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A valorização das nossas casas foi um caminho para as vendas em 2020 e segue como grande oportunidade de negócio em 2021

  • Quinta, 22 Abril 2021 11:33
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Camila Vasconcellos
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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por Felipe Mendes, General Manager Latam da GfK

A maneira como as pessoas vão encarar o consumo em 2021 está apoiada sobre quatro mensagens principais: O Lar e a Casa, que se valorizaram, se digitalizaram e se equiparam; Novos hábitos, consolidados por muitas compras; Figital - ou o fim das barreiras entre Físico e Digital; e a vitória de quem entrega Confiança e Simplificação no Figital.

No ano passado, a pandemia nos colocou pra dentro de casa e nos fez olhar melhor para o que antes era considerado quase que apenas um abrigo, um lugar seguro e de descanso. Passamos a enxergar esse cenário como o local permanente para nosso trabalho, educação, entretenimento e informação.

Além de abrir questionamentos mais profundos, como novos modelos de trabalho futuro, importância dos professores e educadores, quebra de paradigmas na indústria de shows, cultura e entretenimento, e até a busca por informação confiável e praticamente em tempo real, a valorização das casas aconteceu de uma maneira que não era vista há anos e por meio de muitas compras. Hábito que se apresentou como excelente negócio em 2020 e que seguirá forte em 2021.

Brasileiros equiparam seus lares

As melhorias feitas na casa das pessoas ocorreram no mundo inteiro, mas especialmente nos lares brasileiros. O consumo de tudo o que tem a ver com reforma e aperfeiçoamento cresceu em 2020, como a compra de móveis, materiais de construção, eletrodomésticos e eletrônicos - videogames e jogos, computadores, notebooks, smartphones, tablets, câmeras de vídeo para computadores, fones de ouvido, cartuchos de tinta, equipamentos de multimídia, e outros equipamentos de incremento para estudos ou home office.

Um dado interessante foi o crescimento de 41% na venda de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e produtos de tecnologia na América Latina no terceiro trimestre de 2020. A GfK cobre esse mercado no mundo inteiro, e esse comportamento não foi presenciado em nenhuma outra região. Até houve um incremento dessas vendas no Oriente Médio e nos países periféricos à Rússia, como Armênia, Belarus, Cazaquistão, Ucrânia, mas nada comparado ao Brasil. O que nos leva a crer que, quanto mais pobre a região, mais a população precisou equipar seus lares.

Na contramão, a compra de itens externos, como veículos e peças automotivas, combustíveis e lubrificantes, roupas e calçados, livros, jornais e artigos de papelaria, caiu.

O que ainda pode ser explorado: digitalização segue acelerada

Em 2021, alguns nichos do mercado de melhorias da casa ainda poderão gerar oportunidades de negócios: incremento e digitalização das casas, em aspectos como a digitalização da segurança e da iluminação, a realização de limpeza com robôs de limpeza, e a programação à distância do ar-condicionado, por exemplo.

E todo esse acesso pode incrementar a venda de serviços de helpdesk remoto ou de pacotes de serviços digitais, como Inteligência Artificial.

O lazer e o entretenimento seguirão como pilares fundamentais para mantermos a socialização. O entretenimento digital deve ser mantido por um tempo, especialmente com a vacinação ainda caminhando no país. Ou seja, vamos precisar nos imaginar dentro dos eventos e o uso de gadgets de realidade virtual ou aumentada vão nos proporcionar essa brincadeira. A busca por mais lazer físico segue forte, e a compra por imóveis maiores ou o êxodo para cidades do interior seguirá em alta.

A realidade virtual ou aumentada também pode ser um diferencial para lojas de móveis e decoração, ao permitir que seus consumidores testem uma mudança na casa antes de colocar a mão na massa ou de efetivar a compra.

Quando a fome bate

O número de consumidores globais que cozinham por hobby pelo menos uma vez por semana cresceu 10% em 2020. Esse hábito fez aumentar também a venda de produtos que facilitam o dia a dia na cozinha, como liquidificadores, sanduicheiras, cafeteiras, e fritadeiras sem óleo.

Mas, além das utilidades que simplificaram as tarefas domésticas e estimularam hábitos saudáveis durante nossa estadia prolongada em casa, as tendências para 2021 devem abranger outros nichos.

Receber visitas em casa é uma das primeiras coisas que as pessoas querem fazer quando houver um pouco mais de abertura pelas autoridades de Saúde.

O que abre oportunidades para empresas de food service, desde comida e bebida, passando pela locação de acessórios e até serviço de garçons; reparos domésticos ou aluguel de ferramentas, seja para pendurar um quadro, uma cortina, consertar um vazamento e etc; e limpeza especializada - pré e pós festa.

O cuidado com a saúde se intensifica

A busca por equipamentos que facilitem o acesso a informações de saúde deve seguir em alta neste ano: termômetros digitais, relógios com sensores biométricos, que medem batimentos cardíacos e monitoram a atividade física, filtros de água e de ar, máquinas de lavar roupa ou louça com sistema de vaporização.

No entanto, essa categoria deve se manter diversificada, com a busca por seguros de saúde, seguro-desemprego particular, seguro para pets e outros micro-seguros, o agendamento de consultas online - a telemedicina já responde por mais da metade dos atendimentos médicos no Brasil, e a retomada por viagens, ainda que virtuais, e a compra de produtos pets, ambos como uma busca pela saúde mental e emocional.

A compra online e offline e a compra online + offline

No Brasil, os pedidos online cresceram 57% no 2º trimestre de 2020 quando comparado ao 1º trimestre do mesmo ano. Quando comparado ao mesmo período de 2019, as vendas do e-commerce foram 111% maior que as de lojas físicas. Mas é importante notar que os varejistas com atuação somente online cresceram 17% nos três primeiros trimestres de 2020, enquanto que lojistas com atendimento apenas físico tiveram queda de 27% e aqueles com atuação tanto online quanto física, os chamados Click & Brick, cresceram 77%.

Esses números reforçam a análise do futurista William Gibson, que é um especialista em ciberespaço, de que nós provavelmente somos a última geração que vai fazer fronteira entre o físico e o digital. Cada vez mais, as pessoas entenderão como normal a união entre os dois mundos, o chamado Figital. Ou seja, não fará mais diferença comprar no ambiente digital ou no ambiente físico das empresas.

No entanto, por ser ainda um movimento novo e incerto, vence no Figital quem entrega mais confiança e simplificação para seus consumidores. E o que os clientes esperam das empresas? De acordo com o levantamento da GfK, entrega gratuita a domicílio, entrega rápida, clique e retire, suporte online ou instalação estão entre os itens de eleição de uma marca.

Ou seja, a atenção ao acesso do cliente, sua experiência de compra ponta a ponta, mix de categoria, e a logística bem feita podem, juntos, impulsionar as vendas online e manter a frequência e a penetração desse cliente no seu e-commerce.

Neste ano, há ainda espaço para explorar serviços no varejo, como a oferta de serviços financeiros, algo bastante comum no varejo, mas que pode ser expandido para seguros e oferta de crédito; cuidados adicionais para o lar, como a oferta de limpeza, e a ampliação do mix de produtos, e o anúncio publicitário tanto nas lojas físicas como virtuais das empresas.

Como se vê, a adaptação e evolução das empresas neste ano pós início da pandemia são estratégias fundamentais para alavancar negócios e se manter relevante no mercado. A aceleração da transformação digital é irreversível e abre caminhos importantes para o consumo em 2021. Se você tem a informação correta sua empresa pode prever mudanças de cenário, planejar, otimizar, competir e crescer.

Felipe Mendes, General Manager Latam da GfK


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