Brasil,

TOKIO MARINE SEGURADORA

Como criar e cultivar uma cultura de inovação

Mary Ballesta (*)

Desde o início da pandemia, muitos desafios e aspectos inusitados surgiram e reforçaram a importância de uma cultura que valorize a inovação para enfrentar o desconhecido. O isolamento social impactou os processos e demandou uma nova abordagem das empresas para lidar com as incertezas deste cenário. A estrutura organizacional passou por mudanças a fim de manter o fluxo de trabalho e de entrega de serviços e produtos aos clientes, com o intuito de sobreviver no mercado.

Virtualizamos toda a nossa forma de viver, de consumir, de trabalhar e de nos relacionar. Os impactos foram tão profundos que a única forma que tivemos para reagir como empresa, colaborador e ser humano foi hackeando a nossa própria vida. Isso significa que tivemos que nos reinventar e criar um contexto que permitisse nos adaptar de uma forma muito rápida, uma vez que a pandemia criou um cenário que poucas empresas estavam preparadas para enfrentar.

O grande segredo para reagir a coisas que não conhecemos, que parecem não ter lógica, é enfrentá-las com resiliência e flexibilidade, além de outro fator essencial: a inovação. Saber inovar nada mais é do que trazer competitividade, adaptabilidade e valor em tudo que estamos fazendo. São novas lógicas que nos permitem sobreviver aos contextos que nos deparamos.

Sempre foi um paradigma da inovação pensar que coisas novas são inovadoras. Não necessariamente. A inovação requer atributos importantes: ela tem que solucionar alguma questão que ainda não foi resolvida até aquele momento, ou seja, possuir um componente de novidade, mas não se resumir a isso. Ela definitivamente tem que olhar para o futuro e continuar trazendo esse valor a longo prazo.

Neste caso, estamos falando de uma mudança na forma de atuação, de fazer, de uma lógica que deve demonstrar diferente, que nos permite continuar trazendo valor numa circunstância nova. Para isso, é preciso empreender e ser muito mais proativo na maneira de agir, não ser reativo ao que pode vir.

No setor profissional, isso se conecta com a necessidade de ter propósito dentro das organizações. E o ponto de virada nesse processo, para poder criar uma cultura de inovação nas corporações, é dar uma certa autonomia às pessoas, para que elas possam desenvolver práticas interessantes, mas uma autonomia orientada, que tem o foco em gerar valor contínuo. É o empreender com propósito que cria contextos de inovação dentro da cultura organizacional.

Quando falamos de inovar, a grande chave é olhar o futuro e produzir movimentos nesta direção. Nunca é para o hoje. A inovação é o que eu faço no hoje, mas que me leva para o futuro. São ações um pouco mais longas, que nos permitem mudar e se reinventar, trilhando o caminho para o que queremos ser no futuro.

Por exemplo, o mercado de hoje está sendo impactado pela pandemia e devemos pensar no que vai acontecer depois da pandemia, para inovar no pós-tempo pandêmico. Durante esse momento diferente que ainda estamos vivendo, reagimos, tivemos que nos adaptar, porque não nos restou alternativa, mas para considerar que a organização é inovadora, ela tem que estar pensando “e o depois da pandemia?”, ter o foco em como já consegue criar no hoje esse movimento do amanhã.

E, por fim, é preciso medir os resultados conforme experimentarmos as novas ações, para que elas funcionem de forma contínua. Talvez uns dos grandes desafios da inovação seja esse: definir bons objetivos e resultados-chave que permitam, não só serem guias para garantir que estamos no caminho certo, mas também ferramentas que nos ajudem a repensar as iniciativas a cada momento de decisão, priorizando sempre nosso o encontro ao propósito, ao futuro que estamos desenhando. Assim, a aprendizagem será para sempre, e é assim que se cria uma cultura de inovação.

(*) Mary Ballesta é Diretora Global de Inovação do Grupo Stefanini.


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