O médico e o corretor de seguros
Certa vez, um hospital mudou alguns procedimentos e demitiu boa parte dos enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares.
Quando os pacientes internados precisavam tomar alguma medicação, realizar a higiene pessoal ou serem alimentados, era enviado um SMS a algum familiar, para que este tomasse as providências — mesmo pagando um valor elevado na mensalidade do plano de saúde.
A maioria dos familiares não recebia esse SMS. Alguns, quando recebiam, precisavam instalar um aplicativo, e nem todos conseguiam. Ficou uma verdadeira bagunça.
O familiar, então, dirigia-se até o hospital, porém nada entendia de medicação e, muitas vezes, sequer sabia como virar seu ente querido na cama para realizar algum procedimento.
Dessa forma, acabava procurando algum médico que, apesar de não ter essa obrigação, orientava na medida do possível. O hospital quase não contava mais com enfermeiros, técnicos ou auxiliares, que antes eram os responsáveis por esses cuidados.
Os familiares e os pacientes ficaram sem saber ao certo o que fazer, pois, apesar de pagarem pelo plano de saúde, passaram também a trabalhar para o hospital — de graça. Um verdadeiro absurdo.
Muitos familiares não conseguiam, não queriam ou tinham medo de assumir esses cuidados. Assim, alguns médicos, caridosos demais, colocavam a mão na massa: administravam medicamentos, trocavam fraldas, alimentavam, davam banho, entre outras atividades — sem receber nada a mais por isso.
Com isso, deixavam de atender outros pacientes, perdendo o valor de consultas. Trabalhavam mais e ganhavam menos.
E assim a situação continuou. Embora os médicos reclamassem entre si e nas redes sociais, poucos — muito poucos — acionavam o sindicato ou cobravam uma postura correta dos hospitais. Passivamente, continuavam a assumir funções que não lhes cabiam.
Certo dia, um desses médicos trocou de carro. Seu corretor de seguros realizou o endosso de substituição no seguro e avisou que ele receberia um SMS com um link para realizar a vistoria.
Caro corretor, paro o texto por aqui e deixo o final livre à sua imaginação.
Abraços,
Marcelo Monteiro
Corretor de Seguros
Santos – SP
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