Dia do Cartógrafo, 6 de maio - Mostra Joaquín Torres García - 150 anos celebra a data no CCBB Brasília e conecta arte, identidade e geografia
A partir da 'América Invertida', a exposição explora a cartografia como linguagem crítica e propõe novas formas de pensar o espaço latino-americano
No Brasil, o Dia do Cartógrafo é comemorado em 6 de maio e remete ao projeto cartográfico mais antigo do país, feito pelo Mestre João, que determinou a latitude da Baía de Cabrália, na região de Porto Seguro. A data também destaca o caráter quase artístico da produção de mapas, que traduz os territórios em representações simbólicas. Essa perspectiva ganha novos sentidos na mostra gratuita Joaquín Torres García - 150 anos, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB), até 21 de junho, onde o artista uruguaio subverte a lógica tradicional e coloca o Sul no topo.
Assim como o trabalho dos cartógrafos contribui para a forma como enxergamos o mundo, a mostra amplia a cartografia como construção cultural e política. A estrutura da exposição já demonstra isso, visto que é dividida por uma parede contínua que simboliza a linha do Tratado de Tordesilhas e representa as origens cartográficas da divisão territorial da América do Sul. Em nível expressivo e visual, tensiona as divisões da cartografia colonial, a partir do desenho arquitetônico da exposição. O eixo curatorial ainda se desdobra em trabalhos como “Tratado Imaginário de Tordesilhas”, de Anna Bella Geiger, e na relação entre Fernando López Lage e Marcone Moreira, apontando para uma cartografia que extrapola o mapa e se aproxima de dimensões subjetivas.
Com a participação de mais de 70 artistas, ao lado de Joaquín Torres García, a mostra reúne também obras de Daniel Caballero, Glauco Rodrigues, Agrippina R. Manhattan e Jaime Lauriano, que expandem o diálogo sobre territorialidade e identidade dentro da proposta curatorial. Nesse contexto, a presença da capa do álbum Sulamericano, do BaianaSystem, reforça o debate sobre pertencimento latino-americano e a ideia do território como dimensão cultural e imaginária, criando um elo entre artes visuais e música.
O uso da cartografia afetiva, que, diferente da geográfica, mapeia vivências, memórias e emoções, é central na produção de Torres García. “Ao transformar mapas em linguagem poética e crítica, o uruguaio deixa de lado a precisão territorial para realizar composições que incorporam identidade e visão de mundo”, explica o curador Saulo di Tarso. Isso é evidenciado na América Invertida (1943), obra pioneira das premissas decoloniais, na qual o mapa sul-americano é colocado de cabeça para baixo, desafiando o eurocentrismo e o norte-centrismo. Como pontua o curador, “é curioso que uma obra-prima do século XX seja gráfica, e não uma pintura ou escultura, e que, ao mesmo tempo, reflita a noção cartográfica do mundo, afinal, quando falamos de globalização, a cartografia é uma das primeiras noções a se transformar e ampliar o olhar da sociedade contemporânea.”
O impacto dessa produção artística também se manifesta em criações cartográficas voltadas para fins científicos, como o mapa-múndi invertido, lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, em que o Sul Global aparece na parte superior, com o Brasil no centro. Segundo uma entrevista de João Pedro Pereira Caetano de Lima e Carolina Russo Simon, membros da Diretoria Executiva Nacional da Associação de Geógrafas e Geógrafos Brasileiros, concedida à Agência Brasil, o novo mapa teve inspiração direta na América invertida, revelando a permanência e a relevância de sua obra até hoje.
Joaquín Torres García, ao expandir os limites da arte abstrata, torna-se um dos pioneiros na integração de contextos antropológicos, espaciais e territoriais à percepção visual. Sua produção inclui identidade, território e pensamento crítico em diálogo com saberes ancestrais. “Ele faz da ancestralidade a vanguarda de uma arte que se tornou moderna e contemporânea”, afirma o curador.
Selecionada no Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada por meio da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset e organizada e produzida pela Cy Museum. A classificação indicativa é livre, e os ingressos podem ser retirados na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura.
BB Asset
A BB Asset, maior gestora de fundos do país, administra cerca de R$ 1,87* trilhão em patrimônio líquido e é responsável pela gestão de mais de 1.200 fundos de investimento, atendendo milhões de pessoas que buscam realizar seus objetivos financeiros. A empresa é reconhecida pela excelência de sua gestão, com as maiores notas das agências de classificação de risco Fitch Ratings e Moody’s. Detém aproximadamente 18% de participação no mercado, consolidando sua liderança no setor. Seus produtos são distribuídos pela maior rede de atendimento bancário do país, o Banco do Brasil, e pelas principais plataformas de investimento. A BB Asset acredita que seu papel vai além da gestão de ativos. Com soluções desenvolvidas para diferentes perfis e objetivos, a empresa assume a responsabilidade de contribuir para uma sociedade mais inclusiva, participativa e conectada com o que realmente importa, investindo em iniciativas que promovem desenvolvimento ambiental, social, de governança e cultural.
*Ranking Ambima Fevereiro/26
CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília
Horário da van – De quinta-feira a domingo:
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h.
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
Cy Museum
Empresa Organizadora da exposição no Brasil. Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA 2023 pela mostra de Marc Chagall: sonho de amor. Dirigida pela museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia.
Saulo di Tarso
Saulo di Tarso é curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição Marc Chagall: sonho de amor (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter, e participou de iniciativas culturais e políticas, incluindo a coordenação de cultura na campanha presidencial de Eduardo Campos e Marina Silva. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.
Serviço - Joaquín Torres García - 150 anos
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: de 31 de março a 21 de junho
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até às 20h40)
Classificação: livre
Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional
Gratuito
Itinerância
CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026)
CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)
Ficha técnica
Realização: Ministério da Cultura
Patrocínio: BB Asset
Organização e Produção: Cy Museum
Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do Museo Torres García
Apoio Institucional: Museo Torres García
Coordenação Geral: Cynthia Taboada
Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman.
Projeto expográfico: Stella Tennenbaum
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