SEGS Portal Nacional

Economia

Será que Elon Musk mudará a indústria de Venture Capital para sempre?

  • Segunda, 16 Mai 2022 11:48
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Natália Peixoto
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

O fato já é notório por sí só: Elon Musk comprou sua mídia social favorita Twitter por US$ 44 bilhões, no maior movimento que um único investidor já realizou para comprar um negócio. Seu objetivo é simples: mudar a estrutura do negócio para que a empresa se torne mais interessante e rentável. E fará isso fechando o capital social da empresa, tornando-a privada após quase 10 anos na bolsa.

Aqui reside o ponto interessante.

Twitter, assim como outras empresas egressas do setor de tecnologia, enfrenta uma complicada jornada com a abertura de seu capital na bolsa - leia-se saída dos primeiros investidores para colher o fruto do retorno sobre seus aportes ao longo do tempo. Mais da metade dos IPOs realizamos na NASDAQ em 2020 e 2021 operam hoje em valores menores do que na data de lançamento. O índice da mesma bolsa que avalia as principais empresas apresenta queda de 15% ao longo do primeiro trimestre de 2022, enquanto o da bolsa mais tradicional de Nova Iorque (NYSE) recua somente 4%.

Soma-se a isso ao momento macroeconômico: a soma de inflação global e início de uma curva ascendente de juros para contenção no mundo todo leva a uma estratégia mais conservadora dos investidores. Venture Capital é uma família de investimento de alto risco logo teremos menos recursos para este segmento. Já existem rodadas acontecendo no BR e EUA com decréscimo de 20-30% em relação ao valor previamente em captação. E o cenário pode ficar ainda mais apertado com os juros básicos das principais economia globais ainda mais altos, o que pode gerar uma crise econômica global.

Parece um cenário muito complicado para o Venture Capital e as startups certo?

Talvez. Mas é em cenários assim que tanto nascem negócios com maior potencial de retorno ao longo do tempo, com uso mais racional de caixa versus crescimento, e um novo olhar sobre esta classe de ativos. Por um lado talvez tenhamos uma oportunidade única para as empresas e suas estratégias de Corporate Venture tomarem uma posição inédita de protagonismo no mercado, até porque a demanda de transformação digital e inovação continua latente, e uma organização com fundo de investimento em startups olha outras perspectivas de retorno além do retorno financeiro: acesso a pessoas, mercados, tecnologias, estratégias e sinergias. Fará muito mais sentido o corporate aumentar o apetite sobre as empresas com valores depreciados em relação ao vimos em 2020 e 2021.

Do outro lado - também uma mudança estrutural de mercado - as startups provavelmente enxergarão que chegar à bolsa e/ou ter o mítico status de unicórnio (valuation acima de R$ 1 bilhão) pode ser uma jornada cansativa, incerta e de retorno duvidoso com este ciclo de fortes desvalorizações (ainda que em parte por causa do excesso de dinheiro no mercado e planos de negócios pouco sustentáveis). Ou seja, a ciclo de vida de uma startup vai cada vez mais será orientado para uma venda a outra empresa ou fusão com um concorrente ou empresa complementar. E os investidores terão uma saída menor, porém mais consistente.

Mas tudo isso dependente de um único elemento extra. Somente uma crise econômica não muda muita coisa na dinâmica entre Venture Capital e Startups - já vivemos outras no passado e o cenário não é exatamente diferente em termos de movimentos. Agora se o Twitter se tornar uma empresa muito mais rentável e interessante a médio prazo e porque se tornou privada... O paradigma do ecossistema muda de forma estrutural e o comportamento dos seus agentes (investidores, empresas e empreendedores) será outro, mudando o cenário global da inovação.

Sim, Elon Musk pode mudar o Venture Capital para sempre. Mas não será através de um tuíte.

Mini Bio João Gabriel Chebante:

João Gabriel Chebante é especialista em Corpore Venture do Grupo FCamara. Com 15 anos de experiência e com os últimos quatro atuando focado no mercado financeiro, Gabriel atua como consultor de inteligência de mercado para assessorias e gestoras de recursos, bem como auxilia o private equity e o venture capital a encontrarem os melhores negócios para investidores e vice-versa.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+ECONOMIA ::

Abr 24, 2026 Economia

O conforto da renda fixa custa caro ao investidor de…

Abr 23, 2026 Economia

Geração Z lidera intenção de compra de imóveis no Brasil

Abr 22, 2026 Economia

Investimentos no exterior exigem atenção redobrada na…

Abr 17, 2026 Economia

Erro na declaração de imóveis no Imposto de Renda pode…

Abr 15, 2026 Economia

Importação antecipada redefine estratégia do varejo…

Abr 15, 2026 Economia

Stablecoins e empresas: uma love story

Abr 14, 2026 Economia

Dívida das famílias atinge 49,7% da renda e limita…

Abr 13, 2026 Economia

Novas regras devem simplificar a regularização de…

Abr 10, 2026 Economia

CVM acolhe pedido da OnilX para definir que efeitos de…

Abr 09, 2026 Economia

IR 2026 já está em andamento: por que empresários no…

Abr 08, 2026 Economia

O que explica a alta da Bolsa mesmo com a guerra?

Abr 07, 2026 Economia

Faturamento alto e lucro baixo expõe falhas na gestão…

Abr 06, 2026 Economia

Homens devem 30% a mais que as mulheres , mostra índice

Abr 02, 2026 Economia

Compra do primeiro imóvel deve movimentar R$ 375…

Abr 01, 2026 Economia

Valorização de 6,52% em 2025, preço dos imóveis no…

Mar 31, 2026 Economia

Crédito com garantia de imóvel avança e atrai novos…

Mais ECONOMIA>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version