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Guia inédito alerta para o risco das doenças nas válvulas do coração

  • Sexta, 06 Mai 2022 11:59
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Carolina Neves
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Em uma simples consulta de rotina, o médico consegue, por meio do estetoscópio, detectar uma possível disfunção no coração do paciente que não sente sintoma algum. Foi o que aconteceu com a pedagoga Marília Pagin que, apesar de cuidar bem da saúde e fazer exercícios físicos regularmente, foi surpreendida com um diagnóstico de doença cardíaca que, alguns anos depois, exigiu uma cirurgia delicada, mas felizmente bem-sucedida.

Com base nessa situação que acomete milhares de brasileiros todos os anos, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) lançou, durante um fórum que reuniu os principais centros de referência da doença no país, um Documento Guia inédito que alerta para o risco das valvopatias. Essa doença do coração tem entre suas principais causas o envelhecimento e a febre reumática, infecção que ocorre após um episódio de amigdalite bacteriana tratada inadequadamente.

O guia foi desenvolvido após a escuta e consulta de vários médicos e pesquisadores sobre a doença no Brasil, pacientes, familiares e gestores públicos e privados da saúde. Nele, é apresentado o cenário no país, como vive o paciente e a sua jornada nos sistemas de saúde, público e privado, desde o diagnóstico até o acesso aos tratamentos.

“Esse documento é uma importante ferramenta que contribuirá com os Sistemas de Saúde para que possam destinar seus esforços e recursos para atender às necessidades de quem precisa, na hora certa e trabalhar melhor a gestão dos recursos financeiros, para que o equilíbrio econômico seja alcançado”, explica Marlene Oliveira, presidente do instituto.

Como ocorrem as valvopatias

A maioria das valvopatias é decorrente do processo de envelhecimento, que gera o desgaste de uma ou mais válvulas do coração. Uma em cada oito pessoas com mais de 75 anos sofre de valvopatia moderada a grave, em todo o mundo, e as mais comuns são a estenose aórtica e a insuficiência mitral. Os principais sintomas para essas doenças são falta de ar (dispneia) e cansaço. Nos casos de estenose aórtica, há também a dor no peito e a síncope (desmaios). Esses são os sintomas que primeiro denunciam as doenças valvares. Os pacientes acometidos por essa enfermidade devido ao envelhecimento são diagnosticados relativamente cedo, por apresentarem sintomas, e encaminhados ao especialista de forma a planejar o seu tratamento.

Há também as valvopatias que são a consequência cardíaca da febre reumática aguda, em indivíduos com predisposição à doença, causada pela infecção de garganta pela bactéria Streptococus Beta Hemolítico. Esses casos estão profundamente relacionados às baixas condições de desenvolvimento das comunidades e são doenças preveníveis.

No Brasil, cerca de 30 mil crianças e jovens são acometidos por casos de febre reumática por ano. De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), de 2008 a 2015, foram mais de 26 mil hospitalizações devido a casos agudos de febre reumática e, entre elas, 54% apresentaram comprometimento cardíaco, levando a intervenções cirúrgicas. Quase metade das cirurgias cardíacas abertas no país, feitas pelo SUS, está relacionada à doença.

Segundo a presidente do LAL, o diagnóstico tardio traz muitas complicações para a saúde do paciente, além de impactar sensivelmente a sustentabilidade econômica do sistema de saúde brasileiro. “O caminho para melhorar esse cenário deve envolver conhecimento e informação. Cada vez mais, há opções de acompanhamento e tratamento e essas escolhas não podem estar somente nas mãos do médico. É preciso que o paciente e sua família entendam a doença, saibam quais tratamentos estão disponíveis, como alcançá-los e se são realmente adequados e necessários”, afirma Marlene.

Carlos Castro, do Pacientes de Corazón México e membro do Global Heart Hub, concorda que o caminho correto é introduzir a educação para que os pacientes estejam informados, para fazer as perguntas necessárias quando chegam ao consultório médico. “Além disso, precisamos educar os clínicos gerais para que estejam atentos a sinais ao usar o estetoscópio, que é a ferramenta mais barata para identificarmos valvopatias”, explica.

A capacitação da equipe médica deve abranger também os conhecimentos de cada procedimento e o melhor momento de utilizá-los. “A indicação de exames como tomografias, cateterismo e o ecocardiograma transesofágico deve ser feita considerando o quadro clínico de cada paciente. É muito importante que o profissional de saúde esteja devidamente preparado para prescrever corretamente cada procedimento”, ressalta Isabella Sacilotto, coordenadora do Serviço de Valvopatias do Hospital Universitário Onofre Lopes, do Rio Grande do Norte.

A falta de dados sobre os casos no país é um dos gargalos quando o assunto é a valvopatia reumática, segundo Auristela Ramos, chefe da seção de valvopatias do Dante Pazzanese. “Existe no Brasil uma subnotificação de casos de valvopatias reumáticas, pela falta de dados e rastreio insuficiente do Ministério da Saúde. A prevalência é maior do que o notificado. A deficiência afeta diretamente na erradicação da doença, já que só é possível combatê-la a partir da dimensão exata da situação.”

Para acessar o conteúdo do fórum na íntegra, clique aqui.

Sobre Instituto Lado a Lado Pela Vida (LAL)

Fundado em 2008, o Instituto LAL é a única organização social brasileira que se dedica simultaneamente às duas principais causas da mortalidade - o câncer e as doenças cardiovasculares - além do intenso trabalho relacionado à saúde do homem. Sua missão é mobilizar e engajar a sociedade e gestores da saúde, contribuindo para ampliar o acesso aos serviços, da prevenção ao tratamento, e mudar para valer o cenário da saúde no Brasil. Trabalha para que todos os brasileiros tenham informação e acesso à saúde digna e de qualidade, em todas as fases da vida. Além do Novembro Azul, o Instituto Lado a Lado pela Vida é o idealizador das campanhas Respire Agosto, Siga Seu Coração, Mulher Por Inteiro e #LivreSuaPele.


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