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Sem filtro de proteção, pacientes traqueostomizados correm mais riscos com coronavírus

  • Quinta, 30 Abril 2020 10:14
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Fernanda d'Avila
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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No meio da pandemia, Associação de Câncer de Boca e Garganta luta para conseguir distribuição de insumos

“Se a gente pensar a contaminação pelo coronavírus como uma corrida de 800 metros, enquanto nas pessoas em geral o vírus começa do zero, no paciente traqueostomizado já sai dos 400 metros. O filtro minimiza essa desvantagem do paciente”, afirma o otorrinolaringologista Roberto Campos Meirelles, que atua no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Hospital do Fundão), da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O médico explica que isso acontece porque a via de entrada do coronavírus é geralmente a boca ou a fossa nasal e ele vai colonizar na parte de trás, entre o nariz e a garganta. “Quando entra direto pela traqueia, tem a chance de ir direto para o pulmão. Ainda não há estudos sobre isso, mas deduzimos que pode ser bem mais perigoso, porque tem acesso direto ao pulmão”.

O paciente com traqueostomia não conta com o mecanismo protetor da função nasal. “Quando a gente faz a respiração normal, inala o ar pelo nariz, que tem função de filtrar, aquecer e umedecer o ar para que chegue ao pulmão em condições propícias. Sem esse mecanismo de filtro, aquecimento e umidificação, o ar entra frio, seco e vai direto da traqueia para os brônquios; adicione-se a este as defesas naturais pelos anticorpos secretores e células de defesa existentes na mucosa nasal e faríngea”, esclarece Meirelles.

Melissa Ribeiro, sobrevivente de câncer de laringe e presidente voluntária na ACBG Brasil – Associação de Câncer de Boca e Garganta, explica que a entidade tem feito contato com representantes estaduais para garantir distribuição de filtros para proteger os pacientes. “Nós respiramos por uma estomia (comunicação entre a traqueia e o meio externo) no pescoço, em virtude da retirada da laringe. Sem respirar pela boca e nariz, perdemos essa proteção natural do organismo”. Uma das preocupações é de que grande parte dos traqueostomizados têm em média 60 anos, são pacientes oncológicos e têm imunidade mais baixa, fatores que os colocam no grupo de risco de desenvolver complicações da covid-19. Santa Catarina é, por enquanto, o único estado do Brasil que distribui insumos que o paciente necessita, como filtro e adesivos.

“Com a traqueostomia sem proteção, em um ambiente onde há alguma gotícula ou aerossol, se passa um paciente com alguma doença, sem a proteção do nariz e sem o reflexo protetor da laringe, que elimina pela tosse quando entra algo estranho, o vírus pode entrar pela traqueia e ir para o pulmão. Se o paciente está dormindo, até um inseto pode entrar. Tudo isso facilita a infecção da via aérea. É como uma casa com a porta aberta, onde o ladrão vai entrar primeiro”, afirma o otorrinolaringologista. Por isso, até para dormir o paciente necessita usar filtro, que tem a função de diminuir ou impedir a entrada de vírus e bactérias diretamente na árvore respiratória.

O médico lembra que nessa época do ano a temperatura cai bastante, o ar fica mais seco, mais propício a provocar irritações nas vias aéreas, deixando o paciente mais exposto a contrair infecções respiratórias. “O filtro ajuda a fazer essa proteção, substituindo em parte a função do nariz. O paciente sem filtro fica mais vulnerável a contrair infecções, não apenas covid-19, mas também H1N1 e outras que também causam problemas pulmonares importantes”.

Para concluir, Meirelles levanta um questionamento: “Quanto vai se gastar em filtro para os pacientes e quanto vai se economizar em tratamentos de doenças infecciosas pulmonares ou doenças resultantes de entrada de vírus e bactérias?”.

Cenário no Brasil

O Instituto Nacional de Câncer – INCA estima que para o triênio 2020-2022 haverá, por ano, 6.470 novos casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em mulheres. Segundo o INCA, sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer de laringe ocupa a oitava posição nas regiões Centro-Oeste e Nordeste; nona posição nas Regiões Sudeste e Norte; e 11ª na Região Sul. Entre as mulheres, ocupa a 16ª posição em todas as Regiões brasileiras, exceto na Sudeste (1,03/100 mil) que fica na 17ª.


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