Consórcios avançam no Brasil e destacam potencial estratégico do público 60+
Com maior estabilidade financeira e foco em planejamento, brasileiros da terceira idade despontam como segmento relevante em meio ao crédito caro e à expansão do setor
No acumulado de janeiro a março, a venda de cotas de consórcios registrou crescimento de 12,2% no fechamento do trimestre. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), foram comercializadas 1,38 milhão de cotas, frente às 1,23 milhão no mesmo período de 2025. Impulsionado por esse avanço, o volume de negócios também cresceu, alcançando quase R$130 bilhões no trimestre, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior.
Atualmente, o setor reúne cerca de 13 milhões de consorciados, um novo recorde para a modalidade. Esse crescimento ocorre em um cenário de crédito elevado, com juros do rotativo do cartão chegando a 428,3% ao ano, taxa Selic em 14,75% e comprometimento de renda das famílias no maior nível da série histórica do Banco Central, atingindo 49,9% em fevereiro. Diante desse contexto, os brasileiros têm buscado alternativas mais sustentáveis ao crédito tradicional.
Outro movimento que vem ganhando destaque é a maior participação da população 60+, que segue economicamente ativa e com poder de consumo acima da média nacional, de acordo com dados do Anuário Mosaic Insights, da Serasa Experian. Esse cenário acompanha a transformação demográfica do país: segundo o IBGE, a população idosa tem crescido de forma consistente, passando de 11,3% em 2012 para 16,6% nos anos mais recentes.
Esse avanço também encontra respaldo no perfil da população mais madura. Uma parcela significativa desse público apresenta maior estabilidade financeira e um comportamento mais cauteloso em relação ao consumo, com decisões mais planejadas e menor propensão a compras por impulso.
“Observamos que o público 60+ tem um perfil mais analítico e disciplinado financeiramente, priorizando decisões seguras e sustentáveis. Em um cenário de crédito caro, o consórcio passa a ser uma alternativa interessante justamente por permitir esse planejamento sem a incidência de juros, o que conversa diretamente com esse comportamento mais consciente”, analisa Guilherme Lamounier, head de negócios da Multimarcas Consórcios.
De acordo com o levantamento, esse perfil representa 29,6% da população adulta, além de um grupo adicional, composto por consumidores de alta renda dentro dessa faixa etária, que corresponde a cerca de 11%. Esse cenário reforça o potencial do público 60+ como um dos motores de crescimento para modalidades de consumo mais planejadas, como o consórcio.
Nesse contexto, a modalidade se consolida como uma ferramenta alinhada ao perfil desse público, que valoriza previsibilidade e organização financeira. Em um ambiente de crédito restrito e juros elevados, o consórcio ganha relevância ao oferecer uma alternativa mais estruturada e sustentável para a realização de projetos.
“Estamos diante de um público que busca cada vez mais controle e previsibilidade nas decisões financeiras. O consórcio atende diretamente a essa necessidade, ao permitir o planejamento de aquisições de forma organizada e sem os impactos dos juros elevados, o que o torna ainda mais atrativo no cenário atual”, avalia Lamounier.
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