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As empresas precisam estar ou se tornarem mais resilientes e ágeis frente às novas realidades

Marcelo Safadi Alvares, diretor Financeiro da Prati-Donaduzzi Marcelo Safadi Alvares, diretor Financeiro da Prati-Donaduzzi

Marcelo Safadi Alvares*

Atualmente o nosso país e o mundo vêm passando por uma crise de saúde sem precedentes, tendo como desdobramento impactos importantes na economia mundial. Esta situação resulta também em uma série de transformações no sistema financeiro que nos levam a tomar atitudes e ações que até pouco tempo atrás eram inimagináveis ou não necessariamente eram postas à mesa de discussões como uma prioridade.

A título de exemplo, hoje temos mais de 70% da força de trabalho do sistema bancário nacional operando em home-office e operando bem. Outro ponto que deverá ser revisto é o de que será provável que tenhamos que repensar cadeias globais de forma a não ficarmos reféns de uma única nação ou pensando-se de outra forma, ampliar a demanda por regionalização e consequente produção local, a qual gerará novos empregos, divisas internas e a possibilidade, no longo prazo, do desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, o que lá na ponta, dependendo do tipo de produto e setor, poderá nos trazer soberania.

O fato é que as empresas precisam necessariamente estar ou se tornarem mais resilientes e ágeis frente às novas realidades atuais e futuras, seja por meio de novos hábitos alimentares, de higiene, de saúde, processos fabris mas também financeiros, como por exemplo, na gestão do caixa.

Está bastante nítido que um ponto delicado neste momento de redução drástica da demanda nos principais setores da economia mundial, já está trazendo ou trará ainda problemas quanto à gestão do caixa. Primeiro porquê de uma forma geral, muitas empresas não estavam preparadas para ter uma queda abrupta na demanda de forma a permanecer por um tempo mínimo exigido operando sem suas receitas ou com receitas mínimas. Ou seja, estão falindo ou se encaminhando para processos falimentares.

Neste momento é necessário manter o equilíbrio de uma empresa protegendo-a por meio dos fundamentos financeiros, como por exemplo:

• Atuar permanentemente na redução de custos;

• Manter vivas as opções de financiamento da empresa;

• Acompanhar e maximizar o fluxo de caixa;

• Avaliar de forma mais intensa o risco de crédito dos clientes;

• Minimizar/reduzir o capital de giro.

Todas estas pontuações acima garantem um fluxo de caixa mais adequado, evitando ou minimizando com isso a falta de liquidez ou, que pode ou poderá trazer impactos importantes na operação diária de uma empresa afetando inclusive sua capacidade de investimentos.

A gestão de caixa deve ser rígida, devendo existir relatórios diários e/ou semanais da posição do caixa, detalhando pagamentos e recebimentos previstos a curto prazo. É importante ainda, planejar a provável evolução da posição do caixa a médio prazo, projetando entradas e saídas de caixa.

Já em se tratando de postergação de gastos, tal decisão depende das condições internas da companhia e externas, como por exemplo, relação com fornecedores. É sempre bom e é importante realizar exercícios frequentes (semanais) avaliando e estressando os cenários que podem acometer o caixa da empresa levando-o ao pior cenário e com isso avaliar o comportamento da liquidez.

Se esta liquidez chegar ao limite que pode afetar a operação, deveremos nos autoquestionar: conseguiremos reverter o cenário numa condição um pouco melhor considerando os semestres seguintes? Este ponto, como citado anteriormente, deve ser revisitado de forma perene em situações normais e mais profundamente neste momento atípico que estamos vivenciando.

Vale ressaltar também que é bastante provável que uma parcela importante das empresas não possui uma gestão específica para o capital de giro, a qual permeia pela diferença entre ativo e passivo circulantes da empresa e, como consequência, não há esforço neste acompanhamento. Por isso é preciso reduzir o ativo circulante, como estoques (com uma gestão mais atenta tanto de processos de produção como de compra) e recebíveis (através, em parte, da gestão do crédito).

Por fim, um dos papéis mais importantes da gestão neste momento é aliar alguns aspectos técnicos indicados acima ao bom senso para as melhores tomadas de decisão, pois diversas situações são atípicas e deveremos avaliar o comportamento de cenários anteriores que de alguma forma buscam semelhança com a situação atual, como por exemplo: crise financeira global de 2008, crise financeira na Ásia (1998), grande depressão (início em 1929), porém, com uma diferença substancial, as crises anteriores foram tipicamente crises financeiras e neste momento, vivemos uma grave crise na saúde que está acarretando um também problema econômico com características atuais muito difíceis de caminharem para uma solução no curto e médio prazo o qual se somam a cenários futuros com alto grau de incerteza.

*Marcelo Safadi Alvares é diretor Financeiro da Prati-Donaduzzi; engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Lins, tem Pós-Graduação em Transporte Aéreo e Aeroportos - ITA, MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios - FGV e MBA - Módulo Internacional - ICTE Lisboa, além disso, participou da Formação de Executivos pela Fundação Dom Cabral (FDC).

SOBRE A PRATI-DONADUZZI

A Prati-Donaduzzi, indústria farmacêutica 100% nacional, é especializada e referência no desenvolvimento e produção de medicamentos genéricos. Neste ano ingressou na área de Prescrição Médica com medicamentos de marca com foco no Sistema Nervoso Central. Com sede em Toledo, Oeste do Paraná, produz, aproximadamente 11,5 bilhões de doses terapêuticas por ano e gera mais de 4,5 mil empregos.


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