Brasil, 13 de Dezembro de 2019

TOKIO MARINE SEGURADORA

Mensagem... A arte de ouvir

  • Escrito ou enviado por  Redação do Momento Espírita
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Ela era uma senhora solitária, envolta no luto da dor, desde que o marido morrera. Vivia só, na grande casa do meio da quadra. Casa com varanda e cadeira de balanço.

Todas as manhãs, o entregador de jornais, garoto de uns dez anos, passava pedalando sua bicicleta e, num gesto bem planejado, atirava o jornal nos degraus da varanda.

Nunca errava. Paff! Era o sinal característico do jornal caindo no segundo degrau.

Então, numa manhã de inverno, quando se preparava para lançar o jornal, ele a viu.

Parada nos degraus da varanda, de pé, acenando-lhe para que se aproximasse.

Ele desceu da bicicleta e foi andando em direção a ela. O que será que ela quer? - Pensou o garoto. Será que vai reclamar de alguma coisa?

Venha tomar um café, falou a senhora. Tenho biscoitos gostosos.

Enquanto ele saboreava o lanche que lhe aquecia as entranhas, ela começou a falar.

Falou a respeito do marido, de suas vidas, da sua saudade. Passado um quarto de hora, ele se levantou, agradeceu e saiu. No dia seguinte e no outro, a cena se repetiu.

O menino decidiu falar a seu pai a respeito. Afinal, ele achava muito estranha aquela atitude.

O pai, homem experiente, lhe disse: Filho, ouça apenas. A senhora Almeida deve estar se sentindo solitária, após a morte do marido.

Deixe-a falar. Recordar os dias de felicidade vividos deve lhe fazer bem ao coração. É importante que alguém a ouça.

Nos dias que se seguiram, nas semanas e nos meses, o garoto aprendeu a ouvir, demonstrando interesse em seus olhos verdes e espertos.

Quando a primavera chegou, ela substituiu o café quentinho pelo suco de frutas. O verão trouxe sorvete.

Ao final, o entregador de jornais já iniciava sua tarefa pensando na parada obrigatória em casa da viúva. Habituou-se a escutar e escutar. Percebeu, com o tempo, que a velha senhora foi mudando o tom das conversas.

Como a primavera, ela voltou a florir, nos meses que vieram depois.

Quando o ano findou, o menino foi estudar em outra cidade.

O tempo se encarregaria de lecionar mais esperança no coração da viúva e amadurecer ideias no cérebro jovem.

Muitos fatores contribuíram para que o garoto e a viúva não tornassem a se encontrar. Contudo, uma lição o acompanhou por toda a vida. Ele nunca se esqueceu da importância de ouvir as pessoas, suas dificuldades, seus problemas, suas queixas.

Lição que contribuiu também para o seu sucesso como esposo, pai de família e profissional.

* * *

Saber ouvir é uma virtude. De um modo geral, nos cumprimentamos, perguntando uns aos outros, como está a saúde e a dos familiares.

Raramente esperamos por uma resposta que não seja a padrão: Tudo bem.

Normalmente, se o outro passa a desfiar o rosário das suas dores e a problemática da família, nos desculpamos apontando as nossas obrigações e quefazeres.

Entretanto, quando nos sentimos tristes, desejamos ardentemente que alguém nos ouça, que escute a cantilena das nossas mágoas.

Pensemos nisso. Mas pensemos agora, enquanto ainda nos encontramos a caminho com nossos irmãos, na estrada terrena.

Redação do Momento Espírita, com base no texto
O que aprendi com os vizinhos, de Seleções
Reader´s Digest, de abril de 1999.
Em 11.11.2019.


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