Brasil,

Estudo mostra que home office e dificuldade em organizar a rotina são grandes responsáveis por atrapalhar a participação em aulas on-line do Ensino Superior

29% dos alunos dizem participar de apenas uma parte das aulas ou não participar, desse total, 45% responsabiliza a falta de organização na rotina, enquanto 25% são afetados pelo home office

O Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Currículo e Sociedade (GEICS) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) realizou um estudo a fim de analisar a percepção do aluno do Ensino Superior (graduação e pós-graduação) sobre sua aprendizagem no período de quarentena em decorrência do novo Covid-19.

O estudo "Quarentena Covid-19: a percepção de alunos sobre sua aprendizagem" realizado com estudantes de todo o Brasil matriculados em instituições públicas e privadas concluiu que a falta de organização da rotina para estudar de forma online se apresenta como um em grande empecilho para o ensino à distância nesse período de quarentena. Esse foi o principal motivo dado por 45% dos alunos que disseram participar de apenas parte das aulas online (23%), ou de nenhuma aula on-line (6%). Entre os outros motivos comentados, está a dificuldade em conciliar as aulas com o home office (25%), bem como as tarefas domésticas (23%).

Esse dado reforça a dificuldade em se adaptar rapidamente a um método que até então não tinha sido utilizado amplamente, como dito por 54% dos estudantes que nunca haviam tido contato com aulas on-line e ou ensino à distância antes da quarentena.

Um dos motivos para essa dificuldade em se organizar, é a sequência de videoconferências propostas pelos professores (83%). Contudo, como a obrigação em participar das aulas é de apenas 39% (ou seja, participar da transmissão ao vivo não impacta na frequência), há um efeito adverso na participação dos alunos na aula. Assim, apenas 16% disseram que a turma inteira participa das chamadas, enquanto 33% colocaram que mais da metade da turma participa; 23% em cerca de metade da turma. Por fim, 21% votaram na opção que menos da metade da turma participa. Dessa forma, para o aluno que apresenta dificuldade em se organizar, acabar perdendo a aula não tem um impacto tão considerável assim para fazê-lo se esforçar em criar uma rotina.

A ideia da pesquisa surgiu no início da quarentena quando se percebeu uma grande mobilização para compreender as experiências que os professores estavam vivendo no novo período. Como o GEICS trabalha com os aspectos relacionados à aprendizagem, resolveram dar voz às experiências dos estudantes universitários. "É de grande importância para buscarmos compreender aspectos inerentes à cultura escolar, bem como podermos dirigir nossos olhares, como educadores, para as questões afetivas que se imbricam com os processos de aprendizagem", afirma a professora Marili Moreira da Silva Vieira, líder do Grupo.

Ademais, a mudança para o on-line também afetou outros formatos de conteúdo que os professores utilizam para os alunos. Os clássicos textos avulsos (Word, PDF, entre outros), bem como apresentações em slides, mantém-se como os mais tradicionais, com 78% e 75% das marcações. Porém, pela facilidade da conexão constante, vídeos e livros digitais apresentaram números altos, com 69% e 30%, respectivamente. Textos em portais e sites e bases de dados e pesquisa ficaram na faixa dos 20% de utilização. Apesar dessa ampla utilização de recursos, os alunos admitem que não costumam auxiliar os professores nos usos e seleções de novas tecnologias, com só 20% apresentando esse comportamento.

O problema é que para a experiência de aprendizado dos alunos, essa grande gama de conteúdos introduzidos rapidamente acabou por afetá-los negativamente. Dessa forma, 62% se sentem sobrecarregados, 54% estão inseguros e 47% desorientados. Bem como, 65% afirmam que seu aproveitamento diminuiu. E, de certa forma, uma das maiores dificuldades está em extravasar esses sentimentos, 68% tem certeza de que seria melhor se houvesse espaço para falar sobre e 18% acreditam que poderia sim ser melhor. Porém, quase 29% dos professores não oferecem essa possibilidade - focando exclusivamente na transmissão de conteúdo.

"Compreender o impacto que a pandemia trouxe a algo que já era latente - a incorporação de cultura digital na cultura escolar - e como esse processo se deu no Ensino Superior neste momento nos levou a elaborar o questionário que traz as dimensões da aprendizagem do estudante, da percepção sobre suas emoções, sobre as metodologias e recursos utilizados neste regime especial de contingência", comenta a professora Ana Lúcia de Souza Lopes, também líder do GEICS.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.


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