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TOKIO MARINE SEGURADORA

Por que acontecem explosões na agroindústria?

Por Jamile Zarif*

Os processos de manufatura na agroindústria brasileira estão cada vez mais atualizados e tecnológicos para atender a demanda do mercado atual. Junto com essa evolução está a preocupação do setor com a segurança. Periodicamente são realizados investimentos em soluções para proteção e segurança dos trabalhadores e operações, que refletem diretamente na redução de índices de manutenções emergenciais e, principalmente, de acidentes de trabalho.

Sabendo-se que atividades como processamento, transporte e armazenagem de grãos, cereais, farinhas, farelos, rações, papel e celulose, madeiras, tabaco, entre outras contribuem para a ocorrência de atmosferas explosivas, evidencia-se a importância da adoção de medidas mínimas de segurança e de investimentos para prevenção de explosões durante as etapas de beneficiamento que geram poeiras e fibras combustíveis.

Conhecidas como áreas classificadas, as áreas industriais na agroindústria que apresentam algum risco de explosão exigem precauções especiais para a construção, instalação e utilização de equipamentos elétricos, pois um acidente proveniente de explosão de poeiras ou fibras combustíveis agrícolas como o açúcar, amido de milho, soja ou café podem resultar em destruição de instalações industriais e até edifícios, comprometendo a segurança das pessoas e do meio ambiente.

Uma explosão dessa categoria acontece quando grãos, por exemplo, sofrem diversos atritos e impactos entre si e entre superfícies durante seu processamento e, consequentemente, liberam partículas menores, conhecidas como poeiras e fibras combustíveis. Em quantidade e densidades específicas dispersas no ar, ao entrarem em contato com uma fonte de ignição, elas podem gerar uma explosão. Podemos citar exemplos de produtos agrícolas que apresentam diferentes índices de explosividade durante seu processamento, como café, açúcar, soja, algodão, tabaco, leite em pó, semente de girassol, cacau, linhaça e trigo.

O tamanho do risco depende do tipo de poeira ou fibra combustível presente na atmosfera, de que maneira são manipuladas e das características do local da atividade. Cada produto agrícola tem uma característica e uma capacidade reativa à explosão, o que geram dados e cenários diferentes no trabalho de precaução. A possibilidade de explosão de uma nuvem de pó está condicionada à dimensão de suas partículas, concentração, teor de umidade do ambiente e da substância, quantidade de impurezas, taxa de oxigênio e energia e temperatura de ignição. As nuvens de poeira podem incendiar pela ação de chamas abertas, luzes, arcos elétricos, filamentos incandescentes, faíscas de fricção, aquecimento espontâneo, solda e superfícies quentes.

Armazéns, moegas, silos, tombadores, elevadores de caneca, caldeiras industriais, correias transportadoras, galerias, túneis, moegas, enfardadoras, selecionadoras, esmagadoras e secadores são algumas etapas do processamento presentes na agroindústria que devem receber atenção especial quando o assunto são atmosferas com risco de explosão.

A seguir estão pontuadas algumas situações presentes em áreas industriais, especificamente no processo de manipulação de poeiras de madeira, grãos alimentícios, papel e semelhantes que colocam em risco as atividades do setor e a segurança dos operadores:

Explosões primárias: as partículas geradas durante o transporte e a movimentação de grãos, cereais, farinhas, farelos, entre outros insumos formam nuvens de poeiras que podem incendiar-se em contato com uma fonte de ignição.

Explosões secundárias: na sequência das explosões primárias, todas as poeiras e fibras acumuladas em áreas e superfícies vizinhas são agitadas pelas vibrações subsequentes. Isto fará com que mais pó depositado entre em suspensão e mais explosões ocorram, cada qual mais devastadora do que a anterior. Este fenômeno pode atingir outras unidades do complexo industrial, além daquele em que o processo se iniciou, culminando com as explosões finais e catastróficas.

Transformação de incêndios em explosões: este fenômeno acontece quando as poeiras depositadas nos pisos, elevadores, túneis e transportadores, próximas às labaredas de fogo, são agitadas e entram em suspensão, ganhando concentração mínima e desencadeando as subsequentes explosões. Os incêndios são o início das explosões, quando o pó, ao atingir sua temperatura de ignição, inflama, entra em contato com uma nuvem de poeira, explode e, assim, micro explosões sucessivas atingem um valor significativo para causar uma explosão mais violenta.

Riscos invisíveis: também conhecidos como riscos ocultos, um dos maiores causadores de acidentes de trabalho por explosões e incêndios são os acontecimentos que aparentemente são “comuns” ou “normais”, como os incêndios pontuais, a fiação exposta, as burlas em máquinas e o funcionamento inesperado de equipamentos.

Fontes de ignição: existe uma associação sobre fonte de ignição a exclusivamente uma chama aberta. Porém, em áreas classificadas devemos considerar qualquer superfície que transmita calor sendo uma fonte de ignição, como um conduto de vapor, óleo térmico, eletricidade estática, fricção, pontos incandescentes, equipamentos elétricos, superfícies quentes, solda elétrica, faísca mecânica e autocombustão.

Seleção e instalação de dispositivos elétricos: todo equipamento elétrico utilizado em atmosferas com risco de explosão deve ser certificado pelo Inmetro para trabalhar em tais condições, ou seja, itens como luminárias, painéis de controle e comando, chaves de emergência e desalinhamento para correias transportadoras, sensores, chaves para monitoramento de portas e acessos, sinalizadores áudio e visuais entre outros devem ser submetidos a uma série de testes que permitam performance em áreas com risco, eliminando, assim, esses itens como possíveis fontes de ignição. A Schmersal busca diariamente incorporar em seu portfólio soluções seguras e certificadas para atender ambientes industriais com áreas classificadas.

Treinamentos e procedimentos: todo e qualquer trabalho de prevenção de acidentes está baseado em dois pilares. São eles o empregador, que deve promover acesso incessantemente aos procedimentos, capacitações, comunicados de conscientização e disseminação de conhecimento; e o empregado, que deve respeitar as regras e os procedimentos das áreas de trabalho, pois, muitas vezes, os acidentes acontecem devido à falta de conhecimento e às burlas em sistemas e indicações de segurança.

As empresas devem refletir e avaliar seus potenciais riscos, reforçando o seu plano de gerenciamento e de contingências sobre explosões industriais. É possível amenizar as ameaças com investimento em segurança e conhecimento. Por causa dos riscos de explosão e de suas consequências, foram elaborados requisitos específicos para a certificação dos equipamentos, atividades de projeto, seleção, montagem, inspeção, manutenção, reparos e auditorias em áreas com risco de explosão. Os profissionais envolvidos com estas atividades de risco devem executar ações de acordo com as normas que definem as regras de segurança nessas áreas. No Brasil, as normas utilizadas nesses segmentos baseiam-se nas internacionais IEC e pertencem a série ABNT NBR IEC 60079.

*Jamile Zarif é coordenadora de produtos Ex da Schmersal


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