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Artrose no joelho avança com envelhecimento da população e amplia busca por tratamentos menos invasivos

  • Sexta, 13 Março 2026 18:51
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Karina Leite
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 Com mais brasileiros acima dos 40 anos mantendo rotina ativa, ortopedista observa crescimento da dor crônica no joelho e maior procura por terapias que retardam a progressão da doença

O Brasil está envelhecendo — e isso começa a aparecer nos consultórios de ortopedia. De acordo com o IBGE, a população com 60 anos ou mais deve dobrar nas próximas décadas, ultrapassando 58 milhões de pessoas até 2060. Paralelamente, cresce o número de adultos entre 40 e 59 anos que mantêm rotina ativa, praticam atividade física e prolongam a vida profissional. Esse movimento tem um reflexo direto: o aumento dos casos de artrose no joelho.

A artrose é uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que a condição atinge cerca de 10% dos homens e 18% das mulheres acima dos 60 anos, sendo o joelho uma das articulações mais afetadas. No Brasil, a artrose já figura entre as principais causas de dor crônica e limitação funcional na população adulta.

O problema não se restringe apenas aos idosos. Lesões prévias de ligamento, menisco, sobrepeso, sedentarismo intercalado com picos de atividade física e retorno inadequado ao esporte são fatores que podem antecipar o desgaste articular.

“A artrose não surge de um dia para o outro. Ela é o resultado de um processo acumulativo que envolve biomecânica, histórico de lesões e hábitos de vida”, explica o ortopedista especialista em joelho Thales Rama.

Segundo ele, é comum que pacientes acima dos 40 anos associem dor no joelho apenas ao envelhecimento natural, retardando a busca por avaliação especializada. “Muitos normalizam a dor e procuram ajuda quando já existe limitação importante da mobilidade.”

Impacto econômico e funcional

Além da dor, a artrose tem impacto socioeconômico relevante. Estudos internacionais apontam que doenças osteoarticulares estão entre as principais causas de afastamento do trabalho e redução de produtividade em países em desenvolvimento. A limitação funcional compromete atividades simples, como subir escadas, caminhar longas distâncias ou permanecer em pé por tempo prolongado.

No Brasil, o crescimento da obesidade, que já atinge mais de 20% da população adulta, segundo dados do Ministério da Saúde, também contribui para o aumento da sobrecarga no joelho, acelerando o desgaste da cartilagem.

Tratamentos evoluem, mas critério é essencial

Apesar de ser uma condição crônica, a artrose não significa indicação cirúrgica imediata. O tratamento inicial costuma ser conservador e envolve fortalecimento muscular, ajuste de carga, reeducação de movimento e controle do peso.

Nos últimos anos, aumentou a procura por terapias minimamente invasivas, como infiltrações com ácido hialurônico, corticoide e PRP (plasma rico em plaquetas). Essas abordagens podem ajudar no controle da dor e na melhora funcional quando bem indicadas.

“O objetivo é retardar a progressão da doença e manter a qualidade de vida. A cirurgia, na maioria dos casos, é considerada quando há falha do tratamento conservador e comprometimento significativo das atividades diárias”, afirma Rama.

Diagnóstico precoce muda o cenário

Entre os principais sinais de alerta estão:

- dor ao subir ou descer escadas
- rigidez após períodos de repouso
- inchaço recorrente
- sensação de crepitação associada a dor
- piora da dor após atividade

“O joelho não precisa parar aos 50 anos. Mas ele precisa ser acompanhado com estratégia. Diagnóstico precoce e intervenção adequada fazem diferença no controle da evolução da artrose”, conclui o especialista.

 


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