para reciclagem.

Além de questões ambientais, como poluição, contaminação de água e perda de biodiversidade, a indução de boas práticas de governança para os prestadores possibilita uma redução dos conflitos de interesse relacionados a questões sociais como trabalho digno e igualdade de gêneros e raças.

Outro ponto de extrema relevância é a alocação do mais de 1,2 trilhão de reais em reservas das empresas do setor. Embora reguladas pela Susep, as companhias têm algum grau de liberdade para direcionar uma parcela maior dessas reservas para investimentos com impactos ASG positivos.

Já é possível avaliar se, de 2015 para cá, houve alteração na percepção do mercado a respeito da importância da incorporação dos fatores ASG no negócio do seguro?

Ainda não fizemos uma análise comparativa completa, porém já podemos notar algumas diferenças, ressaltando que ainda uma prévia. Em 2015, 288 pessoas iniciaram o preenchimento do questionário da pesquisa, mas apenas 85 chegaram ao bloco sobre a gestão dos riscos ASG pelas seguradoras. Já na primeira análise da rodada atual, 134 começaram a pesquisa e 100 chegaram nesse bloco. Minha percepção é que, atualmente, há um interesse mais significativo pelo tema.

A participação das mulheres também está mais significativa, tendo passado de 27% para 44% dos respondentes. Quanto à escolaridade, na pesquisa de 2015, 5% não tinha nível universitário, ao passo que, na versão atual, todos os entrevistados passaram pela universidade. A participação de mestres e doutores foi semelhante, bem como a distribuição por faixa etária, com um pequeno crescimento na faixa dos com mais de 50 anos, que passou de 27,5% para 30%.

Quanto aos riscos ASG, espera-se uma evolução, tanto na percepção desses riscos pelos consumidores, quanto na inserção nas operações das seguradoras, como identificamos nas respostas já analisadas em relação aos riscos associados às mudanças climáticas.

É possível comparar o nível de adoção das questões ASG no mercado segurador brasileiro com o mercado segurador internacional? E na comparação com outros segmentos da economia brasileira?

A comparação com o mercado internacional será objeto do artigo a ser desenvolvido após a conclusão da pesquisa, com base nos dados internacionais de pesquisa da UNEPFI de 2012 sobre a situação global de sustentabilidade em seguros, que serão considerados. Em relação aos dias de hoje, a análise será qualitativa, tendo em vista que, até onde sabemos, não há um estudo similar atualizado. Quanto à comparação com outros segmentos, particularmente com o setor financeiro, é possível de ser feito, porém não está no escopo deste trabalho.

Quando o relatório final da revisão deve ser entregue?

Ainda não definimos uma data final, tendo em vista que ainda estamos precisando de mais respostas para testar a hipótese de pesquisa de forma mais robusta. Mas certamente já teremos um relatório até o final do ano.

Depois dessa revisão, está prevista uma nova fase para a pesquisa?

Como em toda pesquisa científica, ao final, são observadas lacunas, tanto na literatura, quanto na pesquisa, em si. Estender a pesquisa para os consumidores de seguros, particularmente empresas, e entender o papel da insurtechs na evolução da gestão das questões ASG na indústria são alguns dos temas a serem estudados no futuro.


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