Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com cáries não tratadas
Pesquisa indica que 37% das crianças nunca visitaram o dentista; especialista destaca os principais alimentos prejudiciais à saúde bucal.
No mês em que é celebrado o Dia da Saúde Bucal, o panorama da odontologia brasileira revela que a negligência com a higiene e, sobretudo, com a dieta, ainda mantém a cárie como uma das doenças mais prevalentes na infância. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), divulgados em 2025, acendem um alerta ao revelar que 41,2% das crianças de apenas 5 anos possuem dentes com cáries não tratadas, sendo que 10% desse grupo já necessita de intervenções de urgência.
O problema não se restringe à primeira infância, estendendo-se de forma crítica pela adolescência, onde 43,9% dos jovens entre 15 e 19 anos convivem com dentes cariados, refletindo um hábito alimentar rico em açúcares processados e uma rotina de cuidados preventivos insuficiente.
A dentista e professora da Afya Contagem, Paula Lima Bosi, comenta que os hábitos alimentares na infância exercem influência direta na saúde bucal ao longo da vida, afetando tanto a formação dos dentes quanto o desenvolvimento do padrão alimentar futuro. “O consumo frequente de açúcares favorece a formação de biofilme cariogênico, elevando o risco de cárie desde a infância até a fase adulta. Da mesma forma, a exposição precoce a alimentos ultraprocessados contribui para a manutenção de hábitos alimentares prejudiciais ao longo dos anos”.
A conexão entre o que se coloca no prato e a integridade do sorriso é direta e biológica. O consumo excessivo de carboidratos fermentáveis e açúcares fornece o combustível ideal para que as bactérias presentes na placa bacteriana produzam ácidos que desmineralizam o esmalte dentário. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a redução da ingestão de açúcares livres para menos de 10% do valor energético total diário é uma das medidas mais eficazes para prevenir não apenas a cárie, mas também doenças crônicas como a obesidade e o diabetes.
Diante desse cenário, Paula Bosi reforça que, para prevenir a cárie sem tornar a alimentação excessivamente restritiva, recomenda-se reduzir a frequência do consumo de açúcar, estabelecer horários regulares para as refeições, oferecer opções mais saudáveis, evitar o uso de alimentos como forma de recompensa e incentivar a higiene bucal adequada.
“Além da cárie, a alimentação inadequada também está associada a outros problemas bucais, especialmente em adolescentes e jovens. O consumo frequente de bebidas ácidas, como refrigerantes e energéticos, pode levar à erosão dentária, caracterizada pela perda do esmalte devido ao baixo pH. Outro problema relevante é a doença periodontal, que pode ser agravada por dietas ricas em açúcares e pobres em nutrientes, favorecendo a inflamação gengival e o desequilíbrio da microbiota oral”, complementa a dentista.
Alimentos prejudiciais à saúde bucal
A pesquisa da SB Brasil 2023 também indica que 37,17% das crianças de 5 anos nunca haviam visitado um dentista. Ao unir uma alimentação consciente a consultas regulares, é possível interromper o ciclo de tratamentos de urgência que hoje atinge 11,4% dos adolescentes.
A especialista da Afya Contagem, informa que, na prática, alguns alimentos são especialmente prejudiciais à saúde bucal infantil, principalmente devido à sua composição e à capacidade de aderir aos dentes. Entre os principais, destacam-se:
- Balas e doces pegajosos: permanecem aderidos ao esmalte por longos períodos, favorecendo a ação bacteriana.
- Refrigerantes e bebidas açucaradas: combinam alto teor de açúcar e acidez, potencializando a desmineralização do esmalte.
- Biscoitos recheados e bolos industrializados: são ricos em açúcares e amidos, que servem de substrato para bactérias cariogênicas.
- Sucos industrializados: apresentam açúcar adicionado e pH ácido, contribuindo para a erosão dentária.
- Salgadinhos ultraprocessados: contêm amidos fermentáveis que se convertem em açúcares na cavidade oral, favorecendo a formação de biofilme.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar.
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