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Março amarelo: Entenda os riscos da endometriose

No mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a ação não poderia ser outra, que não em prol da saúde delas. A campanha Março Amarelo, com o objetivo de incentivar a prevenção contra a endometriose, tem ganhado força após a aprovação pelo plenário da Câmara dos Deputados em fevereiro, da criação do Dia Nacional da Luta Contra a Endometriose, em 13 de março, e da Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a endometriose atinge cerca de 15% de toda a população feminina mundial em idade reprodutiva - cerca de 180 milhões de mulheres. No Brasil, são cerca de 7 milhões de casos, o que corresponde a aproximadamente uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.

De acordo com o ginecologista da Clínica Penchel, Henrique Barreto, a endometriose é uma doença estrógeno-dependente, sendo caracterizada pela inflamação crônica no sistema reprodutor feminino devido a presença de glândulas ou estroma endometriais fora da cavidade uterina. “Resultante de fatores genéticos, desequilíbrios imunológicos e disfunção endometrial, a doença também possui ligação com o estilo de vida da paciente. O endométrio é a membrana mucosa que reveste a parede uterina, sendo composto por epitélio cilíndrico simples, estromas e vasos. Quando há fluxo menstrual retrógrado e a implantação de tecido endometrial dentro do abdome, a inflamação acontece, e esse tecido pode alcançar órgãos próximos, como os ovários e a cavidade abdominal”, esclarece.

Comumente associado a dores e cólicas menstruais, esse distúrbio pode passar despercebido pelos pacientes, o que aumenta a gravidade dos casos diagnosticados. A endometriose é uma doença de caráter progressivo, pois à medida que os implantes vão se infiltrando e ativando a própria produção de estrogênio, a sua quantidade vai aumentando com as novas menstruações. “É necessário atenção aos primeiros indícios, que são as dores na região vaginal, fluxo intenso, alterações no hábito intestinal e cólicas menstruais muito doloridas”, diz Barreto.

Segundo o médico, a endometriose pode ser suspeitada clinicamente e identificada por meio de exames específicos, como o ultrassom transvaginal e a ressonância magnética. “Mas é importante lembrar que o diagnóstico definitivo exige um exame cirúrgico capaz de visualizar e biopsiar as lesões, a chamada laparoscopia”, avalia.

O diagnóstico tardio contribui para o surgimento de complicações, em alguns casos irreversíveis, como a infertilidade - de acordo com o Ministério da Saúde, em 40% dos casos, as mulheres se tornam inférteis. Outras complicações incluem as obstruções intestinais e urinárias, que podem levar à infecção generalizada. “O risco aumenta quando há focos extensos no intestino e especialmente nos orifícios da bexiga, por onde chega a urina vinda dos rins”, explica o ginecologista.

Apesar dos riscos, não existem dados de que a doença tenha levado alguma mulher a morte. “O diagnóstico precoce permite tratar problema antes que ele se agrave. Vale também lembrar que não há cura, mas nos casos em que a remoção cirúrgica é necessária, o procedimento é capaz de resolver parcialmente o quadro clínico na maioria das vezes. Visto que com novas menstruações a intensidade da doença e da dor podem retornar”, destaca o médico.



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