SEGS Portal Nacional

Economia

Dezembro encerra com 74,5% das famílias endividadas na capital paulista

  • Segunda, 24 Janeiro 2022 10:52
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Adriana Gemignani
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

Em um ano, 688 mil lares entraram para o rol de endividados

A cidade de São Paulo encerrou 2021 com recorde de famílias endividadas e intenção de consumo limitada pela alta da inflação. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), de dezembro de 2020 até o mesmo período de 2021, 688 mil famílias entraram no rol de endividados. O total atual é de 2,98 milhões de lares com algum tipo de dívida. A taxa de endividados sobe sequencialmente desde novembro de 2020, chegando a 74,5%, em dezembro – recorde para a série histórica da pesquisa, que teve início em 2010.

Durante o ano, enquanto o endividamento registrou altas consecutivas, a inadimplência apresentou estabilidade. No décimo segundo mês de 2021, o porcentual das famílias com dívidas em atraso obteve redução em relação a novembro, ficando em 20,2%. Em relação ao mesmo período de 2020, houve avanço de 1,2 ponto porcentual (aumento de 54 mil famílias inadimplentes). Atualmente, o total de lares com dívidas em atraso soma 805,5 mil. Os tradicionais “feirões de limpa nome”, realizados nessa época do ano – além da renegociação com condições especiais para a regularização da dívida em atraso –, são algumas das razões para a estabilidade, mesmo diante do aumento do número de endividados.

O tempo de comprometimento da dívida chegou, em dezembro, à média de 7,9 meses – maior nível desde junho de 2020. As dívidas com período superior a um ano são as que mais têm registrado aumento: de 32,9% para 41% em 2021. O dado reflete que as famílias estão postergando os compromissos o máximo possível. O cartão e os carnês, por exemplo, estão sendo utilizados para diluição do compromisso no longo prazo, com objetivo de aliviar o bolso para o momento.

Com o desemprego e a inflação levando a uma retração do poder de compra, para se defender do aumento dos preços as famílias têm buscado o crédito como alternativa para manter o consumo, inclusive de itens essenciais. Prova disso, é que, no mês passado, a modalidade de cartão de crédito atingiu novo recorde entre os endividados (87%). Em dezembro de 2020, o porcentual era de 71,3%, o que representa alta, em termos absolutos, de 958 mil famílias com dívidas no cartão.

Ao longo de 2021, a Selic passou de 2% para 9,25% ao ano (a.a), encarecendo o crédito e os juros. Apesar do aumento e da maior seletividade do crédito, os carnês aparecem logo depois, com 21%. Embora o porcentual esteja um pouco abaixo dos meses anteriores, o patamar ainda é alto em termos históricos. Outras modalidades de crédito com porcentuais elevados são: financiamento de carro (14,3%), financiamento de casa (11,2%) e crédito pessoal (11,1%). Destes, o crédito pessoal está no maior patamar desde setembro de 2019, indicando a necessidade desse tipo de crédito para pagamentos de contas e despesas.

A despeito de o endividamento ter atingido todos os perfis de famílias em São Paulo, a proporção entre aquelas com renda abaixo de dez salários mínimos foi de 78%, enquanto entre aquelas com renda superior a esta quantidade, a taxa, em dezembro, ficou em 64,2%. Para ambas, no entanto, os patamares são recordes. Quando se analisa a inadimplência por faixa de renda, a discrepância é maior: 24,5% das famílias com menor poder aquisitivo têm dívidas em atraso, enquanto para as com renda mais elevada, a taxa foi de 9,3%. Em dezembro de 2020, os porcentuais registrados eram de 23% e 9%, respectivamente.

Intenção de consumo em queda

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da FecomercioSP, registrou leve queda de 0,2% em dezembro, atingindo 70,2 pontos. O atual patamar é praticamente igual ao de dezembro de 2020 (70,4). A oscilação do ICF próximo aos 70 pontos, durante 2021, indica que as variáveis que definem o consumo não avançaram como os consumidores gostariam. A inflação subiu mais de 10% em um ano, ao passo que o desemprego ainda atinge um contingente importante de pessoas na capital paulista.

Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou alta mensal de 2,4% e registrou 112 pontos. Em relação a dezembro de 2020, a pontuação é praticamente igual: 111,7 pontos. A diferença entre os indicadores está relacionada ao fato de o ICC contar com perguntas macro, amplas, sobre a situação do País em geral, (no momento e nos próximos anos), enquanto o ICF se restringe às variáveis que afetam o dia a dia das famílias, como renda, emprego e crédito. Desta forma, o consumidor sempre avalia que a sua situação é pior que a média – por isso a pontuação menor do ICF.

Notas metodológicas

PEIC

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela FecomercioSP desde fevereiro de 2004. São entrevistados aproximadamente 2,2 mil consumidores na capital paulista. Em 2010, houve uma reestruturação do questionário para compor a pesquisa nacional da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e, por isso, a atual série deve ser comparada a partir de 2010.O objetivo da PEIC é diagnosticar os níveis tanto de endividamento quanto de inadimplência do consumidor. O endividamento é quando a família possui alguma dívida. Inadimplência é quando a dívida está em atraso. A pesquisa permite o acompanhamento dos principais tipos de dívida, do nível de comprometimento do comprador com as despesas e da percepção deste em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos, além de ter o detalhamento das informações por faixa de renda de dois grupos: renda inferior e acima dos dez salários mínimos.

ICF

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo e Momento para Duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, no qual abaixo de cem pontos é considerado insatisfatório, e acima de cem pontos, satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível, a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos, ser uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias, assim como para as instituições financeiras.

ICC

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados com aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura. Esses dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, se apresenta como: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+ECONOMIA ::

Mar 10, 2026 Economia

Renda passiva com imóveis exige conta fechada e não…

Mar 09, 2026 Economia

Na hora de escolher o imóvel, a palavra final é delas

Mar 06, 2026 Economia

Contribuintes podem destinar parte do Imposto de Renda…

Mar 05, 2026 Economia

Ano eleitoral pede planejamento financeiro rigoroso e…

Mar 04, 2026 Economia

Custos invisíveis de produção desafiam rentabilidade da…

Mar 03, 2026 Economia

Recuperação judicial é alternativa estratégica para o…

Mar 02, 2026 Economia

A Reforma Tributária e as negociações sindicais: como…

Fev 27, 2026 Economia

Malha fina: veja os erros mais comuns no Imposto de…

Fev 27, 2026 Economia

Pagamento por Pix no ponto de venda: praticidade no…

Fev 26, 2026 Economia

Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio…

Fev 25, 2026 Economia

Queda de 1 ponto no juro do financiamento imobiliário…

Fev 24, 2026 Economia

Planejamento tributário inadequado aumenta riscos e…

Fev 23, 2026 Economia

Você sabe como fica a rotina do empreendedor com a…

Fev 20, 2026 Economia

Da teoria à prática: como a Reforma Tributária deve…

Fev 19, 2026 Economia

Mercado de financiamento de litígios chega a US$ 20…

Fev 18, 2026 Economia

Reforma Tributária muda regras do aluguel e aumenta…

Mais ECONOMIA>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version