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Pix pode demorar a emplacar no varejo

  • Quarta, 24 Março 2021 11:23
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Raphael Bueno
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Especialista revela pontos de indefinição do novo meio de pagamento e apresenta indicações para que o uso da modalidade seja ampliado no setor

*Jeison Schneider, CEO do Meu Crediário

Lançado em novembro de 2020, o Pix já se tornou o recurso mais utilizado pelos brasileiros para realizar transferências de dinheiro de pessoa para pessoa (P2P), superando amplamente o TED e o DOC. Segundo dados do Banco Central, neste ano mais de 286 milhões de operações foram efetuadas por meio do Pix até meados de fevereiro, enquanto as TEDs somaram 53,2 milhões de transferências no mesmo período - 18,5% do volume total do PIX. Esse cenário já era esperado, afinal de contas as transferências com Pix são gratuitas e podem ser realizadas 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados.

Durante o período de pré-lançamento, a previsão era de que o Pix pudesse também angariar uma fatia relevante de pagamentos feitos com dinheiro e cartão de crédito no comércio varejista. Porém, esse cenário tende a demorar um pouco mais para ocorrer. Dados do Banco Central revelam que os pagamentos de pessoas para empresas (P2B) representaram apenas 8,3% do total transacionado via Pix no mês de janeiro.

Isso acontece porque as redes varejistas encontram dois grandes entraves para oferecer o novo meio de pagamento aos clientes. O primeiro é em relação à tecnologia para implementação do Pix. É preciso buscar fornecedores de tecnologia para oferecer a modalidade, integrando com o seu sistema de ERP ou até mesmo o próprio ERP se homologando junto ao Banco Central. Tal investimento gera um custo extra considerável, ainda mais em momento de indefinição econômica com o recrudescimento da pandemia.

O outro ponto diz respeito às tarifas cobradas aos comerciantes tanto para envio e recebimento do Pix. Após um período gratuito, bancos como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander passaram a cobrar pelas transações instantâneas do BC, enquanto Caixa e outras fintechs ainda continuam isentando. Sem uma visibilidade clara sobre as taxas cobradas por cada movimentação, os lojistas preferem aguardar os próximos passos para tomar uma decisão definitiva em relação à utilização do Pix.

O Pix também não deixa de ser uma grande incógnita às marcas que possuem o crediário como seu carro-chefe. Apesar de facilitar o pagamento das parcelas, a modalidade não retira a necessidade de crédito por parte dos consumidores. Além disso, a sua implementação pode ser um tiro na água, pois uma grande parcela desse público é desbancarizada e convertê-los não será uma tarefa fácil. Portanto, o processo de adaptação deve ser ainda maior para quem tem o bom e velho carnê como mola propulsora de vendas.

Mesmo quando são vencidas todas as barreiras, o comerciante se depara com a falta de hábito dos clientes em realizar transações no varejo via Pix. Muitas vezes as lojas que já implementaram o meio de pagamento também não realizam um treinamento adequado ao time de vendedores e operadores de caixa - outro fator determinante para a baixa quantidade de pagamentos até aqui.

A verdade é que o momento exige maior ensinamento sobre a utilização do Pix, apresentando os benefícios que as redes varejistas ganham na adesão ao meio de pagamento. Além do BC, as empresas privadas do setor financeiro precisam incentivar e estimular esse movimento de uma maneira mais incisiva, fazendo um trabalho de promoção e treinamento, se possível até mesmo mostrando a eficiência do funcionamento dele no ponto de venda. É hora de arregaçar as mangas.

*Jeison Schneider é sócio fundador e CEO do Meu Crediário. Possui mais de 15 anos de experiência profissional na liderança de softwares de gestão de risco para crediário no Brasil.


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