SEGS Portal Nacional

Economia

Coface atualiza cenário global macroeconômico e passar a prever crescimento de 0,4% para o PIB brasileiro

  • Quinta, 31 Março 2022 10:05
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Ana Saito
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

Segundo Patrícia Krause, economista-chefe da Coface América Latina, inflação segue como uma das principais preocupações no país

A Coface, líder global em seguro de crédito comercial e em serviços especializados, ajustou a sua projeção para o desempenho da economia brasileira em 2022. A previsão agora é de um crescimento de PIB de 0,4% neste ano, ante expectativa anterior de estabilidade.

“Tivemos no começo de março a divulgação do PIB do ano passado, uma alta de 4,6% e um quarto trimestre um pouco melhor, uma expansão de 0,5%, em relação ao trimestre anterior, levando a economia ao nível 0,5 acima do patamar pré-pandêmico do quarto trimestre de 2019. Isso acabou gerando também um carregamento estatístico de 0,3%. Isso quer dizer que mesmo que a economia ficasse constante nos quatro trimestres deste ano, teríamos uma alta de 0,3%, o que nos levou a melhorar um pouco a estimativa do PIB, de estabilidade para uma alta de 0,4%”, afirmou Patrícia Krause, economista-chefe da Coface América Latina, durante a apresentação sobre a “Atualização do contexto macroeconômico global”.

No entanto, segundo a economista, a preocupação com a inflação segue relevante. Na sua avaliação, embora o IPP em 12 meses (índice de preço ao produtor) tenha mostrando uma desaceleração nos últimos meses, a alta de preços das commodities pode pressionar novamente o indicador. “O que alivia um pouco é a situação do câmbio, mas ainda sim as altas de preços de commodities no mercado internacional são bastante expressivas”, disse.

Patrícia destacou que a taxa de juros real positiva tem ajudado o desempenho do câmbio junto com o aumento de preço das commodities. Segundo ela, esse cenário, aliado à queda de mais de 10% na Bolsa em 2021- o que deixou os ativos brasileiros mais atrativos para o investidor estrangeiro – contribui para a entrada de fluxo de investimento de curto prazo.

“É claro que o câmbio é sempre uma variável muito volátil. É um cenário muito incerto, é difícil saber se o câmbio vai se apreciar ainda mais. No segundo semestre, a gente tem alguns fatores adicionais de risco; então pode haver um viés de depreciação novamente”, ponderou.

Entre os fatores de risco, a economista destacou a condução da política monetária dos países desenvolvidos, principalmente o comportamento do Fed, e as eleições presidenciais no Brasil. “Sabemos que a situação fiscal do país é um calcanhar de Aquiles. Então, no segundo semestre, com a discussão de planos para a consolidação fiscal, podemos sentir uma volatilidade maior na taxa de câmbio”, acrescentou.

Cenário global de estagflação

Patricia também falou dos impactos da guerra entre a Rússia e Ucrânia na economia global, que completou um mês na última semana. “A situação deteriorou-se muito e é difícil estimar possíveis resoluções e quando serão tomadas. Agora, começa uma nova rodada de negociação na Turquia”, comentou.

Para a economista, as sanções impostas à Rússia foram mais severas que as esperadas - proibição de exportações, desconexão com o sistema SWIFT, congelamento das reservas -, o que acaba isolando o país.

“De um modo geral, o impacto é de queda na atividade econômica global e de alta da inflação. Se no começo do ano, já discutíamos a preocupação com a inflação no Brasil e no cenário global, ela ganhou ainda mais força por conta de a região Rússia – Ucrânia ser grande produtora de commodities energéticas, agrícolas e minerais e possíveis novas interrupções nas cadeias de suprimentos. Aí, vem o receio do cenário de estagflação, caracterizado por baixo crescimento do PIB e inflação elevada, levando os Banco Centrais a repensarem suas políticas de taxas de juros”, explicou.

Diante do cenário imposto pela guerra, a Coface projeta que o crescimento da economia mundial desacelere para 3,6% em 2022, após uma alta de 5,6% estimada no ano passado. Segundo Patrícia, há ainda um viés de baixa por não ser possível saber por quanto tempo se estenderá o conflito.

