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Athletic Bilbao: o clube de futebol que incentiva os jogadores a ler e a ver filmes

Athletic Bilbao: o clube de futebol que incentiva os jogadores a ler e a ver filmes

Time espanhol organizará a sétima edição do seu festival de cinema neste mês

O Athletic de Bilbao (ESP) é possivelmente o único time de futebol do mundo em que o futebol não é a única atividade central de preparação dos jogadores. Ler, assistir filmes, participar de eventos culturais e se inteirar dos assuntos políticos também fazem parte do cotidiano do clube.

Em 2015, por exemplo, a diretoria lançou o Athletic Club de Lectura, uma atividade em que os torcedores propõem um livro aos jogadores (dos times masculino e feminino), treinadores e outros representantes públicos e estes, por sua vez, precisam comentar suas impressões sobre as obras em colóquios organizados posteriormente.

A ideia é apenas uma entre as várias construídas pela Fundación Athletic, criada em 2002 para gerir programas sociais mantidos pelo clube. Seis anos depois surgiu sua vertente cultural, com a chegada de Galder Reguera, responsável pelas atividades da entidade e impulsionador de todos os projetos do Athletic desde então. Na época, apenas o time do País Basco tinha uma fundação entre todos da Espanha.

"Aqui tem muita gente que sente as cores do Athletic, mas não gosta muito de futebol. Os valores que esse time representa não são estritamente futebolísticos, e a programação cultural ajuda a mostrar isso", comentou ele ao jornal El País.

Em dez anos de atividade, Reguera consolidou um extenso conjunto de atividades ao redor da equipe de futebol: o Thinking Football, por exemplo, é um festival de cinema (principalmente documental, mas também de ficção) em que a bola é a grande protagonista, e o Letras y Fútbol é um projeto que concentra todas as ideias literárias do Athletic. No seio dele está o Athletic Club de Lectura.

O objetivo dos colóquios entre jogadores, treinadores e torcedores é fomentar a leitura não como um hábito solitário, mas como uma experiência social, fazendo dos atletas do clube o principal exemplo. "Não sou muito de ler, e por isso mesmo que me animei a participar", contou o lateral-esquerdo Mikel Balenziaga, ao mesmo periódico -- ele é um dos membros do clube de leitura. No dia do encontro, os torcedores tiveram um encontro com o jogador, vestido com o uniforme de treino e um tênis nike masculino, no estádio San Mamés -- debateram com ele e, depois do evento, ainda se juntaram em um almoço.

"Foi uma maneira de começar a ler com mais frequência. Minha ideia era fazer o possível para que eles se abrissem, mas no final foi o contrário: eles que me ajudaram. Foi muito divertido para todos. Esse tipo de atividade enriquece, ajuda a ver o futebol e o Athletic de outra maneira. Não acho que muitos times façam algo parecido", comentou Balenziaga. A maior parte do público do colóquio com ele, segundo o El País, foi formado de crianças -- a leitura da vez era Lo que mueve el mundo (sem tradução para o português), do escritor espanhol Kirmen Uribe.

O mesmo aconteceu com a goleira do time feminino do Athletic, Ainhoa Tirapu, que defende as cores do clube há 14 temporadas. Ela participou do segundo Club de Lectura: "Temos o privilégio de ter uma fundação que nos ajuda a ser agentes de mudança social e cultural. E também é um meio para os jogadores que querem se sentir realizados para além da bola. Com isso, o clube consegue mostrar até que ponto eles também fazem parte de algo especial", disse.

Para o presidente do Athletic, a formação social e intelectual do atleta é tão importante quanto a técnica e a habilidade com a bola nos pés. "Se um jogador não dá entrevistas, não fala, não escreve, não lê, não repercute na sociedade, está perdendo recursos. E além disso, não se sente plenamente realizado", afirmou Aitor Elizegi.

"Nosso principal recurso são os jogadores e a forma de trabalhar com eles se parece de alguma maneira com a economia circular: nós os transformamos em esportistas de alto rendimento para obter resultados, mas também geram algo mais. Por isso que formamos essas pessoas", completou.

O Athletic já organizou mais de 15 clubes de leitura em três anos. Já passaram por eles atletas como Xabier Etxeita (hoje capitão do Huesca, da primeira divisão), Mikel San José, Lucía Córdoba e Maite Oroz, além de ídolos do clube, como o ex-goleiro e ex-técnico José Ángel Iribar e do ex-meia Carlos Gurpegui, que se aposentou em 2016. No entanto, o Letras y Fútbol possui mais atividades: o principal são os encontros de literatura e futebol, que em novembro chegaram à nona edição.

É difícil encontrar figuras literárias que falam de futebol em suas obras e que não passaram por Bilbao: os encontros já tiveram as presenças de jornalistas e escritores como Eduardo Mendoza (Prêmio Cervantes em 2017), Eduardo Galeano, Philip Kerr, Bernardo Atxaga, Hernán Casciari e Enric González.

O Letras y Fútbol ainda presenteou o mundo do futebol com momentos únicos, como a leitura-homenagem de O futebol ao sol e sombra, de Eduardo Galeano, pelos goleiros atuais do Athletic quando da morte do escritor uruguaio, ou quando o alemão David Safier, escritor de Maldito karma, foi filmado sentado com sua máquina de escrever no centro do San Mamés, escrevendo um conto chamado Replay. A fundação o editou em sua coleção de relatos de quadrinhos e entregou para bibliotecas e livrarias bascas, mas também deu para os moradores de Bilbao nas portas do metrô.

O festival de cinema Thinking Football chegou à sétima edição neste mês. Nesse tempo, se tornou um marco indispensável para os filmes e documentários de futebol. Por eles passaram o alemão Thomas Hitzlsperger, o último jogador importante a reconhecer publicamente sua homossexualidade (ele acabou de ser nomeado diretor esportivo do Stuttgart, da Alemanha), que foi falar sobre o filme The Pass, do diretor britânico Ben A. Williams, que narra a história de amor de dois jogadores de futebol companheiros de equipe. Ou o ex-treinador estadunidense Bob Bradley, que protagonizou um documentário sobre o período em que treinou a s e l e ç ã o egípcia enquanto o país se levantava contra a ditadura de Mubarak. Ou o meia Iñaki Williams, de origens ganesa e liberiana, que foi falar de futebol e imigração depois de uma sessão do documentário Foot et immigration, 100 ans d'histoire, dirigido pelo ex-meia francês Eric Cantona.

Nesta edição, os desafios das mulheres no futebol em todo o mundo, a luta para erradicar a homofobia nos estádios e vestiários e a reconstrução da Chapecoense, clube brasileiro que perdeu quase todo o elenco depois de um acidente de avião, em 2016, estão entre os filmes selecionados.

"As histórias que se contam transmitem valores que compartilhamos. Nos movemos na mesma direção que a sociedade. Se fale de um jogador inglês ou de um argelino, seus comportamentos são um reflexo e um guia para a gente. Mesmo que não tenha nascido no Athletic", valorizou o atual presidente da fundação, Juan Carlos Ercorera. "A cultura conecta o clube com o mundo e, graças a ele, o Athletic segue sendo único no mundo", finalizou.

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