Saúde mental ganha protagonismo com nova NR-1 no ambiente corporativo
Atualização da norma exige que empresas passem a mapear riscos psicossociais e adotem medidas concretas para prevenir adoecimentos mentais
A saúde mental vem ganhando espaço no ambiente corporativo nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho até que o tema seja tratado com a mesma naturalidade que outras questões de saúde ocupacional. A partir de 26 de maio de 2026, essa mudança deixa de ser apenas uma tendência e passa a ser também uma exigência legal: entram em vigor as atualizações da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que incluem, entre outros pontos, a obrigatoriedade de identificar e gerenciar riscos psicossociais no trabalho.
Na prática, isso significa que empresas precisarão olhar com mais atenção para fatores como excesso de carga de trabalho, pressão constante, assédio, falta de autonomia e ambientes tóxicos, elementos que podem contribuir diretamente para quadros de ansiedade, depressão e burnout.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no mundo. No Brasil, os afastamentos por esses motivos cresceram significativamente nos últimos anos. O País registrou mais de 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico e um crescimento de cerca de 13% em relação ao ano anterior . Segundo dados do Ministério da Previdência Social, no mesmo ano foram concedidos 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental, com predominância de casos de ansiedade e depressão.
Além disso, os transtornos mentais já representam cerca de 13,6% de todos os afastamentos do trabalho no país, consolidando-se como uma das principais causas de licença médica.
“Se uma pessoa está começando a ter problemas psíquicos, o primeiro passo é procurar um profissional de saúde mental para entender de onde vem esse sofrimento. Nem sempre ele está relacionado apenas ao trabalho, mas o ambiente profissional pode ser um fator importante”, explica Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
A especialista avalia que a nova NR-1 representa um avanço importante ao reconhecer oficialmente que o trabalho também pode impactar a saúde mental dos colaboradores. “Durante muito tempo, as empresas focaram apenas em riscos físicos, como lesões por esforço repetitivo. Agora, há um entendimento maior de que o bem-estar psíquico também precisa ser cuidado”, afirma.
Além de atender à legislação, investir em saúde mental é estratégico: colaboradores mais saudáveis tendem a ser mais produtivos, faltam menos e permanecem por mais tempo nas empresas.
Ainda assim, a cultura organizacional continua sendo um desafio. Em muitos ambientes, falar sobre sofrimento psíquico ainda é visto com receio, especialmente quando há medo de julgamentos ou prejuízos na carreira.
Nesse novo cenário, tanto empresas quanto colaboradores têm papéis importantes.
Confira algumas orientações:
1 – Busque apoio dentro da empresa
Com a nova NR-1, cresce a importância de canais internos de escuta, como RH e lideranças preparadas. Identificar pessoas de confiança pode facilitar a busca por ajuda. A norma incentiva a criação de procedimentos para lidar com riscos psicossociais. Caso sua empresa disponha desses mecanismos, procure ajuda interna.
2 – Conheça seus direitos
Mesmo com a nova regulamentação, o colaborador continua tendo direito à privacidade sobre sua saúde. Afastamentos com laudo médico e a não discriminação seguem garantidos por lei.
3 – Promova um ambiente mais saudável ao seu redor
A NR-1 também reforça a responsabilidade coletiva. Se um colega estiver em sofrimento, acolher e incentivar a busca por ajuda profissional pode fazer diferença.
A atualização da NR-1 marca um passo importante ao trazer a saúde mental para o centro das discussões sobre segurança e saúde no trabalho. Mais do que cumprir uma exigência legal, trata-se de uma oportunidade para transformar a cultura organizacional e construir ambientes mais humanos, onde produtividade e bem-estar caminhem juntos.
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