Brasil,

Aprendizado da pandemia na construção civil

A versatilidade dos ambientes tem se tornado cada vez mais importante e necessária, principalmente quando a vida nos exige mudanças

Fazendo uma análise cronológica pandêmica, o tempo entre as pandemias vem diminuindo. Da Sars (2002 – 2003) para H1N1 (2009 – 2010) foram sete anos anos. Do H1N1 para Ebola (2014 – 2016) foram seis anos. Do Ebola para o Covid-19 (2019 – presente) foram cinco anos. É claro que a gravidade entre elas varia muito, porém, em comum, todas essas doenças têm como uma de suas principais formas de propagação, o toque em uma superfície contaminada o que significa que o espaço onde o ser humano habita é importante para o controle das doenças.

É por isso que muitas pessoas estão adotando diversas mudanças em casa nesses sete meses de quarentena. A volta da varanda que antes havia sido integrada, a criação de um ambiente feito especificamente para o home office, o retorno da segmentação de alguns ambientes, visto que a família fica muito tempo junta e, às vezes, é necessário um pouco de tranquilidade. Mas será que com a descoberta da vacina esse cenário pode mudar? É possível que sim. Como já ocorreu em muitos episódios da história humana. É por isso que não somente a decoração deve ser mais versátil, mas as edificações também. Porém, o povo brasileiro tem muita dificuldade em aceitar isso.

“O brasileiro ainda tem aquele sonho da ‘casa própria’, que frequentemente representa o auge, a conquista de uma vida. Sendo obtido a duras penas, há que se entender a percepção de que um imóvel tenha que ser, ou pelo menos aparentar ser, durável, resistente, sólido. Daí, talvez, a preferência por alvenaria convencional de tijolos, em detrimento de sistemas mais modernos e maleáveis, como os drywall. Não por acaso, a reforma envolvendo paredes em drywall é considerada uma ‘reforma seca’, dada a facilidade para mover as divisões internas de um imóvel, sem grandes transtornos”, explica o arquiteto Alberto Dávila,

Fazendo uma análise cronológica pandêmica, o tempo entre as pandemias vem diminuindo. Da Sars (2002 – 2003) para H1N1 (2009 – 2010) foram sete anos anos. Do H1N1 para Ebola (2014 – 2016) foram seis anos. Do Ebola para o Covid-19 (2019 – presente) foram cinco anos. É claro que a gravidade entre elas varia muito, porém, em comum, todas essas doenças têm como uma de suas principais formas de propagação, o toque em uma superfície contaminada o que significa que o espaço onde o ser humano habita é importante para o controle das doenças.

É por isso que muitas pessoas estão adotando diversas mudanças em casa nesses sete meses de quarentena. A volta da varanda que antes havia sido integrada, a criação de um ambiente feito especificamente para o home office, o retorno da segmentação de alguns ambientes, visto que a família fica muito tempo junta e, às vezes, é necessário um pouco de tranquilidade. Mas será que com a descoberta da vacina esse cenário pode mudar? É possível que sim. Como já ocorreu em muitos episódios da história humana. É por isso que não somente a decoração deve ser mais versátil, mas as edificações também. Porém, o povo brasileiro tem muita dificuldade em aceitar isso.

“O brasileiro ainda tem aquele sonho da ‘casa própria’, que frequentemente representa o auge, a conquista de uma vida. Sendo obtido a duras penas, há que se entender a percepção de que um imóvel tenha que ser, ou pelo menos aparentar ser, durável, resistente, sólido. Daí, talvez, a preferência por alvenaria convencional de tijolos, em detrimento de sistemas mais modernos e maleáveis, como os drywall. Não por acaso, a reforma envolvendo paredes em drywall é considerada uma ‘reforma seca’, dada a facilidade para mover as divisões internas de um imóvel, sem grandes transtornos”, explica o arquiteto Alberto Dávila, do escritório Dávila Arquitetura.

Outra explicação para a rejeição dos brasileiros por métodos construtivos mais modernos diz respeito a uma questão cultural. “A construção mais artesanal, feita aos poucos, é algo muito intrínseco dos brasileiros. As novas formas de construção são sistemas mais modernos, modulares, com elementos inteiros prontos trazidos de fábrica, que são apenas montados no local da construção o que deixa as edificações mais limpas e rápidas, porém, para a maioria do contexto imobiliário brasileiro, essa ‘rapidez’ na construção não interessa tanto”, esclarece Alberto.

Mas não é apenas os antigos métodos construtivos que insistem em permanecer na construção civil residencial, as plantas tradicionais também. “Embora tenha tido muitos avanços recentes, até mesmo em construções para classes mais privilegiadas, esse tradicionalismo com divisões clássicas (cozinha, área de serviço, quarto, banheiro e sala) persistem” analisa o arquiteto.

Entretanto, com as pandemias cada vez mais presentes na história da humanidade, é bastante salutar a compreensão da necessidade de sermos mais flexíveis as mudanças, inclusive de nossos imóveis. “A capacidade de adaptação está atrelada à nossa própria sobrevivência e está relacionada com o processo de seleção natural. Então, sofreremos menos na medida inversa em que nossos imóveis forem capazes de serem rapidamente remodelados e ajustados para nossas novas demandas”, encerra Alberto.

do escritório Dávila Arquitetura.

Outra explicação para a rejeição dos brasileiros por métodos construtivos mais modernos diz respeito a uma questão cultural. “A construção mais artesanal, feita aos poucos, é algo muito intrínseco dos brasileiros. As novas formas de construção são sistemas mais modernos, modulares, com elementos inteiros prontos trazidos de fábrica, que são apenas montados no local da construção o que deixa as edificações mais limpas e rápidas, porém, para a maioria do contexto imobiliário brasileiro, essa ‘rapidez’ na construção não interessa tanto”, esclarece Alberto.

Mas não é apenas os antigos métodos construtivos que insistem em permanecer na construção civil residencial, as plantas tradicionais também. “Embora tenha tido muitos avanços recentes, até mesmo em construções para classes mais privilegiadas, esse tradicionalismo com divisões clássicas (cozinha, área de serviço, quarto, banheiro e sala) persistem” analisa o arquiteto.

Entretanto, com as pandemias cada vez mais presentes na história da humanidade, é bastante salutar a compreensão da necessidade de sermos mais flexíveis as mudanças, inclusive de nossos imóveis. “A capacidade de adaptação está atrelada à nossa própria sobrevivência e está relacionada com o processo de seleção natural. Então, sofreremos menos na medida inversa em que nossos imóveis forem capazes de serem rapidamente remodelados e ajustados para nossas novas demandas”, encerra Alberto.


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