Brasil,

Amor ou dependência emocional?

O psicanalista e coach Dr. Júnior Silva explica como aprender a diferenciar uma situação da outra e não machucar o coração

Uma linda história de amor, com sentimentos equilibrados. Um relacionamento harmônico e... Que seja eterno! Esse é um desejo, praticamente, unânime da humanidade, não é? Às vésperas do Dia dos Namorados, então, nem se fale. Quem está acompanhado só quer fazer o relacionamento dar certo a qualquer preço e quem está sozinho sente-se melancólico e segue em busca do tal “amor da vida”.

E o problema está aí! Nessa busca incessante do grande amor de sua vida, muita gente acaba confundindo um sentimento com dependência emocional. É aquela famosa questão de não conseguir ficar sozinho e, sempre, ter a necessidade de se apoiar em algum relacionamento, ainda que falido, abusivo e que, na maioria das vezes, só faz sofrer.

Mas como entender se é amor ou a terrível dependência emocional? O psicanalista e coach Dr. Júnior Silva, explica um pouco sobre essa tênue linha que separa um sentimento verdadeiro e saudável, de algo doentio. “A procura por um amor verdadeiro pode nos colocar em grandes ciladas, mas que juramos de pés juntos, ser amor. Mal sabemos que aquele sentimento nada mais é que uma paixão, carência e pior, dependência emocional. Ou seja, a falta de percepção correta das emoções e sentimentos pode nos fazer tomar decisões desastrosas”, alerta Dr. Júnior.

Ciclos de infelicidade

Para ilustrar melhor a situação da dependência emocional, o psicanalista compartilha um texto da psicóloga Ane Caroline Janiro. E quantas vezes já não vimos esse filme, não é? Ou com nós mesmos, ou com alguém que conhecemos. Observe: “Ela é bonita, inteligente, mas não consegue ser feliz sozinha. Está em um relacionamento destrutivo, faz de tudo pelo parceiro, se anula, se esgota por ele, mendiga atos de amor. Não acredita em suas próprias capacidades, precisa da constante aprovação do companheiro e das outras pessoas. É insegura, sente ciúmes excessivamente, tem medo de ser abandonada e, por isso, se molda conforme a vontade alheia, se esquecendo completamente daquilo que ela realmente é. Quando seu relacionamento chega ao fim, tudo parece ser uma tempestade horrível! Passa pela fase do sofrimento insuportável. Depois decide: “agora tudo será diferente”! Mas por não acreditar em seu próprio valor, logo estará de novo envolvida com promessas de amor vagas, carícias e demonstrações de afeto não duradouras. Algo que para ela, agora sim, parece ser a chave de sua felicidade, mas na verdade está em uma nova prisão. E o ciclo todo se repetirá...”

Segundo Dr. Júnior, neste texto Ane Caroline descreve, exatamente, uma pessoa que sofre de dependência emocional afetiva. “E posso afirmar: casos assim são mais comuns do que podemos imaginar. São pessoas presas a relacionamentos frustrados, infelizes, mas que não conseguem se libertar”, analisa o profissional.

O tal do amor-próprio

Mas o que fazer para se evitar essa armadilha da dependência emocional, que só tende a deixar o lado psicológico de qualquer pessoa em frangalhos, com o passar do tempo?

Dr. Júnior dá a receita, que pode até parecer simples, mas colocar em prática requer esforço, atenção e até disciplina, além de autoconhecimento. “O que acontece é que antes de querer amar alguém, precisamos aprender a nos amar em primeiro lugar. Pode acreditar! Essa é a base para que possamos ter a segurança de encontrar o amor verdadeiro. Como podemos amar alguém se não aprendemos a nos amar primeiro?”, provoca o psicanalista.

E ele alerta para algo muito comum em nossa sociedade e que torna tão complicado as pessoas desenvolverem esse amor por si mesmo, se valorizarem. É que esse sentimento, em muitos casos, é julgado como egoísmo, desvio de conduta, arrogância. “Temos a interpretação errônea, e grave, de que nos amar é egoísmo. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Egoísmo é a falta de empatia, o ser fica preso no seu ego incapaz de olhar para necessidade e sentimentos do outro. O amor-próprio nos permite priorizar-se, sem nos diminuir ou sujeitar-se aquilo que não merecemos, mas com empatia ao próximo”, esclarece Dr. Júnior.

É justamente por essa falta de valorização própria, que muita gente acaba entrando numa dependência emocional, acreditando que só pode viver e ser feliz ao lado de alguém, condicionando toda sua vida a outra pessoa e se anulando. Mas com a falsa sensação de segurança, de que vive um lindo amor, quando, na verdade, está em uma grande furada e só vai se machucar.

“A partir do momento que não nos priorizamos e colocamos o outro à nossa frente, estamos as ensinando que aceitamos vir em último lugar. E se isso acontece é a certeza de que criou-se uma dependência emocional, e estamos longe do amor verdadeiro que tanto buscamos”, alerta Júnior, que ainda ressalta: “Quer um amor verdadeiro? Ame-se! E sem pressa, nem desespero, no caminho desse amor-próprio você encontrará um amor companheiro, maduro e verdadeiro”.


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