No caso dos Estados Unidos, a taxa de expansão do PIB deve cair de 5,6% em 2021 para 3,7% neste ano. A China terá uma desaceleração de 8,1% para 5,2%, no período.

Para a Zona de Euro, região fortemente impactada pelas tensões geopolíticas, o crescimento econômico previsto pela Coface é 2,8% em 2022, ante os 4% estimados incialmente. Segundo a economista, há vários canais de contágio na região, como o poder de compra impactando consumo das famílias, interrupções nas cadeias de suprimentos e sanções da Rússia, deterioração do sentimento econômico reduzindo os investimentos e a falta de grandes estímulos fiscais. “O impacto, médio, estimado é de uma queda de 1,2 p.p. para a taxa de crescimento e uma alta de 1,8 p.p. para a inflação em 2022. No grupo de países com maiores revisões de perspectiva de crescimento, temos o caso da Alemanha e da Itália por conta da maior dependência do gás natural da Rússia, em comparação com outros países”, acrescentou.

Já a América Latina não será poupada pela guerra, mas deve ser relativamente menos afetada. Segundo a economista, o fluxo comercial entre os dois países e o mercado latino-americano é pequeno. Rússia e Ucrânia representam apenas 0,5% e 0,04%, respectivamente, do total das exportações da região. No caso das importações, as fatias são de 0,4% e 0,03%.

“Além de esses países não serem tão representativos, tem o fato da região ser beneficiada pela alta dos preços das commodities, que não devem ter grandes dificuldades de realocação para outros mercados. Já nas importações o que chama atenção é a forte dependência de fertilizantes, do total importado pela América Latina da Rússia, 48% são fertilizantes. No Brasil, há uma preocupação do Ministério da Agricultura e negociações com Canadá. Há indicativos também que teremos um maior volume do Canadá, embora não seja claro se isso possa ser suficiente para a próxima safra”, completou.

Coface For Trade tem 75 anos de experiência e a mais ampla rede internacional. A empresa é líder em seguros de crédito comercial e serviços especializados adjacentes, incluindo Factoring, Cobrança de Dívidas, Seguro de Risco Único, Bonding e Serviços de Informação. Os especialistas da Coface trabalham no ritmo da economia global, auxiliando mais de 50.000 clientes, em 100 países, para a construção de negócios dinâmicos e em crescimento, sucesso em todo o mundo. A Coface orienta as empresas em suas decisões de crédito. Os serviços e soluções do Grupo fortalecem a capacidade de venda, protegendo o cliente de riscos de inadimplência nos mercados interno e externo. Ao final de 2020, a Coface empregava 4.450 pessoas e registrou faturamento de €1,45 bilhões. www.coface.com.br

A COFACE SA. está listada no Compartimento A da Euronext Paris. Código ISIN: FR0010667147 / Mnemônico:COFA


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+ECONOMIA ::

Mar 09, 2026 Economia

Na hora de escolher o imóvel, a palavra final é delas

Mar 06, 2026 Economia

Contribuintes podem destinar parte do Imposto de Renda…

Mar 05, 2026 Economia

Ano eleitoral pede planejamento financeiro rigoroso e…

Mar 04, 2026 Economia

Custos invisíveis de produção desafiam rentabilidade da…

Mar 03, 2026 Economia

Recuperação judicial é alternativa estratégica para o…

Mar 02, 2026 Economia

A Reforma Tributária e as negociações sindicais: como…

Fev 27, 2026 Economia

Malha fina: veja os erros mais comuns no Imposto de…

Fev 27, 2026 Economia

Pagamento por Pix no ponto de venda: praticidade no…

Fev 26, 2026 Economia

Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio…

Fev 25, 2026 Economia

Queda de 1 ponto no juro do financiamento imobiliário…

Fev 24, 2026 Economia

Planejamento tributário inadequado aumenta riscos e…

Fev 23, 2026 Economia

Você sabe como fica a rotina do empreendedor com a…

Fev 20, 2026 Economia

Da teoria à prática: como a Reforma Tributária deve…

Fev 19, 2026 Economia

Mercado de financiamento de litígios chega a US$ 20…

Fev 18, 2026 Economia

Reforma Tributária muda regras do aluguel e aumenta…

Fev 13, 2026 Economia

Planejamento financeiro é estratégia indispensável para…

Mais ECONOMIA>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version