Mais que um novo ano: Uma pausa para rever caminhos
Vivemos em um tempo marcado pela aceleração constante. Já estamos em 2026, e a sensação de que o ano anterior passou rápido demais é compartilhada não apenas por adultos, mas também por crianças e adolescentes. A rotina intensa, o excesso de estímulos e a pressão por produtividade fazem com que o tempo pareça escorrer pelas mãos, criando a impressão de que os dias, meses e anos se repetem sem que consigamos realmente vivê-los com profundidade.
Nesse contexto, a chegada de um novo ano costuma provocar sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que parece apenas “mais um janeiro”, esse período também representa uma pausa quase obrigatória em meio à correria do cotidiano. É um momento simbólico de interrupção, no qual somos convidados a parar, refletir e olhar para dentro. Essa pausa permite repensar escolhas, rever metas, comportamentos e, principalmente, a forma como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor.
Mais do que criar listas de objetivos ou promessas grandiosas, o início de um novo ciclo pode ser uma oportunidade para pequenas mudanças de postura. Os dias do ano seguinte continuarão tendo as mesmas 24 horas, as semanas seguirão com a mesma estrutura, mas a maneira como vivemos esse tempo pode ser diferente. Repensar atitudes, exercitar a empatia, ouvir mais e agir com mais cuidado nas relações humanas são transformações simples, porém significativas.
Em meio a uma vida cada vez mais acelerada, torna-se essencial valorizar os afetos. As marcas que deixamos nas pessoas não são feitas de conquistas materiais ou de metas cumpridas, mas de gestos, palavras e atitudes. Demonstrar carinho, respeito e atenção cria memórias afetivas que permanecem, mesmo quando o tempo passa rápido demais. Essas “marcas de amor” são, muitas vezes, o que realmente fica ao final de cada ciclo.
Assim, o novo ano não precisa ser encarado apenas como uma repetição do anterior, mas como uma chance de viver com mais consciência e humanidade. Aproveitar esse momento de transição para refletir sobre quem somos, como agimos e que tipo de marcas deixamos nas pessoas pode transformar não apenas o ano que começa, mas também a forma como caminhamos pela vida. Em um mundo acelerado, parar, sentir e cuidar dos vínculos talvez seja uma das atitudes mais revolucionárias que podemos adotar.
Andreia Calçada é psicóloga clínica e jurídica. Perita do TJ/RJ em varas de família e assistente técnica judicial em varas de família e criminais em todo o Brasil. Mestre em sistemas de resolução de conflitos e autora do livro "Perdas irreparáveis - Alienação parental e falsas acusações de abuso sexual”.
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