Brasil,

Una e TJMG selam parceria inédita no Brasil para implantação da Arbitragem Acadêmica

Os discentes da Una serão capacitados por professores com experiência profissional e científica em métodos adequados de solução de conflitos

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e o Centro Universitário Una, da Ânima Educação, assinaram nesta terça-feira (10/06) um Termo de Cooperação Técnica para a implantação de um projeto pioneiro, inédito no Brasil, para a implantação do projeto Arbitragem Acadêmica.

Pela ação Arbitragem-Acadêmica, alunos da Una serão capacitados por professores, por meio do Núcleo Una de Solução de Conflitos- NUSC, com experiência profissional e científica em métodos adequados de solução de conflitos, especialmente em arbitragem, para a atuação colegiada em prol de sentenças arbitrais, sempre advindas de pelo menos dois alunos e um professor orientador.

Inovação - O 1º vice-presidente do TJMG, desembargador José Flávio de Almeida, destaca o caráter inovador da proposta que traz novas possibilidades para solução de conflitos. “Com esse projeto, quebramos a cultura demandista, de litigância, e promovemos uma mudança de mentalidade”, afirmou o magistrado.

O 1º vice-presidente ressaltou que o projeto Arbitragem Acadêmica vai se somar a outras iniciativas do Judiciário que visam promover a desjudicialização dos conflitos, em conformidade com a Meta 9 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que estabelece que os tribunais brasileiros devem realizar ações de prevenção ou desjudicialização de litígios.

“Essa parceria poderá fortalecer essa porta a mais de acesso à Justiça, com um importante aspecto, que revela o caráter democrático da iniciativa, que é o atendimento gratuito”. Ele disse ainda que a parceria também tem o mérito de fortalecer a aproximação do Tribunal com a academia.

Pacificação - O 3º vice-presidente do TJMG, desembargador Newton Teixeira Carvalho, acredita que o projeto Arbitragem Acadêmica incentiva à pacificação social. “Devemos entender que a solução dos conflitos não precisa passar pelo Judiciário. Para que a Lei da Arbitragem ganhe efetividade à parceria com as faculdades será necessária. Encampar a arbitragem depende de mudança de mentalidade e de paradigmas”.

O magistrado também destacou o pioneirismo da iniciativa e o potencial que ela guarda de substituir a cultura de formar “guerreiros”, até então predominante nas faculdades de direito. “Temos que formar pacificadores.”

Para o superintendente administrativo adjunto do TJMG, desembargador José Arthur Filho, o projeto é absolutamente inovador e coloca o TJMG, mais uma vez, na vanguarda. Ele disse que a iniciativa pode trazer bons frutos e reflexos em nível nacional. “Fiquei encantado com o ineditismo do projeto. Após essa fase inicial, a partir dos resultados, queremos ampliar a iniciativa, estendendo-a como um modelo para o restante do País”, disse.

Desjudicialização - O professor Daniel Secches Leite, idealizador da iniciativa e um dos coordenadores do projeto, também afirmou que o projeto é inédito e revolucionário. “As sentenças arbitrais serão proferidas em processos de menor complexidade. É uma iniciativa de desjudicialização. Os alunos que vão participar dos trabalhos irão passar por treinamento e serão acompanhados por um professor”. Ele afirmou que o projeto começou a ser desenhado em 2019, como uma alternativa para reduzir a taxa de congestionamento de processos e unir a academia e o Judiciário.

Daniel Secches Leite, também professor de Direito Processual Civil e de Métodos Adequados de Solução de Conflitos, disse que nem sempre o acordo é possível depois do uso de métodos como a conciliação e a mediação. Segundo ele, nesse contexto, a arbitragem é outra possibilidade que permitirá que alguém julgue o caso. Por meio do projeto com a UNA, o colegiado, formado por alunos e professor, fará o papel do juiz. O professor ressaltou que a sentença arbitral tem o mesmo valor jurídico de um título executivo judicial. “Se a sentença não for cumprida, basta levar o título ao Judiciário para exigir o seu cumprimento”.

Para a coordenadora do Núcleo UNA Solução de Conflitos e co-founder do programa, Camila Pereira Linhares, o apoio do TJMG à arbitragem contribui para a pacificação social. Ela acredita que a iniciativa tem um potencial transformador e de vanguarda para o País.

O projeto Arbitragem Acadêmica será desenvolvido, inicialmente, como um piloto com a 33ª Vara Cível e à 5ª Unidade Jurisdicional do Juizado Especial Cível da Comarca de Belo Horizonte. Cada uma das unidades vai selecionar 15 processos. Eles devem estar relacionados a causas dentre aquelas já em trâmite na Justiça Comum Estadual, ou Juizados Especiais Cíveis, de baixa complexidade, e sem ou pouca necessidade de dilação probatória - aumento no prazo para entrega de provas em um processo -, relativas a questões ao direito do consumidor, posse, propriedade e revisão de contratos e outras de natureza civil.

A oferta desse modelo de solução de conflitos será feita às partes do processo, sempre com a presença dos advogados, em uma audiência de conciliação e mediação. Se as partes concordarem, os processos selecionados serão encaminhados ao Centro Universitário Una, onde dois ou quatro estudantes, acompanhados por um professor responsável, atuarão como um colegiado na condução do processo e no seu julgamento.

A arbitragem é um método de solução de conflitos alternativo ao Poder Judiciário. Por meio dele, um ou mais árbitros, imparciais e escolhidos pelas partes, emitem decisões com força de sentença judicial. O uso da arbitragem segue as diretrizes estabelecidas pela Lei 9.307/96 e permite trâmites mais simplificados e menos formais, de maneira a garantir mais agilidade na solução dos conflitos.

Gratuidade - O procedimento arbitral deverá respeitar os princípios do acesso à justiça. Além da gratuidade para as partes, ele observará o devido processo legal, a duração razoável do processo, o direito ao advogado e o direito ao contraditório, entre outros pontos. A meta é que os casos selecionados sejam julgados, definitivamente, em, no máximo, seis meses. Uma das metas é também a adoção de princípios como a simplicidade e a flexibilidade procedimental. Todas as etapas do de funcionamento do programa serão acompanhadas pelo Tribunal.


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