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Eleições na Argentina: país vai às urnas de olho no dólar

  • Quinta, 19 Outubro 2023 18:31
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Neide Martingo
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Imagem 1: Inflação ao consumidor anual na Argentina (jan/19 a set/23) - Fonte. br.investing.com

Os argentinos vão às urnas no próximo domingo (22) para o primeiro turno das eleições presidenciais em meio a uma profunda crise econômica, com inflação elevada e desequilíbrios com as contas externas.

Após surpreender nas Primárias Internas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) em agosto, o ultraliberal Javier Milei (Libertad Avanza) lidera o pleito, segundo as últimas pesquisas divulgadas. Milei promete a dolarização da economia, um forte ajuste fiscal com cortes de gastos e o fim do Banco Central como plataforma para retirar a economia da Argentina da crise atual.

Corrida eleitoral

O candidato ultraliberal, que se denomina anarcocapitalista, venceu as primárias de agosto com 30,04% dos votos, seguido pelo candidato da situação, o peronista e atual ministro da Economia Sergio Massa (Unión por la Pátria), que obteve 21,4%, e da candidata da oposição Patrícia Bullrich (Juntos por el Cámbio), que recebeu 17% dos votos. Como nas primárias podia haver mais de um candidato por partido, a oposição do Juntos por el Cámbio ficou em segundo lugar na soma de votos de seus candidatos, com 28,27%.

O situacionista Unión por la Patria de Sergio Massa ficou logo atrás, com 27,27% na soma dos votos do partido. Por ter Milei como candidato solitário, o Libertad Avanza ficou na dianteira com os mesmos 30,04% dos votos recebidos pelo ultraliberal.

O resultado das primárias continua refletido nas últimas pesquisas de opinião de votos. Milei lidera (por volta de 34% e 35% das intenções de voto), enquanto Massa está em segundo, com aproximadamente 29% e 30%, enquanto Bullrich tem entre 24% e 25% na terceira posição.

Dessa forma, é provável que o pleito presidencial do país vizinho se encaminhe para o segundo turno, que será realizado em 19 de novembro. Para vencer no primeiro turno, o candidato tem que receber ao menos 45% dos votos, ou 40%, caso fique mais de 10 pontos percentuais em relação aos demais candidatos. Em caso de segundo turno, Milei mantém o favoritismo.

Dólar

O Banco Central da República Argentina (BCRA) decidiu elevar, no dia seguinte às primárias (14/8), a taxa básica de juros em 21 pontos percentuais, de 97% para 118% - que foi elevada novamente semana passada para 133%, após a inflação anual em setembro avançar para 138%. Além disso, o BCRA fixou a taxa de câmbio oficial em 350 pesos por dólar até a eleição.

Além de ter outras cotações oficiais da moeda norte-americana, a economia argentina tem a cotação de um dólar paralelo conhecido como “dólar blue”, no qual a autoridade monetária tem pouco controle. Com isso, a perspectiva de vitória de Milei e sua promessa de dolarização da economia, somada à crise da economia do país, fez o dólar blue disparar desde as primárias.

A cotação subiu 61%, de 600 pesos do dia 11 de agosto (sexta-feira antes das primárias) para 970 pesos na cotação de 12/10. O dólar paralelo chegou a ser negociado a 1.000 pesos nas ruas de Buenos Aires neste mês. Além da perspectiva de vitória de Milei, que poderia sacramentar o fim do peso como moeda nacional argentina, o candidato ultraliberal já incentiva seus eleitores a buscarem proteção no dólar e se desvencilhar do peso.

Imagem 2: Cotação do dólar ‘blue’ na Argentina (28/6/23 a 12/10/23)

 

Fonte. br.investing.com

Para a equipe econômica de Milei, a Argentina precisaria de US$ 30 bilhões para dolarizar a sua economia, segundo relatos na imprensa. Para economistas, a projeção é de US$ 60 bilhões. Segundo alguns cálculos, a estimativa é de que haja 13,6 trilhões de pesos atualmente mantidos em depósitos a prazo, de acordo com o Valor Econômico.

Críticos da medida, baseados em preceitos básicos da literatura econômica, apontam que, caso efetivada, resultaria em perda de controle da política monetária para a economia argentina, que não teria mais capacidade de determinar a taxa de juros e administrar a quantidade de moeda em circulação.

Desequilíbrios externos

Já as reservas internacionais argentinas somam aproximadamente US$ 25 bilhões, embora alguns economistas apontem que elas estão negativas. Após as primárias, a Argentina recorreu a um empréstimo do Catar, um swap cambial em iuanes (moeda chinesa) e um empréstimo do CAF para cumprir seus compromissos. Além disso, recebeu um novo aporte de US$ 7,5 bilhões da linha de crédito obtida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2018, mesmo com o fundo reconhecendo que a economia do país não tenha cumprido as metas do programa de reestruturação, devido à seca histórica e erros na política econômica.

A dificuldade em honrar seus compromissos externos é decorrente da seca histórica que comprometeu a agricultura do país, o principal setor exportador. A estimativa é de que a economia argentina deixou de receber cerca de US$ 20 bilhões (3% do PIB) em 2023, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

A perspectiva de uma alta de 138% na colheita soja e de 61% na de milho na próxima safra após a forte seca é a esperança de atenuar o desequilíbrio externo, além de menor demanda por energia do exterior, após a inauguração de um gasoduto que liga o polo produtor de gás natural de Vaca Muerta no sul do país à província de Buenos Aires. A elaboração e implementação de um plano de estabilização econômica por meio de um ajuste fiscal para controlar a inflação do país, independentemente de quem seja o vencedor do pleito, também são vistas como necessário, de acordo com economistas.

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