Canetas emagrecedoras e cirurgia plástica: quando são aliadas e quando não são?
Especialista explica como o emagrecimento medicamentoso pode influenciar o planejamento cirúrgico e por que o uso sem orientação pode comprometer os resultados
A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a venda e o uso de canetas emagrecedoras que ainda não estão reguladas no Brasil colocou o tema em evidência e ampliou o debate sobre os impactos desses medicamentos na saúde. Além de coibir o uso indiscriminado, a medida chama atenção para os reflexos do emagrecimento acelerado na prática médica, especialmente na cirurgia plástica.
Com a popularização das canetas, muitos pacientes passaram a chegar aos consultórios já em processo de perda de peso ou com a expectativa de usar o medicamento como etapa anterior à cirurgia. Procedimentos como lipoaspiração, abdominoplastia e cirurgias pós-emagrecimento têm sido diretamente influenciados por essa mudança de comportamento.
Mas, afinal, o uso das canetas emagrecedoras ajuda ou atrapalha a cirurgia plástica?
Segundo o cirurgião plástico Vinícius Julio Camargo, tudo depende da forma como o tratamento é conduzido. “O emagrecimento medicamentoso pode ser um aliado da cirurgia plástica, mas também pode comprometer o resultado quando não há critério médico e planejamento adequado”, explica.
O impacto do emagrecimento medicamentoso na cirurgia plástica
Estudos recentes mostram que medicamentos à base de GLP-1 podem levar a uma redução média de 15% a 20% do peso corporal. Essa perda significativa altera completamente o corpo do paciente e, consequentemente, a estratégia cirúrgica.
“Quando o paciente emagrece de forma controlada e atinge um peso mais estável, a cirurgia plástica tende a ter resultados mais previsíveis, com melhor definição do contorno corporal”, afirma o cirurgião.
Em casos selecionados, o emagrecimento prévio pode reduzir riscos anestésicos, facilitar o procedimento e melhorar a recuperação no pós-operatório.
Quando as canetas são aliadas da cirurgia plástica
A associação costuma ser positiva quando o uso da caneta faz parte de um tratamento médico estruturado, com foco em saúde e não apenas em estética. Pacientes com obesidade ou sobrepeso importante, que passam por emagrecimento gradual antes da cirurgia, costumam se beneficiar especialmente em procedimentos corporais mais extensos.
“Em cirurgias como abdominoplastia, redução mamária ou lifting facial, operar um paciente que passou por um emagrecimento bem conduzido faz diferença no resultado e na segurança”, destaca Dr. Vinicius.
Quando a combinação exige cautela
O problema surge quando a caneta é usada somente como recurso para emagrecer rapidamente antes da cirurgia. A perda acelerada de peso pode gerar flacidez excessiva, perda de massa muscular e deficiências nutricionais, fatores que impactam diretamente a qualidade do resultado cirúrgico.
Outro ponto de atenção é que o medicamento precisa ser suspenso antes do procedimento, seguindo a rotina definida pelo cirurgião em conjunto com a equipe que será responsável pela anestesia.
“Nem todo paciente que usa caneta está pronto para operar. O corpo precisa de tempo para se adaptar ao emagrecimento antes de uma cirurgia plástica”, reforça.
Caneta não substitui o papel do cirurgião plástico
Apesar da eficácia no emagrecimento, as canetas não corrigem excesso de pele, flacidez ou gordura localizada, que são justamente as principais indicações da cirurgia plástica após perda de peso.
“A caneta ajuda a emagrecer, mas é a cirurgia plástica é quem redefine o corpo, devolve proporção e trata as consequências do emagrecimento. São abordagens diferentes, mas que cada vez mais se complementam”, explica o especialista.
Planejamento e informação fazem a diferença
Com regras mais rígidas para a venda desses medicamentos no Brasil, cresce também a importância da avaliação especializada. Para Dr. Vinicius, o cirurgião plástico tem papel central nesse processo.
“O paciente precisa entender que não existe solução milagrosa. Quando bem indicadas, as canetas podem preparar o corpo para a cirurgia. Quando usadas sem critério, podem comprometer o resultado. A decisão deve sempre passar por avaliação médica especializada”, finaliza.
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